24 de janeiro de 2008

Mudança

Naquele dia o sol brilhava e as flores dançavam com o vento leve da tarde. Débora caminhava pela estradinha que cortava o bosque prestando atenção em todos os detalhes. Adorava observar a natureza, brincar com os bichinhos e colher flores pelo caminho. Estava muito distraída com tudo à sua volta.
Já estava caminhando há um bom tempo, nem sabia o quanto, e começou a sentir-se cansada. Olhou para trás e viu o quanto já havia caminhado.
- Não é pra menos que eu esteja cansada! Caminhei tanto!
Lembrou-se então de tudo que vira e fizera pelo caminho. Havia partes da estrada um pouco difíceis de caminhar, com árvores caídas, buracos, mas nada que ela não conseguisse ultrapassar. Lembrou dos muitos amigos que fizera pelo caminho, animais e pessoas que encontrou. Guardava todos com muito carinho. Lembrou dos momentos felizes e dos momentos mais tristes da caminhada. Como quando fora picada por insetos! Ficou cheia de bolinhas vermelhas! E também quando levou um tombo e ficou com o joelho roxo, mas agora já estava tudo bem.
Sentou-se à beira da estrada para descançar. E ficou ali alguns instantes, lembrando ainda de tudo que havia acontecido.
- Parece tanta coisa pra tão pouco tempo! Mas, agora, devo continuar. Não posso desistir. Quero saber o que há no fim dessa estrada! Dizem que é o melhor lugar do mundo todo! Onde não há dor nem tristeza. Dizem também que há outra estrada mais bela e fácil de seguir do que esta, mas, por curiosidade, preferi seguir por esta daqui... Espero ter feito a escolha certa.
Neste momento, levantou-se e preparou-se para continuar a jornada. Porém, foi interrompida por uma pombinha muito branca:
- Oh, menina, espere! Você não deve seguir ainda! Espere!
- O quê? Quem é você? Por que não posso seguir?
- Hihihi! Acalme-se com essas perguntas! Bem, fui enviada aqui por meu dono e o recado é que você não pode seguir desse jeito.
- Que jeito? Não entendo...
- Ora! Com estes trajes! A estrada, a partir daqui, é muito mais difícil de seguir. Possui mais insetos, mais buracos, e ainda muito mais!
- Muito mais? Como o quê?
- Montanhas, vales, dragões... Mas não se preocupe é por isso que Ele me enviou.
- Oh! Como seguirei? Há muitas dificuldades! Bem que me avisaram. A outra estrada é bem mais fácil...
- Nem pense nisto! Apesar de mais fácil, ela é enganadora. Leva seus viajantes à morte. Nem pense nisto! Aqui você enfrentará perigos, mas estará segura. Agora, lhe darei suas roupas novas. Essas suas não servem mais. E desfaça essas trancinhas, também não servem.
- Mas é o meu vestido mais bonito! Gosto tanto dele! E o que farei ao invés de tranças? Sempre uso meu cabelo assim!
- Oh! Obrigada, amigas pombas, por trazerem as roupas da moça - disse a pomba, e virou-se para Débora. - Venha! Vista esta calça. Agora esta blusa. Foi feita pelas pombas mesmo. Agora estas botas de cobra. No cabelo, faça um rabo. Perfeito. Simples como a pomba, astuta como a serpente!
- Mas estas não são roupas de uma menina. Me sinto estranha.
- Em primeiro lugar, estas roupas serão mais confortáveis para você enfrentar as dificuldades. Em segundo lugar, por que você esperava receber roupas de menina?
- Porque sou menina!
- Oh... a maioria age assim, mesmo. Amigas! Tragam o espelho. Oh! Sim, obrigada! Vocês estão rápidas, hein? Pois bem, aí está você.
- Oh... Mas... Mas... Eu... Cresci?
- Sim. Distraiu-se tanto com as coisas ao seu redor, que nem percebeu. Mas eis aí a realidade, foi por isso que o Mestre me mandou. Não se preocupe, você escolheu a estrada certa. Haverá dificuldades, é claro. Deves ser como eu já disse: simples como a pomba e prudente como a serpente. E Ele sempre estará te protegendo. Se precisar é só chamá-Lo, Ele sempre te escuta. Não tenha medo. E não digas sou uma criança... Agora és mulher. A estrada ainda é muito longa, mas o que te espera no final recompensará cada luta, cada obstáculo, cada dificuldade. Agora vá, Débora! Até breve!
- Nos veremos em breve?
- Oh, sim! Terás que trocar de roupa mais uma fez, mas lá no fim da jornada.
- O que vestirei, então?
- O mais belo vestido de noiva.
Cheia de coragem, fé e esperança, Débora, então, continuou a caminhar.

