20 de janeiro de 2008

Máscara



- Não me escondo mais... Assumo quem sou! Assumo a autoria dos meus crimes. Assumo minha pobreza, minha falta de nobreza. Assumo minha culpa! Não adiantas mais me esconder, já sei disso!

- Agora é o momento... A parte do espetáculo em que todos virão a verdadeira face da mocinha - ou vilã? A máscara já está caída no chão... Todos podem ver minhas cicatrizes, minhas manchas, meus sinais, aquilo que eu mesma fiz sem perceber. E, ao invés de deixar-me tratar, coloquei esta máscara que, agora, está caída sobre o palco.

- Vamos platéia! Riam o quanto quiserem! Riam da minha feiúra! Riam! É a vez de vocês participarem! Aproveitem vosso divertido momento de zombaria e gargalhada... Daqui a instantes me retirarei ao lugar secreto. Lá vocês não entram! Haha!! Lá vocês nunca poderão entrar! Lá somos só eu e Ele! O Grande Médico! O Poderoso! Ele é o único capaz de curar-me dessas marcas horrendas!

- Se dói, caro senhor? Oh... Dói mais que a pior queimadura! Dói mais que o corte mais profundo! Dóis mais que... que... Oh! Como dói! Mas sei que cura! Sei que não voltarei a mesma.

Então ela se retirou... A platéia emudeceu. A cortinas se fecharam. Todos continuaram sentados, esperando o desfecho. Alguns minutos - ou seriam horas? Ou dias? - e as cortinas abriram-se. Lá estava ela. Não havia dúvidas que era ela mesma. Alta, cabelos vermelhos como fogo, mas algo estava diferente. Trajava um vestido branco lindo, cravejado de predras brilhantes. Mas a principal coisa que lhes chamou a atenção foi o seu rosto: nenhuma marca, mancha ou cicatriz. Ao invés disso, resplandecia. A platéia, muda, apenas observava. Ela, então, começou a dançar. Dançava como se voasse, como se não estivesse sendo observada por muitos olhos curiosos. Dançava ao som de uma música que só ela conseguia ouvir. Então parou. Olhou para trás e O viu. O seu Médico! Como ela estava feliz por vê-Lo! Saiu ao seu encontro e dançou com Ele. Foram saindo devagar do palco - algumas pessoas da platéia ainda se questionam se não estariam voando mesmo.

Então, a maior de todas as descobertas! Havia, bem ao fundo do palco, um grande espelho. Ninguém o havia percebido ainda... Deveria ser porque estavam com a atenção na belíssima dança da moça... Será? Bem, o que importa é que cada um da platéia conseguia ver o seu próprio rosto. E esta era a grande surpresa: cada um percebeu que usava uma bela máscara.

Um comentário:

  1. Ao tirar as máscaras certamente ficamos mais sensíveis. Mas é neste momento que O Grande Médico pode realmente ver o tamanho de nossas feridas para tratá-las. É bom ver meu blog favorito voltando à ativa, ainda mais com este texto tão lindo!
    Eu te amo,com um amor que dispensa máscaras, amor de amiga, de irmã, simplesmente amor verdadeiro.

    ResponderExcluir