22 de maio de 2009

Criança

12 de outubro de 1998, 7 anos.
Querido Diário! Hoje foi um dia muito legal, porque é o dia das crianças!!! Também é feriado. Minha mãe disse que o feriado é por causa de uma santa, mas pra mim é porque é dia das crianças. De manhã minha mãe me deu a Barbie Rapunzel que eu queria. Ela é muito linda! No almoço teve batata frita e de sobremesa sorvete de chocolate. De tarde e tia Ana veio aqui com a Gabi, que é minha prima. Daí ela me pegou pra gente ir na Redenção e no parque. Me diverti muito! Minha vó também me deu um presente. Ela me deu o cd novo da Sandy que eu queria. Foi o melhor dia das crianças de minha vida toda!!!!!
Até amanhã!

12 de outubro de 2006, 15 anos.
Dia perfeito! Ou pelo menos o final... De manhã, a mãe veio com os papos de "dia das crianças". Será que ela não percebe que eu não sou mais criança? Dã. Ela ainda me deu dinheiro, disse que achava melhor que eu escolhesse o meu presente... De qualquer modo, saí com as gurias de tarde e depois fomos pra casa do Júlio. Acabei ficando por lá, claro. Certamente, o melhor "dia das crianças", nem tão criança.

12 de outubro de 2007, 16 anos.
Acordar com alguém chorando nem sempre é bom, a não ser quando é ela. Hoje ainda mais. E pensar que há um ano atrás eu jamais imaginaria isso. Tantos problemas, tantas lágrimas, rejeição, abandono... Mas eu jamais a abandonaria, jamais a mataria, nem adiantaria ele implorar mais! Mesmo tão pequena já ganhou tantos presentes! Só a minha mãe deu uns quantos! De repente, voltei a ter que comemorar dia das crianças, hoje é o primeiro dela. Pelo menos ainda não está pedindo Barbie. Hoje não sou mais eu que ganho presentes... só em maio.

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Tema para o Clube da Escrita: o melhor dia das crianças da minha vida

15 de maio de 2009

Oi, tem moeda?

Vermelho.
Tem moeda? Tá. Tem moeda? Brigado. Tem moeda? Tem moeda?
Verde.
Cinco moeda. A mãe me manda pegá bastante, mas me dá uma coisa. Eu disse pra ela. Ela disse pra eu pará de sê esvergonhada. Acho que é isso. Eu nem sei falá direito. Esses dias vi um cara que pedia que nem eu, só que ele não tinha uma perna, e ele tava segurando um papel com umas coisa escrita. Daí ele nem falava, só levantava o papel. Ia sê mais fácil assim. Não gosto de falá, me dá uma coisa na barriga, um nervoso. A Júlia sempre consegue mais. Ela faz mais cara de triste, fala meio chorando. Às vezes consegue até dinheiro de papel.
Vermelho.
Oi, tio, tem moeda? Brigada. Moeda? Tem uma moeda? Aham. É. Tá, pode sê um pão. Tá. Brigada. Tem moeda?
Verde.
Gosto quando dão comida. Quase nem como aqui. Não posso gastar as moeda, é tudo pro pai da Júlia. A Júlia é minha irmã. Mas o pai da Júlia não é meu pai. A mãe é mãe das duas. O meu pai eu não sei. A mãe nem fala dele. O ruim é que quando dão pão, não dão moeda junto. Tem gente que não gosta de dá moeda, eles diz: não vô te dá pra ti ficá se drogando! Mas eu nem sei. Sempre dei moeda pra mãe. Uma vez só gastei num chocolate. Daí a Júlia contou e eu apanhei do pai dela. Aquele idiota... Eu queria usá um papel que nem o cara sem perna que eu vi. Só que nem tenho papel, nem coisa de escrevê e nem sei escrevê. Nem a Júlia. Senão ela fazia pra mim.
Vermelho.
Oi, tem moeda? Oi, tem moeda? Brigada. Tem moeda? É pra comprá leite e comida. Brigada. Tem moeda? Então, me dá uma bolacha? Brigada.
Verde.
Acho que vô pedi pra Ana fazê o papel. Ela já foi na escola. Acho que não vai mais, mas deve sabê as letra. Ah! Tem também aquela moça, a Lisa, que mora ali na rua. Só que eu nunca vejo ela... Ela dá aula numa escola e tem aula de noite. Diz que ela faz faculdade, que vai sê rica um dia. Eu que tinha que sê rica. Mas parece que pra sê rica tem que fazê faculdade. Eu nem sei... Só queria escrevê num papel pra não precisá ficá falando. Quem sabe eu tenho que pará de sê esvergonhada mesmo...
Vermelho.
Oi, tem moeda?