Não há como não agradecer... Não só pela linda homenagem que a mim fizeste do teu blog, mas por tudo.
Agradecer pelas infinitas horas de conversas na madrugada, pelos muitos e maravilhosos conselhos, pelos incansáveis gestos e palavras de apoio.
Agradecer por saber como lidar com essa criatura difícil e sentimental, por me fazer rir quando estou triste, por não me deixar desistir.
Agradecer por estar do meu lado sempre - até nas horas mais banais -, pelas ligações diárias e preocupação constante se eu estou bem, se está tudo bem e se está tudo "tri".
Agradecer pela tua amizade, carinho e amor. Sem eles, não sei o que seria de mim. Não sei se conseguiria prosseguir, pois é por eles que tu me incentiva e me sustenta quendo não estou muito bem.
Agradecer por acreditares em mim, independente das circunstâncias e independente do que o que eu mesma acho.

Obrigada minha amiga, irmã, teacher, pastora, missionária, dançarina, prenda, discipuladora, líder e exemplo!

Teu dom de fazer das idéias poesia é a mais bela ferramenta. Trazer ao papel o que Ele põe em nossos corações é ser na Terra a Sua letra, a sua boca, a Sua mão. Que, assim como fazia Davi, possamos ser inspiradas pelo Grande Eu Sou para escrevermos os poemas mais belos que só Ele pode nos dar.

A propósito: Davi era o cara, né?

A palavra me que deste há alguns dias, agora volta para ti. Sejas como Davi, segundo o coração de Deus. Uma líder que dança, escreve, toca e vai pra batalha!
Que Deus seja sempre contigo!

Te amo!

22 de janeiro de 2008

O poema do texto anterior

http://something-b.blogspot.com/2008/01/poema-de-nibus-baseado-em-fatos-muito.html
Quer saber qual era o tal "poema fortalecedor"?
Pois bem... Naquele dia a menina anotou o tal poema no seu caderno...

Metamorfose

Se colocarem pedras no meu leito
me farei torrente, imensa cachoeira
saltando, sobre tudo, impetuosa.
Se conseguirem fechar todas as saídas
penetrarei no solo, lentamente,
indo jorrar nas fontes cristalinas.
Se não deixarem que eu brote da terra
serei vapor vestindo nuvens,
com o mais negro véu da tempestade.
Provocarei relâmpagos, desabarei
rompendo diques e inundando tudo,
encontrando-me, finalmente com o oceano.

Tania Melo

Poema de ônibus - baseado em fatos muito reais!


