25 de junho de 2009

Ideologia

Busquei por muitos meios uma ideologia.
Procurei heróis em quem confiasse, mas homens falham, têm medo.
Conheci outras ideias, pensamentos, conceitos, mas eram sem sentido, sem vida.

Fiquei por um tempo sem norte.
Te via de longe, mas não compreendia como te encontrar realmente em meio a tantas palavras, na minha interna confusão de ideias.
Era necessário quebrar barreiras.

- Quebre as barreiras! - eu gritei.
- Eu te amo! Eu amo... - e as barreiras caíram.
Entendi.

Então corri, te abracei e descobri que não há nada maior.
Tu és o Eu Sou, que vê além, que tudo sabe, que se importa comigo, que ama.
Mais que um herói, um amigo.

Me ensinaste a tua ideologia, me deste o teu sonho.
Amor.

24 de junho de 2009

Uma família, um país, pessoas**

Eu estava sozinha sentada em um banco com o livro aberto em meu colo quando dei-me conta do que havia acabado de ler. Voltei algumas linhas e rê-li: “Estar sozinha é uma idéia desconhecida para Leila. Ela nunca, em nenhum lugar, esteve sozinha. Nunca ficou sozinha no apartamento, nunca foi sozinha a lugar algum, nunca foi deixada sozinha em lugar algum, nunca dormiu sozinha. Todas as noites dorme no tapete ao lado da mãe. Leila não sabe o que é estar só e nem sente falta disso”. Percebi o quão distante era a minha realidade da dessa moça afegã apenas um ano mais velha do que eu.
Os maiores choques de realidade ocorrem quando algo básico para um não é normal para outro, como ficar só em alguns momentos, por exemplo. No livro O livreiro de Cabul, de Asne Seierstad, esses choques ocorrem a todo instante. A cada página virada, descobrem-se extremas diferenças entre a nossa sociedade e a afegã. A educação, a submissão feminina e sua posição na sociedade, os rituais religiosos, os relacionamentos, o casamento, a liberdade de expressão e até mesmo os hábitos de higiene no Afeganistão impressionam o leitor ocidental. Durante a leitura, confesso que algumas vezes fiquei com raiva diante das injustiças cometidas com mulheres e jovens – baseadas em meus conceitos de justiça, claro.
O livro, lançado em 2006 no Brasil pela editora Record, foi escrito com base nos três meses em que a escritora e também jornalista norueguesa viveu na casa de uma família afegã, na primavera de 2002. Ao cobrir a guerra contra o Talibã no Afeganistão logo após o 11 de setembro, Seierstad conheceu Sultan Khan (nome fictício), dono de várias livrarias em Cabul. Por interessar-se pela história e modo de vida da família Khan, a jornalista foi recebida em sua casa a fim de escrever um livro. Por ser ocidental, a autora diz que era considerada um “ser bissexuado” que podia conviver e conversar com mulheres e homens, ou seja, sem a comum distância e separação mantida na cultura afegã. Lá ela vivenciou e descobriu várias situações que são descritas no livro com um misto de narrativa lírica e reportagem e que revelam a realidade de uma cultura que existe paralelamente à guerra, de uma face do país muitas vezes não mostrada aos ocidentais.
Sultan Khan é um homem culto, bem informado, que gosta da poesia e da história do Afeganistão. Passou por tortura e muitos de seus livros foram queimados na invasão soviética e no período do Talibã. Khan mantém diante da sua família a posição de superioridade conferida ao primogênito e ao marido, obrigando os filhos a trabalharem nas livrarias e não os deixando estudar, tratando a irmã mais nova como empregada, dando mais privilégios à segunda esposa, negociando o casamento das irmãs. Todas essas histórias são contadas como crônicas da vida afegã sob o olhar ocidental da autora norueguesa. Em nem todos os relatos Khan é o centro dos acontecimentos, pelo contrário, o destaque do livro são as mulheres. Mesmo assim, o título do livro nos remete ao livreiro, e assim é a família Khan. Mesmo com as duas esposas, os cinco filhos, a mãe, as irmãs e o irmão que moram no apartamento de quatro quartos de Sultan, ele permanece como a autoridade, o nome sobre todos na família. Sua palavra é lei.
De um modo mais amplo, Asne Seierstad retrata algo além das particularidades de uma família, ela retrata o Afeganistão, país afetado por constantes guerras, desde a saída dos britânicos e da invasão soviética até a interversão americana contra o Talibã e as conseqüentes lutas internas pela afirmação de um governo. É fundamentado no islamismo e, mesmo não estando mais sob o controle Talibã, mantém alguns costumes impostos pelos antigos governantes, como o uso da burca – traje também adotado pela autora para fazer-se “invisível” em Cabul.
Apesar de algumas dúvidas quanto à veracidade dos fatos relatados – alguns críticos supõem a invenção das histórias ou, pelo menos, de parte delas –, O livreiro de Cabul acrescenta aos ocidentais uma nova visão sobre a sociedade afegã, pois mostra que, além das guerras, das proibições, dos rituais islâmicos e dos casamentos arranjados, há uma senhora obesa que esconde tâmaras sob o tapete e as come escondida, há um jovem que odeia ser afegão, fuma e pensa muito em garotas, há uma adolescente assustada que vai casar-se com um homem de cinqüenta anos, há uma professora de biologia que viveu um grande amor e que foi proibida de trabalhar pelo governo. Atrás da cultura, há pessoas que, assim como todas as outras, sejam orientais ou ocidentais, sentem, pensam, sonham e vivem da sua maneira, ou da maneira que foram ensinadas a viver.





