12 de dezembro de 2010

Arte

Eu quero a arte que rasga a pele, expõe o nervo e jorra sangue
Eu quero a arte que te confronta; a arte espelho, não diamante
Não quero a arte que anda em círculos, caminho algum para mostrar
Eu quero a arte flecha, que aponta o alvo e vai voar
A arte em si está vazia, não é um astro que emite luz
Mas Jesus Cristo, Autor da vida, é a inspiração que me conduz
Nas poesias, nas melodias, eu vejo as marcas do grande Deus
E nos detalhes de cada história, as digitais dos dedos Seus






Kátia Mello, coreografia "Recomeçar" do Estúdio do Corpo

11 de dezembro de 2010

Quebra-cabeça

Peças soltas e espalhadas pelo chão tentam se encaixar nas pequenas partes já montadas desse quebra-cabeça. Outras peças parecem terem sido esquecidas no fundo das gavetas. Peças brilhantes, peças opacas. Peças saltitantes, peças paradas. Peças de todas as cores.
Quais delas me pertencem de verdade? Será demais querer todas elas? Serão seus encaixes incompatíveis?
Peças de fatos, peças de sonhos, peças necessárias. Estão espalhadas por aqui por obra do acaso ou realmente fazem parte desse grande e por enquanto indefinido quebra-cabeça?
É hora de separar por cores, olhar de longe, dar um tempo e continuar acreditando que no fim a imagem formada será perfeita.

10 de dezembro de 2010

Eu sei

No meio de tanta descrença e desesperança, eu sei.
Quando todas as suas perguntas têm respostas negativas, eu me abro para o sim.
Enquanto você se limita a essa existência efêmera e confusa, a minha vida ainda nem começou de verdade.
Você corre atrás de mais, prazer, sorrisos, metas, goles, corações. Mas. Tudo. Um. Dia. Acaba.
Com todos os meus sonhos e esperanças, eu sei que um dia vou voar por aí, sumir daqui e nunca mais olhar pra trás.
Só sinto muito por você que vai ficar aqui, sentado no banco, olhando para o céu, com a cabeça cheia de comos e porquês.

3 de dezembro de 2010

Fim de semestre

De acordo com Andrew Keen, o Something seria um espaço no ambiente virtual voltado para a livre expressão de uma escritora amadora, sem filtro profissional algum, portanto faria parte do nobre amador e bla, bla, bla.
Daqui há uma semana exatamente isso acaba! Daqui há uma semana exatamente estarei livre para ler o livro que quiser, um dos 10 que comprei na Feira do Livro. Daqui há uma semana exatamente vou tomar um sorvete e postar um texto legal no blog.
"Enquanto seu lobo não chega", Brooke Fraser. ♥




Hosea's Wife
Brooke Fraser

I just spoke silence with the seeker next to me
She had a heart with hesitant, halting speech
That turned to mine and asked belligerently
"What do I live for?"

I see the scars of searches everywhere I go
From hearts to wars to literature to radio
There's a question like a shame no one will show
"What do I live for?"

We are Hosea's wife
We are squandering this life
Using people like ladders and words like knives

If we've eyes to see
If we've ears to hear
To find it in our hearts and mouths
The word that saves is near
Shed that shallow skin
Come and live again
Leave all you were before
To believe is to begin

There is truth in little corners of our lives
There are hints of it in songs and children's eyes
It's familiar, like an ancient lullaby
What do I live for?

We are Hosea's wife
We are squandering this life
Using bodies like money and truth like lies


We are more than dust
That means something
That means something
We are more than just
Blood and emotions
Inklings and notions
Atoms on oceans

16 de novembro de 2010

Je ne savais pas

Mais uma do filme A Bela e a Fera - que comprarei muito em breve!
Dessa vez, uma das mais bonitinhas e em FRANCÊS!
Só pra eu lembrar que tenho que estudar mais se quiser ficar fluente. Haha!

Je ne savais pas (La Belle et la Bête)

[Belle] - Y a quelquechose dans son regard
D'un peu fragile et de léger
Comme un espoir
Toi mon ami aux yeux de soie
Tu as sourit
Mais hier encore je n'savais pas

[Bête] - Elle me regarde
Je le sens bien
Comme un oiseau
Sur moi elle a posé sa main
Je n'ose y croire
Pourtant j'y crois
Jamais encore elle n'avait eu ce regard la

[Belle] - C'est le plus fou des romans
Et cette histoire m'enchante
C'est vrai
Il n'a rien d'un prince charmant
Mais en marge du temps
Mon coeur s'éveille en secret

[Lumière] - Qui l'aurait cru?
[Mme Samovart] - C'est incongru
[Lumière] - Qui l'aurais su?
[Mme Samovart] - Oh oui, mais qui?
[Lumière] - Qui pourrait croire que ces deux la se seraient plus?
[Mme Samovart] - C'est incencé
[Tous] - Arrendon voir c'que ca donnera

Y a quelque chose qu'hier encore n'existait pas
[Lumière] - Y a quelque chose qu'hier encore n'excistait pas
[Mme Samovart] - Y a quelque chose qu'hier encore n'excistait pas

   

15 de novembro de 2010

All i need

ALL I NEED

Bethany Dillon

When the day is done
And there's no one else around
While I'm lying here in bed
You're in my heart, You're in my head
You're all I need, You're all I need
There are a million voices
Calling out my name
But You're the One I want to hear
So make the others disappear

You are all I need when I'm surrounded
You are all I need if I'm by myself
You fill me when I'm empty
There is nothing else
You're all I need

When the morning comes
And Your mercy is renewed
There's a fire in my bones
I'm not afraid to go alone
You're all I need
You're all I need
The sun on my face
I hear You whisper loud
You're still the God that opens seas
Every flower, even me
You're all I need
You're all I need

I'm drawn to everything that You do
Nothing compares with You

3 de novembro de 2010

Gostaria

de subir numa árvore
de andar na praia
de ver o pôr-do-sol
de correr na chuva
de ler poesia
de tocar violão
de plantar flores
de colocar o quarto de cabeça pra baixo
de comer um doce
de dar um abraço
de andar de mãos dadas
de balançar na rede
de ver o céu estrelado
de olhar bem nos olhos
de escrever um livro
de dizer tudo
de...

E por que não faz?

Tudo tão simples.
Tudo tão complexo.

29 de outubro de 2010

Os prédios

Lembro que quando eu era pequena sempre ficava fascinada olhando os prédios da Universidade quando passávamos de carro. Sempre pensava "é aqui eu vou estudar". E meus pais sempre repetiam esse pensamento em voz alta "é aqui que tu vai estudar".
Até meus 6 anos, eu queria ser veterinária, enquanto minha mãe fazia faculdade de Letras, dividindo o tempo entre o Campus Centro e o Campus do Vale. Muitas vezes eu e meu pai íamos buscá-la de carro, e lá ficava eu vidrada naqueles prédios enormes. Sempre pensei que eram os maiores e mais bonitos que já tinha visto.
Quando íamos ao Campus do Vale, passávamos, é claro, em frente à Faculdade de Veterinária. Ali meus sonhos eram novamente alimentados "é aí que tu vai estudar". Meus olhos brilhavam. Ficava imaginando que lugar mágico não devia ser esse em que eu ia aprender a cuidar de bichos.
O tempo passou, as ideias e os sonhos mudaram. Aos seis anos escrevi meu primeiro texto e comecei a brincar de telejornal. Decidi que não ia estudar no prédio da Veterinária. Descobri um prédio simples, que antigamente costumava ser a gráfica da UFRGS. Ele tem só cinco andares, apesar do elevador tentar nos convencer que tem oito. Não faz parte dos prédios belos e históricos que aparecem nos calendários, mas com certeza tem tantas histórias bizarras e lendas quanto todos os outros.
Trabalhando da TV da Universidade, acabo aos poucos conhecendo um por um daqueles prédios que me fascinavam na infância. Mas o cotidiano nos faz mudar de olhar, hoje já não os vejo tão grandes. É engraçado perceber como o tempo passou e como tudo isso aconteceu. É bom lembrar as percepções da infância e colocar um pouco de utopia no dia-a-dia tão corrido e não tão cor-de-rosa.
É na infância que começam os melhores sonhos, tente não esquecê-los.