Lá estava ela sentada no ônibus, como fazia todos os dias, mas naquele dia havia pedido para sair mais cedo. Voltava da escola com um olhar triste e um aperto enorme na garganta. Vontade de chorar, mas imagina o fiasco! Todo mundo no ônibus ia ficar olhando... Melhor disfarçar. Disfarçar a decepção, a derrota...
- É... alma de artista é bem mais sentimental mesmo - pensava ela - Oras! Quem não perde um dia? A derrota faz parte da batalha...
Palavras vãs... Nada a convencia da injustiça que haviam feito com ela e com seu colega de classe.
- Deram o prêmio pra aqueles outros! O trabalho deles era horrível! O meu foi feito com tanta dedicação... tanto capricho, cuidado... Que injustiça! - pensou, indignada. Já tinha chorado tanto na escola... Não ia começar ali no ônibus de novo... Tinha de ser forte.
- Mas nem adianta eles virem com certificado enfeitado, fazendo mensão honrosa ao segundo lugar. "Afinal foi só um ponto de diferença", "Esperamos que no ano que vem vocês se esforcem na Feira de Ciências", "Venham tirar uma foto O primeiro e segundo lugar... Sorriam! Sorriam pra foto!" Mas nunca que eu ia sorrir para aquela gente injusta!
Depois de mais um tempo - estava quase chegando em casa - olhou para a janela do ônibus e deu de cara com o poema. Mais um desses que tem em todo ônibus de Porto Alegre. Como sempre, começou a lê-lo, já era um hábito. E lá estava... Um dos poemas mais fortalecedores que já lera em toda sua vida. Ele a fez sonhar novamente. A fez pensar que, no fim, tudo daria certo e que aquilo tudo seria esquecido logo. A fez ter certeza que encontraria forças e mostraria que é capaz, mesmo sabendo que depende de Alguém muito mais forte e poderoso, mas Ele estaria com ela. E a fez ter certeza que o queria para a sua vida era escrever. Escrever coisas como aqueles poema, coisas que fizessem bem às pessoas.
Pouco mais de um ano depois, lá estava a sua "vingança" - se é que se pode chamar assim. Ela passou no vestibular da Federal, para Jornalismo. A partir daí, nunca mais precisou fazer nada relacionado com Química, Física ou Biologia. Ela iria escrever! E isso era o que realmente a fazia feliz!
Anos depois voltou à antiga escola para fazer uma reportagem para o jornal em que trabalhava. Logo encontrou seus antigos professores (os "injustos"). Eles lembraram-se dela, é claro, e também lembraram daquele dia que ela tirou segundo lugar na Feira de Ciências e quase morreu de tanto chorar. Então... todos riram juntos.

Inspiração repentina e "O Tempo"

Última prova do primeiro dia da semana de provas do colégio. Dia 27 de novembro de 2006, meio dia.

- É barbada! - alguns diziam em meio a gritaria dos alunos da turma 412. Outros, porém, se esforçavam um pouco mais, estudando sobre a vida de Aleijadinho. Sim, a prova era de Artes. Pouquíssimos alunos gostavam da coitada da Nilda... Coitada mesmo! Até casca de fruta já tinham jogado nela. Esta seria a última prova do ano (e das nossas vidas) com ela.
Primeira questão: Faça um texto sobre a importância de se preservar obras de arte, edifícios históricos e monumentos, considerando o valor...
- Tá, fácil essa - pensei. Depois de uma boa enrolada básica, dizendo que as obras de arte eram muito importantes para a cultura e a história brasileira, etc, etc, fui para a próxima questão.
E aí estava a surpresa! Havia a imagem de uma pintura de Salvador Dalí - sobre quem nunca havíamos estudado... O enunciado era simples e claro: Observe a imagem e crie uma poesia para a obra de Salvador Dalí, de quatro versos, três estrofes e com rima.
- Bah! O que que isso tem a ver com Artes?! - pensei, e pus-me a observar a tal imagem.

E de onde vem a inspiração numa hora dessas? No meio da prova. Baseando-se nesse quadro esquisito! E agora? Faltando 5 minutos para o
final da prova... PLIM! O texto jorrou para o papel... E saiu isto:

O tempo

O tempo passa, o tempo morre

Não se sabe para onde ele vai

Ele escorre, ele corre

.

Em um segundo estão na nossa mão

Então flui

Como um rio sem direção

.

Corre, corre; ele nunca vai parar

Não importa onde estejamos

Sua trajetória nunca irá cessar

.

Certas coisas não passam

Como a pedra e a história

Simplesmente ficam guardadas na memória

21 de janeiro de 2008

Orgulho e Preconceito


Como primeira dica de filme do blog... Um dos meus favoritos!

