27 de junho de 2010

Completa






Tentei preencher o espaço vazio.
Música, dança, poema, palavra, flor, livro e estrela.
Efemeridades ou enganos. Machucou, virou cicatriz.
Então ouvi a doce voz... "Hoje, meu amor te basta".
Parei. Completa, sonhadora e em paz.
Não há vazios fora de hora.

23 de junho de 2010

Brasileira

Eu não gostava do Brasil. Parece que a gente nunca está satisfeito com o que tem e sempre acha que o dos outros é melhor. Eu me lembro de ver os "trailers" sobre os parques da Disney antes de começar o filme (na VHS) e achar que os EUA eram o melhor país do mundo - porque lá tinha castelo de princesa. Depois, com as aulas de História e Geografia do colégio, vi que tinha muita coisa com o nosso país. Que a nossa Independência tinha sido um fiasco. Que as elites sempre dominavam tudo, tirando o espaço das classes populares. Que a abolição da escravatura havia sido duvidosa. Que havia acontecido uma ditadura opressora. Que muitos políticos são corruptos. Que há fome, educação ruim, atendimento de saúde ruim... E todas essas coisas que a gente cansa de ouvir. Eu já tinha entendido que os EUA não eram apenas parques da Disney, mas achava os países europeus o máximo. França, Inglaterra... Países com história, guerras, heróis, monumentos, arte...

Então acontecia alguma Copa. Em 94 eu tinha quase três anos. Não me lembro muito bem dessa, mas tenho todos os jogos em VHS aqui em casa, meu pai gravou. Em 98, com quase 7, decorei toda a casa, fazíamos festa pra ver as partidas... E foi A decepção na final. Em 2002, eu e minhas amigas fizemos torcida coruja organizada. Acordávamos de madrugada para ver os jogos, íamos super produzidas pra escola. Em 2006 não fiquei tão ligada... Apesar de ser o ano em que comecei a realmente me interessar por futebol, não gostei daquela seleção e pouco me lembro dos jogos, apesar de ter visto todos. Não entendo porque em época de Copa as pessoas se tornam "ufanistas"... Talvez pensem que a única coisa boa no Brasil seja o futebol, que é a única coisa em que podemos ser bons. Nas Olimpíadas já não é bem assim...

No período entre 2006 e 2010, mudei um pouco a minha visão sobre o meu país. Entendi que todos os países têm problemas... Na Suécia o IDH é muito bom, mas o número de suicídios é muito grande, pois as pessoas não tem muito objetivo de vida, falta uma esperança, um sonho, sei lá... O que não acontece por aqui, pelo menos não tanto. Aprendi a ver o lado bom do Brasil, não sendo alienada, mas compreendendo as limitações. Aprendi a ver o povo brasileiro com outros olhos. Aprendi a ver a alegria, a esperança a determinação. Aprendi a amar o Brasil e torcer por ele não só em época de Copa do Mundo. Ainda quero viajar muito, quero conhecer vários países, mas nunca vou renegar minha nação.

Agora em 2010, com quase 19, apaixonada por futebol e pelo Brasil, não posso deixar de comentar no espaço mais meu desse mundo virtual que estou torcendo loucamente pelo "Seleção Canarinho". Posso não concordar com o Dunga em algumas coisas, posso não concordar com a grande imprensa em muitas coisas, mas não deixo de torcer, de gritar, de pintar o rosto... Eu sou brasileira e sou feliz por ser assim.

VAI, BRASIL!

20 de junho de 2010

Cicatriz

"When You heal, it always leaves a scar" (Beggar's Heart, Bethany Dillon)



Lá estava o copo trincado, mas eu não vi. Achei que fosse só um dia normal, com uma louça normal pra lavar... Mas no meio daquela louça tinha um copo trincado. Só percebi isso quando minha mão já estava cheia de sangue. O vidro rasgou um "v" na minha pele, como se fosse a sua assinatura. "V" de vidro, de vaga-lume, de valioso, de vaidade, de verdade, de veludo, de vergonha, de... Confesso que pouco me lembro de como tudo aconteceu. Foi de repente. Lembro que sentir dor, lavei a mão e sentei no chão, chorando, sem forças. Sangue escorria da pele; lágrimas, dos olhos. Meu pai me pegou pelo braço e me levantou. Me levou para o banheiro e cuidou do ferimento. "Vai ter que levar pontos", ele me disse. Não, não, não! Eu nunca tinha levado pontos, nunca havia tido um corte tão grande. Iria doer, eu tinha certeza. "Mas assim cicatriza mais rápido".
Lá fomos nós para o hospital... Em pouco tempo já estava costurada. Quatro pontos na mão - e o braço doendo por causa da vacina antitetânica. Que coisa mais feia eram aqueles pontos. Mais do que proteger o ferimento, o curativo protegia as pessoas daquela imagem horrível. Nos primeiros dias, eu ainda conseguia ter a sensação do vidro rasgando a minha pele. Fiquei incapaz de fazer certas coisas por algum tempo. Tive que ficar mais quieta. Aos poucos, pude voltar a usar a mão esquerda, voltar a escrever, voltar a dançar, mas sempre tendo cuidado com os pontos e com o curativo. Qualquer esforço a mais fazia o machucado doer. Qualquer batida leve me fazia tremer.
Quanto tempo leva para a pele cicatrizar? Depois de quase três semanas, tirei os pontos. A pele ainda está vermelha; o local, inchado. Ainda dói quando faço esforço. A sensibilidade ali é muito maior. Voltei a lavar a louça, mas com cuidado dobrado. Para beber, prefiro usar copo de plástico, por enquanto, me parece mai seguro.
Não vejo a hora que isso cicatrize de uma vez! A cicatriz não dói, apenas está lá como parte de uma história, como testemunha de um crescimento. A cicatriz é só lembrança, só memória de uma dor distante. A cicatriz faz aprender a cuidar se o copo está trincado. A cicatriz nunca nos deixa esquecer da experiência de como a conseguimos. É uma marca eterna de algo que já passou, que nos deixa mais fortes e preparados para outras histórias. Estou cicatrizando aos poucos.

14 de junho de 2010

Dente-de-leão

Mês de junho é igual a provas e trabalhos finais na faculdade. Por isso, tudo o que escrevo tem a ver com o fazer jornalístico, as reflexões sobre cidadania e as teorias da comunicação... Enfim, neste mês vou postar apenas imagens, pelas quais me apaixono mais a cada dia.

Amo flores. Amo detalhes. Amo fotografia. Amo assoprar dente-de-leão no vento. Aqui está tudo isso junto...