10 de outubro de 2010

Borboleta


O som, o tom, a melodia
Não mais parecem iguais
Algo mudou nessa sinfonia
Escrita há anos atrás

O cor-de-rosa tornou-se vermelho
A flor desabrochou
Passo, passo, um piscar de olhos
Coreografia mudou

Tudo cresce, amadurece
Lagarta vira borboleta
João, Maria, a Chapeuzinho
Virou Romeu e Julieta

24 de setembro de 2010

Buscai em primeiro lugar

Só a tua presença.
Nada mais é preciso.
Rompo o limite tempo-espaço, voando numa brisa leve que me mantém em silêncio, que me faz fechar os olhos e então começar a enxergar.
Giro na ponta dos pés, alcanço teu rosto, vejo teus olhos amorosos dizendo que sim, dizendo que é verdade.
Nada mais é preciso.
Tudo é tão efêmero se comparado à tua grandeza! Tudo é tão pequeno...
Sou levada por uma onda suave, preenchida por um brilho invisível, completa.
Estou na palma da tua mão, como uma semente sendo cuidada, em breve flor que irá desabrochar.
Nada mais é preciso.
Paz vinda da certeza de que estás aqui.
Sem formas determinadas, músicas prontas, palavras decoradas, técnicas...
Apenas a maravilha da espontaneidade entre pai e filha, apenas o sussurro da brisa.
Palavras e passos que externam o interior, verdadeiros.
Só a tua presença.
Nada mais é preciso.

14 de setembro de 2010

A Bela e a Fera

Dias sem muito tempo, entrevistando muito, editando muito... Deixo aqui no meu canto o início do meu filme favorito que será relançado em DVD em edição Diamante (!) agora no final do mês.
A Bela e a Fera ♥

27 de agosto de 2010

Meu Musical

Às vezes sonho que a minha vida é um musical.

Caminho na rua com uma trilha sonora alegre, o foco de luz em mim. Então, todo o cenário se ilumina e podemos ver as expressões das pessoas ao redor, que cantam algo como "Bonjour" de "A Bela e a Fera".
As aulas não são apenas ficar sentados nas cadeiras ouvindo. O conteúdo é cantado pelo professor, seguido pelo coro de alunos mais inteligentes. Os outros, eu inclusive, aprendemos enquanto dançamos e interpretamos o que está sendo cantado. Podemos fazer mímicas, passos de ballet ou de dança moderna.
Nos ônibus, todos escolhem uma música para cantarem juntos, dependendo do momento do dia, da estação do ano, etc.
Os figurinos são uma mistura da personalidade de cada personagem com a característica da estação do ano. Tudo muito cênico e maleável para proporcionar maior mobilidade aos bailarinos.
As estrelas também cantam, em coro, com três solistas (as Três Marias). Cantam depois de todos já haverem dormido uma canção com suas impressões daquele dia que apenas observaram caladas.
A banda ao vivo tem os mais variados instrumentos, desde os mais tradicionais, como o piano e o violão, como objetos que fazem sons engraçados. Sem esquecer da gaita de boca, sempre usada para momentos de solidão, e da guitarra e da bateria, quando tudo está muito vivo e bagunçado.
E o mais importante, sempre há final feliz.

12 de agosto de 2010

Cansei



Cansei (Carol Gualberto)

Eu cansei de ser chinfrim, cansei de ser meia boca
Eu quero transformar a mim, ai, meu Deus, me dá tua força!

A vida que é toda morna

O sal que nunca salgou
A lâmpada embaixo da cama que nunca iluminou

A fé que sem obras é morta
Discurso que não tem ação
Palavra que não tem valia s
e dita só nessa canção

Eu cansei de ser chinfrim, cansei de ser meia boca
Eu quero transformar a mim, ai, meu Deus, me dá tua força!

Eu gosto de ficar no gueto
Da minha acomodação
Me acho, me abano e abandono o cerne da minha razão

É fácil ficar num cantinho
Com ovelhas e rouxinóis
Mas é no escuro e entre lobos que a candeia brilha como sóis

http://carol-gualberto.blogspot.com/

5 de agosto de 2010

Contador de histórias

O Contador de histórias é um homem cheio de experiências, cheio de sonhos que consegue cativar quem o cerca com seu jeito alegre e sincero. É claro que o que mais gosta de fazer está no nome, contar histórias. Encanta-se ao ver rodeado de interessados ouvintes, mudos com olhos brilhantes de ansiedade. Não sei desde quando ele conta histórias, talvez desde que aprendeu a formar frases. Algumas vezes, as histórias são inventadas. A imaginação do Contador percorre bosques, fazendas, cidades grandes, vai para o mundo da fantasia, com bruxas e cavalos falantes, volta para as ruas de sua cidade... Outras vezes, as histórias são reais, são lembranças de infância, memórias de família, relíquias bem guardadas e cuidadas pelo Contador. Ele as retira das caixas com cuidado, as desembrulha e as mostra para quem perguntar o que é. São lembranças das brincadeiras com os irmãos, dos passeios, dos parentes engraçados, das festas dos tempos de outrora.
Certa vez, o Contador decidiu registrar algumas dessas ideias e lembranças e escreveu um pequeno livro inteiro à mão. Quanto trabalho, Contador! Logo, comprou uma máquina de escrever. Eram tantas histórias a serem contadas que poderia ficar com tendinite. O tempo passou e recomendaram ao Contador que colocasse suas ideias nessa tela brilhosa que apresentaram a ele. Chamam-na de computador, uma coisa muito estranha, com a qual ele não se acostumou muito bem ainda. Mas pelo menos pode voltar no texto, repensar algum parágrafo, mudar aquela palavra e corrigir as vírgulas colocadas por engano. Modernidades às quais o Contador foi-se adaptando. Já escreveu alguns livros com a ajuda do computador. Ainda não publicou nenhum. Quem sabe um dia?
Mas as minhas melhores lembranças do Contador de histórias ainda são aquelas de antes de dormir, em que ele, deitado ao meu lado, narrava as aventuras dos animais da fazenda, da luz verde que se transformava em bruxa, do menino José que fora vendido para o Egito como escravo.
Ontem, o Contador fez 76 anos e essa história merecia ser contada.
Feliz aniversário, vô!