** Eu realmente não espero que alguém leia isso além do meu professor. Fiz para a cadeira de Ética em Comunicação e queria colocar em algum lugar...

8 de junho de 2009

Há um ano atrás

Há um ano atrás eu tinha acabado de ir ao Cirque de Soleil, presente que ganhei da minha tia. Lembro que saí mais cedo do cursinho, perdi, assim, dois períodos da minha "amada" Matemática, com um dos professores mais legais do curso. Lembro que pensei: "E se hoje, justamente hoje, o Mauro dá A matéria que vai me fazer ir bem na prova de Matemática? Azar... Pelo Cirque vale a pena." E valeu. E acho que a matéria dada no dia não foi tão importante. Acho que foi geometria plana, se é que eu sei ainda o que é isso, já que a parte mais exata do meu cérebro está atrofiando.
Há um ano atrás, como já disse eu estava fazendo cursinho e pensando que se eu não entendesse (lê-se: decorasse) Movimento Retilíneo Uniforme Variado, Ligações Químicas e Progressão Geométrica eu era uma ameba e iria rodar no vestibular. Não entendi, não decorei. Passei.
Há um ano atrás eu estudava História loucamente, visto ser minha matéria preferida e a que mais valia pra mim no vestibular. Fiz TODOS os exercícios de TODOS os livros do História do cursinho. Por esse motivo, achava que essa seria minha melhor prova, que com certeza faria mais de 20 questões das 25 do vestibular. Fiz 15. E quase passei toda a tarde chorando depois, achando que minha aprovação estava comprometida.
Há um ano atrás me sentia mal quando não conseguia entregar uma redação, afinal era difícil conciliar colégio e cursinho. Nos simulados, nunca ia muito bem apesar de todo o esforço. Notas sempre entre 66, 69. Fiz 80. E ainda vou escrever muito na vida.
Há um ano atrás tanto na escola quanto no cursinho houve milhares que aulas temáticas, palestras e abordagens do ano de 1968. Ditadura militar, AI-5, hippies nos EUA, maio parisiense, morte de Luther King... Ainda sei tudo. Já que todos esses fatos comemoravam 40 anos, era certo que ia cair na prova da UFRGS. Não caiu 68, nem mesmo Ditadura Militar.
Há um ano atrás, apesar de estar estudando para isso, não me imaginava um ano depois, fazendo artigos, seminários, relatórios, análises, resenhas, leituras, provas em uma universidade. Vislumbrava o futuro até o dia do vestibular, a partir dali tudo ainda estava embaçado. Entreguei meu primeiro artigo hoje, tenho milhares de xerox e um livro pra ler, quarta tenho que entregar um relatório, semana que vem tenho mais duas provas... e por aí vai.

Realidade: nunca podemos saber o que acontecerá em um ano da nossa vida. Tudo muda. Ele direciona. Eu faço minha parte e confio.