O filme é baseado e leva o mesmo nome do romance de Jane Austen (que eu já encomendei e começo a ler quarta-feira).

A história da passa no século XVIII, na Inglaterra. A personagem principal, Elizabeth Bannet mora com seus pais e mais quatro irmãs. Devido à situação financeira da família, a grande prioridade da Sra. Bannet é casar as filhas com homens de posses, para que elas tenham um bom futuro.

O filme mostra a realidade das família inglesas mais humildes daquelas época. Mostra suas festas, seus comportamentos e hábitos e os compara com aos dos ricos.

A grande trama mesmo é o romance de Elizabeth e Mr. Darcy. Ele, rico, introvertido e orgulhoso. Ela, humilde, determinada e preconceituosa quanto às suas diferenças relacionadas ao nível social e econômico.

A interpretação dos atores é muito boa. Keira Knightley, que interpreta Elizabeth, foi indicada ao Oscar pelo filme. Não sei se a sua interpretação foi digna de uma indicação ao Oscar, mas, mesmo assim, foi realmente boa, comparada à outra Elizabeth da trilogia "Piratas do Caribe".

Outras coisas que são maravilhosas no filme são a fotografia e a trilha sonora, que proporcionam belos momentos durante o filme.

Concluindo, é um filme realmente bom para quem gosta de romance e época.

Bom filme!

20 de janeiro de 2008

Máscara



- Não me escondo mais... Assumo quem sou! Assumo a autoria dos meus crimes. Assumo minha pobreza, minha falta de nobreza. Assumo minha culpa! Não adiantas mais me esconder, já sei disso!

- Agora é o momento... A parte do espetáculo em que todos virão a verdadeira face da mocinha - ou vilã? A máscara já está caída no chão... Todos podem ver minhas cicatrizes, minhas manchas, meus sinais, aquilo que eu mesma fiz sem perceber. E, ao invés de deixar-me tratar, coloquei esta máscara que, agora, está caída sobre o palco.

- Vamos platéia! Riam o quanto quiserem! Riam da minha feiúra! Riam! É a vez de vocês participarem! Aproveitem vosso divertido momento de zombaria e gargalhada... Daqui a instantes me retirarei ao lugar secreto. Lá vocês não entram! Haha!! Lá vocês nunca poderão entrar! Lá somos só eu e Ele! O Grande Médico! O Poderoso! Ele é o único capaz de curar-me dessas marcas horrendas!

- Se dói, caro senhor? Oh... Dói mais que a pior queimadura! Dói mais que o corte mais profundo! Dóis mais que... que... Oh! Como dói! Mas sei que cura! Sei que não voltarei a mesma.

Então ela se retirou... A platéia emudeceu. A cortinas se fecharam. Todos continuaram sentados, esperando o desfecho. Alguns minutos - ou seriam horas? Ou dias? - e as cortinas abriram-se. Lá estava ela. Não havia dúvidas que era ela mesma. Alta, cabelos vermelhos como fogo, mas algo estava diferente. Trajava um vestido branco lindo, cravejado de predras brilhantes. Mas a principal coisa que lhes chamou a atenção foi o seu rosto: nenhuma marca, mancha ou cicatriz. Ao invés disso, resplandecia. A platéia, muda, apenas observava. Ela, então, começou a dançar. Dançava como se voasse, como se não estivesse sendo observada por muitos olhos curiosos. Dançava ao som de uma música que só ela conseguia ouvir. Então parou. Olhou para trás e O viu. O seu Médico! Como ela estava feliz por vê-Lo! Saiu ao seu encontro e dançou com Ele. Foram saindo devagar do palco - algumas pessoas da platéia ainda se questionam se não estariam voando mesmo.

Então, a maior de todas as descobertas! Havia, bem ao fundo do palco, um grande espelho. Ninguém o havia percebido ainda... Deveria ser porque estavam com a atenção na belíssima dança da moça... Será? Bem, o que importa é que cada um da platéia conseguia ver o seu próprio rosto. E esta era a grande surpresa: cada um percebeu que usava uma bela máscara.