9 de julho de 2010

Sobre as águas

Dia-a-dia, cotidiano, rotina, problemas. Fazemos tantas coisas o tempo todo, com as mais diversas motivações. Estamos sempre correndo, sempre sem tempo, sempre com medo. Se, por um momento, paramos e ouvimos a voz de Deus, nossa monótona realidade é confrontada. Não estamos acostumados com o sobrenatural. A vida parece tão difícil, tão complicada... Passamos por obstáculos, ouvimos palavras duras, enfrentamos tempestades, ondas, ventos contrários... Mas veja! Tem um homem que dorme no barco enquanto estamos desesperados. Ele tem paz, dEle vem a paz. Ele acalma tempestades, Ele anda sobre o mar. Ele vai além dos nossos limites, nos olha e diz: "vem". Quando pensamos que vamos afundar, é Ele quem nos faz andar sobre as águas.
Mateus 14:22-33, Mateus 8:23-27

7 de julho de 2010

Na bigorna

Trecho do livro "Moldado por Deus", de Max Lucado.

Com um forte braço, o ferreiro vestido com um avental põe as pinças dentro do fogo, agarra o metal fervendo e o coloca sobre a bigorna. O seu olho aguçado examina a peça ainda em brasa. Ele vê o que a ferramenta é agora e visualiza o que ele quer que ela seja - mais cortante, mais achatada, mais larga, mais comprida. Com uma visão mais clara em sua mente, ele começa a martelá-la. A sua mão esquerda ainda segura as pinças com o metal quente; e a mão direita bate no metal moldável com uma marreta de aproximadamente 1 quilo.
Na sólida bigorna, o ferro ainda em combustão começa a ser remodelado.
O ferreiro sabe o tipo de instrumento que ele quer. Ele sabe o tamanho. Ele sabe o formato. Ele sabe a força.
Pá! Pá! Bate o martelo. Os barulhos ressoam na loja, o ar se enche de fumaça, e o metal ainda mole responde.
Mas a resposta não vem fácil. Não vem sem um desconforto. Para derreter o ferro velho e refundi-lo como novo passa-se um processo de ruptura. O metal ainda se mantém na bigorna, permitindo que o ferreiro remova as cicatrizes, repare as rachaduras, preenche as lacunas e purifique as impurezas.
E com o tempo, uma mudança ocorre: o que era sem corte se torna afiado, o que era torto se torna reto, o que era fraco se torna forte, e o que era inútil se torna valoroso.
Então o ferreiro para. Ele cessa as batidas e coloca o martelo de lado. Com um forte braço esquerdo, levanta as pinças até que o metal recém-moldado esteja à altura dos seus olhos. Ainda em silêncio, ele examina a ferramenta em brasa. O implemento incandescente é girado e examinado para ver se existem marcas ou rachaduras.
Não existe nenhuma.
Agora o ferreiro entre no estágio final da sua tarefa. Ele mergulha o instrumento ainda quente dentro de um tonal de água. Com um sonido e uma movimentação de fumaça, o metal imediatamente começa a endurecer. O calor se rende ao ataque furioso da água fria e o mineral maleável e mole se torna uma ferramenta útil e inflexível.
"Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo" (I Pedro 1:6-7)

5 de julho de 2010

Mais um

Hoje ganhei mais um sonho e mais uma pétala.
Hoje contei mais uma estrela brilhando no céu quando abri a janela à noite.
Hoje vi mais uma borboleta voando sobre o jardim.
Hoje mais uma página do livro foi virada. Ela está em branco, devo começar a escrever logo.
Hoje mais uma lágrima escapou no canto do olho quando olhei pro céu.
Hoje lembrei mais uma vez que sou princesa.
Hoje nasceu mais uma flor, de uma tom rosa forte quase vermelho.
Hoje começo meu último "teen".
Hoje o dia é meu!

2 de julho de 2010

Não deu

Futebol não é história.
Futebol não é salário.
Futebol não é nome.
Futebol é um jogo por vez. Onze contra onze.
Noventa minutos de passes, de chutes, de gols, de dança.
Noventa minutos de dor de estômago, rouquidão e nervosismo...
Churrasco, pizza, chocolate, Coca-cola.
Rádio e tv ligados.
E no fim, não deu.
É isso aí, Brasil.
Quem sabe em 2014...

27 de junho de 2010

Completa






Tentei preencher o espaço vazio.
Música, dança, poema, palavra, flor, livro e estrela.
Efemeridades ou enganos. Machucou, virou cicatriz.
Então ouvi a doce voz... "Hoje, meu amor te basta".
Parei. Completa, sonhadora e em paz.
Não há vazios fora de hora.

23 de junho de 2010

Brasileira

Eu não gostava do Brasil. Parece que a gente nunca está satisfeito com o que tem e sempre acha que o dos outros é melhor. Eu me lembro de ver os "trailers" sobre os parques da Disney antes de começar o filme (na VHS) e achar que os EUA eram o melhor país do mundo - porque lá tinha castelo de princesa. Depois, com as aulas de História e Geografia do colégio, vi que tinha muita coisa com o nosso país. Que a nossa Independência tinha sido um fiasco. Que as elites sempre dominavam tudo, tirando o espaço das classes populares. Que a abolição da escravatura havia sido duvidosa. Que havia acontecido uma ditadura opressora. Que muitos políticos são corruptos. Que há fome, educação ruim, atendimento de saúde ruim... E todas essas coisas que a gente cansa de ouvir. Eu já tinha entendido que os EUA não eram apenas parques da Disney, mas achava os países europeus o máximo. França, Inglaterra... Países com história, guerras, heróis, monumentos, arte...

Então acontecia alguma Copa. Em 94 eu tinha quase três anos. Não me lembro muito bem dessa, mas tenho todos os jogos em VHS aqui em casa, meu pai gravou. Em 98, com quase 7, decorei toda a casa, fazíamos festa pra ver as partidas... E foi A decepção na final. Em 2002, eu e minhas amigas fizemos torcida coruja organizada. Acordávamos de madrugada para ver os jogos, íamos super produzidas pra escola. Em 2006 não fiquei tão ligada... Apesar de ser o ano em que comecei a realmente me interessar por futebol, não gostei daquela seleção e pouco me lembro dos jogos, apesar de ter visto todos. Não entendo porque em época de Copa as pessoas se tornam "ufanistas"... Talvez pensem que a única coisa boa no Brasil seja o futebol, que é a única coisa em que podemos ser bons. Nas Olimpíadas já não é bem assim...

No período entre 2006 e 2010, mudei um pouco a minha visão sobre o meu país. Entendi que todos os países têm problemas... Na Suécia o IDH é muito bom, mas o número de suicídios é muito grande, pois as pessoas não tem muito objetivo de vida, falta uma esperança, um sonho, sei lá... O que não acontece por aqui, pelo menos não tanto. Aprendi a ver o lado bom do Brasil, não sendo alienada, mas compreendendo as limitações. Aprendi a ver o povo brasileiro com outros olhos. Aprendi a ver a alegria, a esperança a determinação. Aprendi a amar o Brasil e torcer por ele não só em época de Copa do Mundo. Ainda quero viajar muito, quero conhecer vários países, mas nunca vou renegar minha nação.

Agora em 2010, com quase 19, apaixonada por futebol e pelo Brasil, não posso deixar de comentar no espaço mais meu desse mundo virtual que estou torcendo loucamente pelo "Seleção Canarinho". Posso não concordar com o Dunga em algumas coisas, posso não concordar com a grande imprensa em muitas coisas, mas não deixo de torcer, de gritar, de pintar o rosto... Eu sou brasileira e sou feliz por ser assim.

