22 de janeiro de 2008

Poema de ônibus - baseado em fatos muito reais!


Lá estava ela sentada no ônibus, como fazia todos os dias, mas naquele dia havia pedido para sair mais cedo. Voltava da escola com um olhar triste e um aperto enorme na garganta. Vontade de chorar, mas imagina o fiasco! Todo mundo no ônibus ia ficar olhando... Melhor disfarçar. Disfarçar a decepção, a derrota...
- É... alma de artista é bem mais sentimental mesmo - pensava ela - Oras! Quem não perde um dia? A derrota faz parte da batalha...
Palavras vãs... Nada a convencia da injustiça que haviam feito com ela e com seu colega de classe.
- Deram o prêmio pra aqueles outros! O trabalho deles era horrível! O meu foi feito com tanta dedicação... tanto capricho, cuidado... Que injustiça! - pensou, indignada. Já tinha chorado tanto na escola... Não ia começar ali no ônibus de novo... Tinha de ser forte.
- Mas nem adianta eles virem com certificado enfeitado, fazendo mensão honrosa ao segundo lugar. "Afinal foi só um ponto de diferença", "Esperamos que no ano que vem vocês se esforcem na Feira de Ciências", "Venham tirar uma foto O primeiro e segundo lugar... Sorriam! Sorriam pra foto!" Mas nunca que eu ia sorrir para aquela gente injusta!
Depois de mais um tempo - estava quase chegando em casa - olhou para a janela do ônibus e deu de cara com o poema. Mais um desses que tem em todo ônibus de Porto Alegre. Como sempre, começou a lê-lo, já era um hábito. E lá estava... Um dos poemas mais fortalecedores que já lera em toda sua vida. Ele a fez sonhar novamente. A fez pensar que, no fim, tudo daria certo e que aquilo tudo seria esquecido logo. A fez ter certeza que encontraria forças e mostraria que é capaz, mesmo sabendo que depende de Alguém muito mais forte e poderoso, mas Ele estaria com ela. E a fez ter certeza que o queria para a sua vida era escrever. Escrever coisas como aqueles poema, coisas que fizessem bem às pessoas.
Pouco mais de um ano depois, lá estava a sua "vingança" - se é que se pode chamar assim. Ela passou no vestibular da Federal, para Jornalismo. A partir daí, nunca mais precisou fazer nada relacionado com Química, Física ou Biologia. Ela iria escrever! E isso era o que realmente a fazia feliz!
Anos depois voltou à antiga escola para fazer uma reportagem para o jornal em que trabalhava. Logo encontrou seus antigos professores (os "injustos"). Eles lembraram-se dela, é claro, e também lembraram daquele dia que ela tirou segundo lugar na Feira de Ciências e quase morreu de tanto chorar. Então... todos riram juntos.

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