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Texto para o Clube da Escrita.
Tema: Sobre o que nunca vou escrever

Tear Down the Walls

Tear down the walls.
See the world.
Is there something we have missed?
Turn from ourselves.
Look beyond.
There is so much more than this.
And I don’t need to see it to believe it.
I don’t need to see it to believe.
Cause I can’t shake this fire deep inside my heart.
Look to the skies.
Hope arise.
See His majesty revealed.
More than this life.
There is love.
There is hope and this is real.
And I don’t need to see it to believe it.
I don’t need to see it to believe.
Cause I can’t shake this fire burning deep inside my heart.
This life is Yours.
Hope is rising as Your glory floods our hearts.
Let Love tear down these walls.
That all creation would come back to You.
It’s all for you.
Your Name is glorious, glorious.
Your Love is changing us, calling us.
To worship in spirit and in truth.
As all creation returns to You.
Oh or all Your sons and daughters.
Who are walking in the darkness.
You are calling us to lead them back to You.
We will see Your spirit rising.
As the lost come out of hiding.
Every heart will see this hope we have in You.
For Your Name is glorious, glorious.
Your Love is changing us, calling us.
To worship in spirit and in truth.
As all creation returns to You.

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Desculpem por mais uma música, mas não deu pra ficar indiferente.
Novo CD do Hillsong United
A_Cross // the_EARTH: Tear Down the Walls

6 de maio de 2009

O Tapeceiro

Tapeceiro, grande artista,
Vai fazendo seu trabalho
Incansável, paciente no seu tear
Tapeceiro, não se engana
Sabe o fim desde o começo,
Traça voltas, mil desvios sem perder o fio

Minha vida é obra de tapeçaria,
É tecida de cores alegres e vivas,
Que fazem contraste no meio das cores
Nubladas e tristes
Se você olha do avesso,
Nem imagina o desfecho
No fim das contas, tudo se explica,
Tudo se encaixa, tudo coopera pro meu bem

Quando se vê pelo lado certo,
Muda-se logo a expressão do rosto,
Obra de arte pra Honra e Glória do Tapeceiro
Quando se vê pelo lado certo,
Todas as cores da minha vida
Dignificam a Jesus Cristo, o Tapeceiro

Música de João Alexandre

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Como não poderia deixar de ser... estou fascinada com as músicas do João Alexandre.

5 de maio de 2009

Novo sonho


- Como posso sentir-me só contigo ao meu lado? - era o que Débora perguntava ao seu Amigo quase todos os dias.
- Sei que tu me guias, tu me amas, tu me ajudas em tudo. Estás sempre comigo. Mas, ultimamente, tenho sentido que falta algo.
Ele sempre mantinha-se em silêncio, mas naquela noite resolveu falar.
- Tenha paciência - disse o Amigo - Há um outro pedaço de vida que ainda não conheces. Há muito mais surpresas no teu caminho.
- Como faço para encontrar essa outra parte, então?
- Não sonhe mais só com você, veja além e descanse, nessa noite te darei um novo sonho.

Naquela noite, Débora sonhou um novo sonho: dois caminhos se encontravam de maneira inesperada e deixavam de ser dois para serem apenas um maior e mais belo.