VAI, BRASIL!

20 de junho de 2010

Cicatriz

"When You heal, it always leaves a scar" (Beggar's Heart, Bethany Dillon)



Lá estava o copo trincado, mas eu não vi. Achei que fosse só um dia normal, com uma louça normal pra lavar... Mas no meio daquela louça tinha um copo trincado. Só percebi isso quando minha mão já estava cheia de sangue. O vidro rasgou um "v" na minha pele, como se fosse a sua assinatura. "V" de vidro, de vaga-lume, de valioso, de vaidade, de verdade, de veludo, de vergonha, de... Confesso que pouco me lembro de como tudo aconteceu. Foi de repente. Lembro que sentir dor, lavei a mão e sentei no chão, chorando, sem forças. Sangue escorria da pele; lágrimas, dos olhos. Meu pai me pegou pelo braço e me levantou. Me levou para o banheiro e cuidou do ferimento. "Vai ter que levar pontos", ele me disse. Não, não, não! Eu nunca tinha levado pontos, nunca havia tido um corte tão grande. Iria doer, eu tinha certeza. "Mas assim cicatriza mais rápido".
Lá fomos nós para o hospital... Em pouco tempo já estava costurada. Quatro pontos na mão - e o braço doendo por causa da vacina antitetânica. Que coisa mais feia eram aqueles pontos. Mais do que proteger o ferimento, o curativo protegia as pessoas daquela imagem horrível. Nos primeiros dias, eu ainda conseguia ter a sensação do vidro rasgando a minha pele. Fiquei incapaz de fazer certas coisas por algum tempo. Tive que ficar mais quieta. Aos poucos, pude voltar a usar a mão esquerda, voltar a escrever, voltar a dançar, mas sempre tendo cuidado com os pontos e com o curativo. Qualquer esforço a mais fazia o machucado doer. Qualquer batida leve me fazia tremer.
Quanto tempo leva para a pele cicatrizar? Depois de quase três semanas, tirei os pontos. A pele ainda está vermelha; o local, inchado. Ainda dói quando faço esforço. A sensibilidade ali é muito maior. Voltei a lavar a louça, mas com cuidado dobrado. Para beber, prefiro usar copo de plástico, por enquanto, me parece mai seguro.
Não vejo a hora que isso cicatrize de uma vez! A cicatriz não dói, apenas está lá como parte de uma história, como testemunha de um crescimento. A cicatriz é só lembrança, só memória de uma dor distante. A cicatriz faz aprender a cuidar se o copo está trincado. A cicatriz nunca nos deixa esquecer da experiência de como a conseguimos. É uma marca eterna de algo que já passou, que nos deixa mais fortes e preparados para outras histórias. Estou cicatrizando aos poucos.

14 de junho de 2010

Dente-de-leão

Mês de junho é igual a provas e trabalhos finais na faculdade. Por isso, tudo o que escrevo tem a ver com o fazer jornalístico, as reflexões sobre cidadania e as teorias da comunicação... Enfim, neste mês vou postar apenas imagens, pelas quais me apaixono mais a cada dia.

Amo flores. Amo detalhes. Amo fotografia. Amo assoprar dente-de-leão no vento. Aqui está tudo isso junto...

24 de maio de 2010

Ele nos ama

Pensei muito em qual seria a próxima postagem, até ouvir a versão em português dessa música e não ter mais dúvidas...

"How He loves us", da banda Jesus Culture
Versão em Português: Pr. Marcelo Guimarães

Ele nos ama

Ele tem ciúmes de mim
Seu amor é um furacão, árvore sou
Sendo movida no vento de misericórdia
Então compreendo as aflições por sua glória estão ofuscadas
Me faz perceber sua beleza e tudo o que sente por mim

Senhor, grande é o Seu amor,
Sim, como é grande, grande é o Seu amor

Somos seu povo, a Sua porção.
Por sua graça eu sou redimido
Se a graça é um oceano, afundando estamos
Então terra e céu como um beijo se unem
Agitando no peito o meu coração
Eu não tenho tempo de me lamentar
Quando eu penso em Seu amor

Nos ama,
Ele nos ama,
Ele nos ama.
Grande amor!



Original:

6 de maio de 2010

Prefiro os olhos

Geralmente fazem essa pergunta. A maioria responde "sorriso", "olhos", "boca". Alguns dão respostas mais excêntricas como "pés", "mãos", "pescoço"... Mas gosto não se discute. Nunca gostei do senso comum, e até pensei em dizer "braços". Mas não é assim que funciona. Decidi ser sincera. Eu prefiro os olhos. Até cheguei a pensar no sorriso, sabe, aquele sorriso que parece um raio de sol, mas ele nem sempre aparece e às vezes pode até estar mentindo. Eu mesma já sorri com a alma chorando. Já vi sorrisos vazios, que não são nada além de um enfeite opaco, que terminam depois do clique da câmera. Sorrisos que não dizem nada, nem que sim, nem que não. Sorrisos amarelos, falsos...
Já os olhos, dizem que são a "janela da alma". É um clichê meio brega, mas que funciona. Os olhos não sabem mentir, não sabem fingir. Por eles, entende-se o real significado das palavras ditas (ou não ditas). Eles podem até tentar fugir, escapar, e mesmo assim não deixam subentendido os seus motivos. Os olhos são verdadeiros, mesmo que misteriosos e até indecifráveis.
Hoje parei no espelho e fiquei observando os meus. Será que assim consigo entender alguma coisa dessa alma bagunçada? Será que consigo desvendar os meus mistérios? O que os meus olhos estão falando?
Mas tem um olhar que, além de verdade, transmite amor, paz e confiança. Eu o observo, o contemplo, é o farol que me guia à noite, é a certeza da vida. São os olhos que me viram substância informe e até hoje estão sobre mim, cuidando, guardando. São os olhos do meu Pai.

4 de maio de 2010

Sonho

Como entender uma perda não ocorrida?
É uma falta de algo que nunca tive, uma saudade de alguém que nem conheço. Talvez faltem notas na melodia que nunca toquei, palavras na música que nunca cantei e até passos no duo que danço sozinha.
Por onde andará meu sonho abstrato?
É um sonho sem feições e de voz indecifrável, que não termina quando acordo. É uma imagem imperfeita e malformada que apenas promete a cada dia se tornar concreta. É um fantasma que se esconde nos labirintos da minha ópera.
Mas de que vale o sonho se não concreto?
É a confiança no mistério, no lápis do autor da história. É a certeza no inesperado, na surpresa dos dias. É saber andar de olhos fechados e só abri-los na hora certa. É compreender a fidelidade e soltar-se no vento, sem cordas para se segurar. É descobrir depois o que sempre se soube.

29 de abril de 2010

Beija-flor



"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa."
Antoine de Saint-Exupéry, no livro O Pequeno Príncipe

E o pequeno beija-flor continua voando, observando cada flor do jardim. Ele espera uma palavra que o faça acreditar. Seu coração bate rápido e, ansioso, ele dança entre as flores. Não toca, porém, em nenhuma, nem chega muito perto. Quando encontrar a sua, será somente dela.

28 de abril de 2010

Autor da vida

Antes eu escrevia as páginas do livro sozinha. A história era tão confusa! Cheia de riscos, marcas... Até furado o papel ficava! Eram frases soltas, sem nexo que iam a lugar nenhum.
Então eu te encontrei. Tu, meu amigo, que restauraste as páginas manchadas e furadas, fazendo delas cicatrizes e testemunhas do que antes havia sido o livro. Também me mostraste páginas novas, em branco, e me disseste "vamos escrever juntos?".
A partir daí tu pegaste na minha mão e foste me contando o novo enredo misterioso dessa história. Enchemos as primeiras novas páginas de passos e promessas. Então comecei a perceber que, mesmo fazendo parte da história, não sou mais eu quem guia o caminho. Agora sou conduzida por ti nessa dança e posso dançá-la de olhos fechados. A letra continua sendo minha, mas as descobertas e aventuras são todas ideias tuas. E como é difícil e maravilhoso ao mesmo tempo! É difícil não planejar, é difícil esperar, é difícil enfrentar o desconhecido. É maravilhoso saber que tu me amas e tudo fazes para o meu bem pela tua boa, perfeita e agradável vontade. É maravilhoso saber que, depois desse suspiro efêmero de vida, há ainda uma eternidade a ser dançada, à qual tu me deste acesso. Por isso eu descanso e confio em ti, Autor da minha vida.

20 de abril de 2010

Guardado



"Your hand is where my heart belongs" (Always, Kirk Franklin)

Eu o arranquei e o joguei na estrada. Fiquei olhando. Estava tão estranho... Grande, vermelho, sangrando, pulsando, tremendo. O que será isso? Sonho? Ilusão? Vontade? Doença?
Peguei-o de volta e o lancei no meio das flores. Assustadas, elas se afastaram. Corri até ele para buscá-lo. Talvez eu pudesse jogá-lo em outro lugar. Mas ele já estava sujo, cansado, sozinho. Chorava porque ninguém quis aquietá-lo, ninguém quis pegá-lo nas mãos e cuidá-lo.
Então você pareceu. Perguntou se eu queria que você cuidasse dele. Será que você cuidaria bem? Sim, ninguém melhor para cuidá-lo do que quem o criou, que o conhece melhor do que eu mesma. Deixei-o em suas mãos.
Agora você cuida de cada batimento, cura cada pequena ferida causada pelo meu descaso. Eu já quis pegá-lo de volta, tentar cuidar dele eu mesma. Às vezes acho que posso conseguir sozinha. Então as forças se acabam, eu tropeço, volto arrependida e o devolvo pra você.
Por favor, segure-o entre as suas mãos, pois é aí que ele deve estar.

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida."  (Provérbios 4:23)

19 de abril de 2010

Always

You know i've had some lonely days
I've made mistakes and had to pay
I've had some friends that walked away
Just like mama told me

But there's someone who's love is real
Who cares about the way i feel
Every pain, any race, every stain
There's peace when i call out your name
 
Jesus, You're my everything
The cross You did that just for me
So whatever You take me through
I promise You
I'll spend my always with You

No one can touch my heart like you
Or make me smile the way You do
I finally found someone who
Who really truly loves me

And when my strength has come and gone
Your life in me it makes me strong
Your hand is where my heart belongs
You took all my pain
And erased every stain

Jesus, You're my everything
The cross You did that just for me
So whatever You take me through
I promise You
I'll spend my always with You

Jesus, my whole life has changed
Since that day i cried Your name
For everytime You brought me through
I promise You
I'll spend my always with You



16 de abril de 2010

Questões

Pontos de interrogação que escapuliram das caixas essa noite. Eles não precisam ser respondidos. Eu só precisava escrever...

Será que temos mesmo que ficar sempre com um sorriso no rosto, como uma boneca de plástico, repetindo "tudo bem" pra todos que passam?
Será que temos que manter a pose equilibrada, preocupando-nos com a opinião alheia, com o escândalo, com a fofoca? 
Será que nossas emoções só podem ser afloradas em uma página da internet fria e vazia?
Será que nossas tempestades tem que ser sempre abafadas e não podemos realmente gritar e chorar?
Será errado mostrarmos as nossas fraquezas, expormos a nossa dor ou dificuldade?
Por que apenas a felicidade pode ser compartilhada e cantada aos quatro cantos?
Você vai se sentir mal se eu chorar na sua frente, ou vai perder a esperança se eu disse que estou triste?

Sinto muito, sou humana e não escondo a minha humanidade.
Erro, choro, grito, entristeço, enfraqueço, caio, paro, acho, julgo, quero... Mas na minha fraqueza Ele opera fortaleza. E mesmo que eu decepcione alguém, o que pode acontecer sempre porque não sou perfeita (e nem você é), Ele não desiste de mim e nem de você.
A Sua paz excede todo o entendimento.
O Seu amor é incompreensível.
Mas é mais real do que qualquer coisa.

Música do dia...

Rest in You - Hillsong United

Your faithfulness endures always
Where mountains fall and reason fails

And You calm the raging seas

And You calm the storms in me again

All I know is I find rest in You

All I know is I find rest in You

My heart will praise throughout the night

Where singing seems a sacrifice

Your grace is all I need

Your grace is all I need




AVISO: esse post foi um devaneio depois de um dia corrido. Não leve tudo tão a sério, tá? Eu amo hipérboles, tempestade em copo d'água... coisas assim. Desculpe qualquer coisa =/

14 de abril de 2010

Caixas

Guardei tudo em caixas. Lembranças, segredos, presentes, cartas, sonhos. Comecei com uma caixa pequena. Cresci, e agora são muitas e bem maiores. Não são caixas de esquecimento, mas caixas de segurança.
Tudo estava espalhado no tapete da sala, muito à vista, muito exposto. Volta e meia alguém tropeçava, ou outro via alguma coisa interessante e dava sua opinião. Não é assim que funciona... A vida não é uma revista à venda nas bancas que qualquer um compra, olha, comenta. Também não é uma novela pra que outros acompanhem pra ver como vai ser o final.
Agora está tudo guardado, seguro, cuidado. Nada vai ficar empoeirado, melado ou mal falado. Poucos terão acesso às caixas, mas eu sei que muitos vão querer mexer nelas, espiar e vão até mesmo conjecturar o que pode haver ali, e isso é inevitável. Só não me importarei mais. Aprendi a entender o tempo e o modo, aprendi a esperar, me aquietar. Às vezes o coração fica nervoso, ansioso ou bravo e bate forte... As caixas balançam e parece que tudo vai desmoronar! Mas eu sei em quem confio. É Ele que me dá paz. A paz que excede todo entendimento.

6 de abril de 2010

Futebol




"Por sorte ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade."

"De Friedenreich em diante, o futebol brasileiro que é brasileiro de verdade não tem ângulos retos, do mesmo jeito que as montanhas do Rio de Janeiro e os edifícios de Oscar Niemeyer."

"Mas pelo menos no futebol há alguma possibilidade da ascensão social para o menino pobre, em geral negro ou mulato, que só tem a bola como brinquedo: a bola é a única varinha mágica em que pode acreditar. Talvez ela lhe dê de comer, talvez ela o transforme num herói, talvez em deus."

Eduardo Galeano - Futebol ao sol e à sombra


E eu estou apenas no início do livro...

24 de março de 2010

Você conhece o Paulo?

     Hoje decidi contar uma história diferente. Ela pode parecer um pouco bobinha até. É sobre um menino, chamado Paulo, que não gostava de goiabada. Tudo começou quando Paulo viu um pedaço de goiabada na mesa do café da manhã no sítio de seu avô. Acho aquilo um pouco estranho... Parecia um tijolo vermelho e gosmento. Chegou perto e cutucou o doce com uma colher.
     "Ai que nojo! Isso parece horrível!"
     Naquele dia ele tomou seu café apenas com um pedaço de bolo de milho, sem provar do tal doce, apesar de toda a família parecer gostar.
     "Aposto que todos estão fingindo, só pra agradar a vovó. Isso é gosmento, vermelho e tem um cheiro enjoativo."
     Ao voltar pra casa, comentou com seus amigos na escola sobre o doce estranho que tinha visto no sítio. Alguns disseram nunca terem provado, outros afirmavam que era ruim, mas havia alguns que diziam que era muito bom. Enfim, cada um na classe tinha sua opinião sobre a tal goiabada. Paulo ficou intrigado. Como pode alguém gostar de uma coisa molenga que parece um verme?
     À tarde, ele foi andar de bicicleta na pracinha perto da sua casa. Chegando lá, encontrou a Ana, uma de suas colegas de classe. Ana estava sentada na grama, na sombra de uma árvore, escrevendo em seu caderno. Ela era uma menina nova na escola, muito quietinha e estava sempre carregando um caderno. Paulo não a conhecia muito bem, mas resolveu conversar com ela, já que não havia encontrado seus amigos.
     No meio da conversa, a menina tirou da bolsa um pote, dizendo que estava com fome e que a mãe havia feito seu doce favorito: goiabada. Paulo levantou-se atordoado. Só de pensar na consistência e no cheiro daquilo já ficava irritado.
     "Como você consegue comer isso? Parece um verme, uma carne crua... Que nojo!"
     Sem ter muita noção do que estava fazendo, Paulo começou a gritar com Ana, pegou o seu caderno e atirou-o longe. Ela, sem entender o porquê daquilo tudo, perguntava ao menino se ele estava bem, se ele era alérgico a goiaba, ou qual era o problema. Paulo saiu correndo e prometeu a si mesmo nunca mais falar com aquela menina estranha.
     Alguns dias depois, na escola, Ana tentou conversar com Paulo sobre o que aconteceu, mas só o que conseguiu foi ser ignorada. Mesmo assim, ela não queria deixar a situação daquela maneira.
     Naquela tarde, a mãe de Paulo entregou-lhe um pacote bem enfeitado com um cartão.
     "Ué... Não é meu aniversário. Pra que isso mãe?"
     "Não sei. Deixaram aí pra você", disfarçou a mãe, que já estava sabendo de tudo.
     O cartão era de Ana, que pedia desculpas por tê-lo chateado tanto, mas que não entendia o motivo da briga. Além disso, ela dizia que o fato de gostar de goiabada não era motivo suficiente para eles não serem amigos. E, no final, dizia que se ele quisesse, podia experimentar o que estava no pacote e realmente ter uma opinião sobre algo que julgava apenas pela aparência.
     Era óbvio o que havia dentro da caixa. Paulo a abriu e desembrulhou uma goiabada grande e bem vermelha. Constrangido com a realidade colocada na carta - de que ele havia julgado sem conhecer -, foi até a cozinha e cortou um pedaço muito fino do doce. Fino, mas suficiente para fazê-lo pegar outro, bem pequeno. Talvez ele não tivesse sentido muito bem o gosto verdadeiro. Depois, ele pegou outro um pouco maior, só para ter certeza. E assim, Paulo comeu quase toda a goiabada numa sentada.
     Hoje Paulo é dono de uma indústria de alimentos. Fabrica e vende produtos coloniais: doce de leite, merengue, mel e goiabada, a especialidade da empresa.

23 de março de 2010

Há um lugar

Outro dia eu escrevo.
Para hoje, não há música melhor...




Há um lugar - Heloísa Rosa

Há um lugar de descanso em Ti
Há um lugar de refrigério em Ti
Há um lugar onde a verdade reina, esse lugar é no Senhor
Há um lugar onde as pessoas não me influenciam
Há um lugar onde eu ouço teu Espírito
Há um lugar de vitória em meio à guerra, esse lugar é no Senhor

Esse lugar é no Senhor

Há um lugar onde a inconstância não me domina
Há um lugar onde minha fé é fortalecida
Há um lugar onde a paz é quem governa, esse lugar é no Senhor
Há um lugar onde os sonhos não se abortam
Há um lugar onde o temor não me enrijece
Há um lugar que quando se perde é que se ganha, esse lugar é no Senhor

Jesus!
És tudo o que eu preciso, Jesus!
Eu Te preciso

22 de março de 2010



Eu posso ter balançado com o vento contrário,
Mas as lágrimas tornaram as minhas pernas mais fortes.
E agora eu caminho, quase corro.

19 de março de 2010

Minha teoria verdadeira


Minha ideia de ti vai além da estrutura visível e da matéria carnal efêmera.
Aqui dentro da caverna desfruto da visão parcial de tudo que um dia verei completamente. Meus olhos ficarão pequenos até adaptarem-se à luz, às cores agora tão vivas.
A imagens nessa parede me fazem sonhar com um futuro próximo, o que já não acontece com a maioria. Muitos olham e não entendem, outros ainda desviaram o olhar e passaram a contemplar as paredes vazias, os cantos, o chão e o teto, ignorando as formas, os tons, os movimentos refletidos na parede principal.
Anseio pelo dia que tu me buscará para que eu conheça a fonte dos meus sonhos, das belezes e das ideias. Te verei face a face, transcendendo a vida e a dor, voando na eternidade.

9 de março de 2010

(Não) Dizendo o que sente

Ele a toca no ombro e diz:

- Oi...
- Ah! Oi! Nossa, nem tinha te visto chegar.


(É, na verdade eu vi. Desde o momento em que tu entrou por aquela porta segui cada movimento teu pelo canto do olho. Não via a hora de falar contigo, mas tive vergonha de ir lá no meio dos teus amigos. Eu sei, eu tenho que...)

- Tudo bem?
- Aham...


(Bah! É que eu não tenho conseguido dormir direito... Sonho contigo quase todas as noites. Eu nucna lembro dos sonhos, mas acordo com o teu rosto no meu pensamento e não consigo voltar a dormir. Fico imaginando mil maneira de te contar que...)

- Tu vai no aniversário da Ana?
- Vou.

(Claro que vou! Eu estava do lado dela quando ela te ligou pra te convidar e tu confirmou que ia. Eu até tinha aula na faculdade, mas uma falta não faz mal a ninguém... Sabe como é, não posso perder a oportunidade de te veer e talvez eu até consiga te falar que...)

- Tá, então a gente se vê lá sexta-feira.
- Tá, tchau.

(Mas já tem que ir? A gente nem pode conversar direito! Eu tenho tanta coisa pra te falar...)

5 de março de 2010

Figueira

   
     Apesar da resolução ruim, ocasionada pela câmera do meu antigo celular, essa é uma das minhas fotos favoritas dos meus álbuns. Valor sentimental. Essa figueira fica nos fundos da casa da fazenda do meu avô. Fazenda Shalom. Cada vez que a vejo vem à tona incontáveis lembranças de momentos muito felizes da minha infância e até adolescência... Brincadeiras, bagunças, segredos, planos, animais, balanços, churrascos... Momentos compartilhados com pessoas especiais. Família.
     Hoje quase não vou para lá, a correria da cidade grande me deixou distante da figueira e dos cavalos. Saudade. Nos momentos de nostalgia, a fazenda é um dos primeiros lugares que me vem à mente... Como era bom correr por aqueles campos sem me preocupar com as coisas!
     Até que um dia, com 14 anos, tive que levar um livro da escola para ler na rede - porque depois do feriado iria ter prova! "Dom Casmurro" me marcou muito além de sua história de romance e suposta traição... A partir daí sempre tinha algo para ler quando ia para lá. Já não havia mais correria nos campos, já não encilhava mais meu cavalo e ia ver as vacas e ovelhas pastando. Já estava "muito grande" pra "essas coisas".
     Era tempo de crescer, processo lento tem durado mais de quatro anos. Agora, que ele tem chegado ao fim, lembro com saudade de tudo isso e me imagino Peter Pan. Apenas um devaneio que ainda possa ser a menina que sobe em árvore e toma banho de lagoa. A realidade séria, responsável e comprometida deixa o devaneio se perder no sonho. Acordo e sou adulta.

3 de março de 2010

Aula de ballet


Música clássica, alongamento, barras, espelhos,
Relevé, relevé, relevé.
Respiração ritmada, coração acelerado,
Battement, rond de jambe, grand pliés.
Dor nos músculos, pesos, elásticos,
Développé, changements, cambré.
Meia-calça, grampos, sapatilhas,
Pirouette en dehor, grand jetés.

1 de março de 2010

Oi

Palavra única, de duas letras, com entonações e significados variados.

"Estava com saudades."
"O que você está fazendo aqui?"
"Vá embora..."
"Nem sei por onde começar."
"Não quero conversar."
"Não estou legal hoje."
"Quem é você?"
"Você está bem?"
"Precisamos conversar!"
"Eu te amo."
"Tchau!"
Enfim... Pense em quantos exemplos puder.

O que pode haver por trás de um simples "oi"?

28 de fevereiro de 2010

Medo do novo


Falei, falei e no fim fiquei com medo.

É difícil sair do conforto, é incômodo ser observada. Não gosto que formem ideias falsas sobre mim, por isso, tento não dar motivo a nada. Porém chega uma hora que é preciso se expor, é preciso dar a cara à tapa. E aí vem o medo. Medo de não ser compreendida, medo de fazer algo errado ou precipitado.
Como saber o tempo certo das coisas? Como entender que às vezes vou errar? Como perdoar meus erros antigos? Como não temer o novo, o desconhecido?

Deus.
Em quem minha certeza e confiança devem estar.
Ele me toma pela mão e me guia, pois os Seus olhos veem mais além.

25 de fevereiro de 2010

Aos olhos de Deus

Aos olhos de Deus, a semente é uma floresta e a pedra bruta, um diamante. Foi isso que aprendi por esses dias, foi isso que Gideão, Davi, Moisés e tantos outros aprenderam com suas experiências com Deus.

Gideão era da família mais pobre da tribo de Manassés, ele vivia em Israel em um tempo de opressão por parte do povo midianita. Um dia, durante seu período de trabalho, um anjo apareceu chamando-o de valente e dizendo que Deus iria usá-lo para salvar seu povo das mãos dos midianitas. Justo ele! "Ai, Senhor meu" foi o que ele disse quando soube disso. Apesar das palavras do anjo, Gideão ainda não estava satisfeito, pediu três provas de que Deus realmente queria usá-lo. Ele mesmo não acreditava que seria capaz de tão grande função. Vencer os midianitas sendo o líder do exército?
Para piorar (ou melhorar?) tudo, Deus deixou o exército com apenas 300 homens. Muitos se dispuseram a lutar, mas Deus queria que fosse do seu jeito, queria o sobrenatural. A primeira peneira pela qual os homens passaram foi a do medo. Quem tivesse medo, teria que deixar o exército. Ainda me pergunto como Gideão não foi o primeiro a sair correndo. Talvez nesse ponto da história (depois de três sinais) ele já estivesse convencido que Deus iria agir mesmo. Então, Deus passou a peneira da vigilância ao testá-los na maneira de beber água (Deus ama detalhes e nunca se esquece deles). Assim ficaram 300 homens no exército. 300 homens que teriam que vencer uma multidão incontável como a areia da praia. Isso era o impossível. E o impossível é a matéria-prima para o milagre de Deus. É no impossível que Ele age.
Mas voltando à questão da pedra bruta... Deus provou a Gideão que Ele não o via com os olhos naturais, não o via pequeno e incapaz. Deus o via como um líder, como um homem valente, corajoso! Deus via além das possibilidades, além do que se pode ver.

Às vezes me sinto "a menor da casa de meu pai", a mais fraca, a mais incapaz... Então, Deus me dá uma promessa e diz: "vai nessa tua força". "Ai, Senhor meu", respondo como Gideão. As promessas, os sonhos de Deus parecem tão inatingíveis! O horizonte é tão distante. Então, Ele me dá os olhos da fé e me faz andar sobre as águas. O medo vai embora, já não há limites, eu acredito. Deus me sustenta e me fortalece e eu prossigo para o alvo. Corajosa.

24 de fevereiro de 2010

Contentamento descontente

Naquele dia não havia sol, o que ela detestava, e algumas companhias não eram as ideais. A verdade é que, para ela, tudo parecia uma ilusão profunda e perdida, mais um sonho da menina boba e sonhadora demais. Mesmo assim, não negava que alguma coisa havia acontecido naquela tarde.
Talvez o sorriso dele, ou seus olhos, ou algumas palavras... Sabe quando alguma coisa chama atenção e a gente nem sabe o que é? Era disso que ela tinha raiva. Mas não era uma raiva ruim, era uma raiva feliz. Será que isso existe? Ela sempre fora boa com as palavras e agora as perdia, esquecendo seus sentidos, fazendo-se de ridícula na frente de todos.
Talvez isso tudo fosse apenas um rascunho feito à mão de um futuro um romance de capa dura, pois nada parecia estar no seu devido lugar. Talvez, quando ela conseguisse entender o que se passava, essa história pudesse ter uma ordem cronológica dos acontecimentos.
Uns dias se passaram, eles não mais se viram, e lá estava aquela dorzinha. Uma dor diferente, que parecia fazer bem ao mesmo tempo que doia. Mais uns dias e algo parecia querer saltar de dentro dela quando o viu de novo! E pulsava, e gritava! Como ela controlaria tudo isso?
Que nome ela poderia dar a essa coisa estranha?
Enquanto não achava a palavra certa, tomou para si uma definição aproximada, criada por um poeta antigo, e que talvez mais se aproximasse dessa loucura: é apenas um "contentamento descontente".

23 de fevereiro de 2010

Olhares fugitivos


Teu olhar dura segundos
Quando encontra o meu, foge, desvia.
Medo ou vergonha?
Ou será o meu olhar que foge do teu?
E assim ficamos horas, brincando de olhares fugitivos.

22 de fevereiro de 2010

Super poderes

Por causa da minha heroína favorita, sempre quis ter o poder que ler pensamentos. Até pintei o cabelo de vermelho como o dela pra ver se conseguia! Imagina! Olhar pra pessoa e saber tudo o que ela está pensando no momento. Nunca seria enganada, passada pra trás, traída. Seria poderosa, bem como a Jean Grey.
No entanto, por esses tempos questionei essa convicção de anos. Não porque esse poder perdeu o valor pra mim - mais do que nunca gostaria de tê-lo -, mas porque tive vontade de fazer outra coisa que humanamente não posso: tirar fotos quando bem entendesse sem depender de uma máquina (ou de pilhas!).
Às vezes acontecem momentos inesquecíveis e bem na hora a pilha falha (esqueci de carregar!), ou estou na rua, sem a máquina na bolsa, e vejo algo digno de ser eternizado. Por isso, tenho outro super poder na lista agora: tirar fotos com os olhos. Depois, de alguma maneira, passaria tudo pro computador... Sei lá!
Claro que deste modo eu não sairia em nenhuma foto, mas isso nem sempre é necessário. Eu ficaria feliz em saber que seria eu que teria tirado aquela foto linda daquelas pessoas ou que eu havia chegado no momento exato de bater aquela foto impressionante! Isso seria perfeito. Afinal não é assim que vivem os fotógrafos profissionais?
Não descarto o primeiro super poder. Ler mentes ainda é a minha meta! Mas quando vejo uma paisagem linda sem estar com a minha máquina, o que mais quero são fotos.

21 de fevereiro de 2010

Dia nublado

Débora amava dias de sol. Sempre foram seus favoritos. Sabe aqueles dias ensolarados de primavera com uma brisa leve carregando o perfume das flores que desabrocham? Essa era a ideia de um dia perfeito. Até aquela segunda-feira - a propósito, o dia da semana que mais odiava.
Apesar de ser verão, o dia estava nublado, totalmente cinza, e isso a deixou brava. Justo no verão! Justo quando estava com seus amigos! Lá estava ela reclamando de novo para seu guia e melhor amigo. Por que ela tinha que enfrentar dias assim no verão?
- Tudo coopera para o bem dos que me amam, Débora - foi obviamente sua resposta.
"Mas que frase!!", pensou Débora. "Sempre quando tudo está errado ele solta essa. Às vezes parece brincadeira...". Mas no fundo ela sabia que essa é uma verdade universal e absoluta.
Ela continuou seu caminho, conversando com uma amiga. Quantos amigos havia feito nessa jornada! E melhor do que isso, quantas amizades permaneceram apesar do tempo, do cansaço, das crises...
Ela estava feliz assim. No entanto, lembrava-se de suas últimas conversas com seu Amigo, sobre caminhos que se encontravam, sobre novos sonhos. Estava confiante que aquilo tudo iria acontecer, mas a verdade é que parecia algo muito distante.
Naquela segunda-feira nublada, Débora observou um novo caminho que se aproximava do seu. Não que se cruzassem, estavam próximos apenas. Percebeu que seu Amigo também era o guia dali. Ficou curiosa. Ela bem que poderia encontrar por ali novos amigos, novas flores, até novas cores de lírios - não que os lírios laranjas fossem feios, mas ela sonhava com lírios brancos. Então, olhou para o céu e viu como as nuvens estavam ainda mais escuras. Correu com sua amiga para abrigarem-se sob umas pedras que formavam um tipo de caverna. A chuva forte castigou a terra por um bom tempo. Enquanto estava lá, Débora ficou cuidando se havia alguma movimentação na sua nova descoberta. Curiosa, saiu na chuva e ainda tentou ver mais de perto. Teve medo, podia estar de arriscando muito. Lembrou-se do conselho das pombas, no início de sua jornada, "simples como a pomba, prudente como a serpente". Ficou no limite de seu caminho apenas, procurando alguma coisa nova que fizesse seu coração pulsar mais rápido. A empolgação das novas descobertas sempre a deixam assim.
A chuva aquietou-se, ela também. Por um instante, imaginou-se colhendo lírios brancos no caminho próximo. Coisa de sonhadores... Logo chegou sua amiga, dando risadas.
- Você ficou toda encharcada, Débora! O que queria tanto ver aí?
- Nada, apenas pensei ter visto lírios brancos ali do lado.
- Ora, você e esses lírios brancos! Acalme-se e logo vai achá-los.
Naquela noite, Débora sonhou com suas flores prediletas, plantadas no cruzamento de dois caminhos.

As pedras e o mar


Eu quis fugir do vento, da chuva, do tempo, de mim. Escondi-me atrás de umas pedras frias, sozinha. Olhei para os lados e certifiquei-me de que ninguém iria me ouvir. Não havia mais ninguém, praia deserta, tudo que eu queria. O silêncio profundo me permitia ouvir as batidas aceleradas em meu peito. Fortes, compassadas, uma melodia nova e misteriosa. Contei às pedras meu segredo. Meu coração se acalmou. Alívio.
O mar estava quente e transparente, mas inquieto. Um reflexo meu. Mergulhei no mar, mergulhei em mim. Perdi-me nas ondas, nadei nas lembranças que iam e vinham com a mesma força da correnteza.
Voltei para as pedras, cada vez mais geladas. Encontrei uma pedra pequena pelo chão. Escrevi na areia, fiz rabiscos sem forma. O mar apagou tudo. Agora ele também sabe.
Pedras mudas. Mar inquieto. Meus guardadores de segredo em uma tarde nublada.

15 de janeiro de 2010

Remédios não curam isso

Solidão. Me sinto só. Sei que alguns ainda me ligam, alguns ainda pensam em mim. Eles tentam conversar, tentam me entender, mas minha resposta é o silêncio. Silêncio que mascara minha dor, minha vergonha. Silêncio que aquieta o choro e o grito, vontade real da minha alma.
Espelhos quebrados. Cacos de vidro pelo chão do quarto. Quebrei-os ao ver os olhos fundos e desesperados na minha frente. Quebrei ao sentir-me marcada, manchada, suja. Espelho quebrado, alma quebrada. Quem há de restaurar esse vaso de barro feito em pedaços?
Palavras. Palavras que falei, que pensei, que deixei morrerem no canto da boca. Palavras que vem ao meu encontro. Acusação. Tentação. Abraço. Palavras de todos os tipos, vindas da boca e do coração daqueles com quem ainda ouso falar. Palavras escritas na minha pele, dizendo quem eu sou, ou quem acham que sou. Reputação ou caráter?
Noite. De noite é pior. Daí ninguém liga, ninguém fala. O silêncio permite que algumas lágrimas escapem, cortantes. Os olhos lutam querendo repousar, mas minha mente não os deixa, funciona, maquina, roda quilômetros de ilusões.
Antes. O antes era belo, era florido, eram nuvens feitas de sonhos. É o passado desencaixado com o presente. Era a princesa. Era a certeza. Era o sorriso. Hoje, a mendiga, a dúvida e o silêncio. Com uma lágrima cortante na madrugada.
Grito. "Socorro!" é meu grito silencioso. Afundo num mar próprio, afogo-me em mim.Estou morrendo por uma nova vida, por uma razão, por um sonho. Quero ser bela de novo, princesa. Quero novos espelhos. Lágrimas de alegria. Palavras de amor verdadeiro. Estrelas no céu à noite.