27 de junho de 2011

Caminho azul

Débora parecia cansada de seguir sozinha. Recebera um sonho há certo tempo, mas ele parecia cada vez mais distante. Sonhara que estava na estação, esperando o trem que a levaria. Ouvia seu ruído, mas não podia vê-lo. Ela sabia que algo novo ia acontecer, mas a espera parecia nunca terminar.
Já havia conversado sobre isso várias vezes com seu Amigo. Ele permanecia lhe dizendo "espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor". Essa palavra ecoava no seu coração todos os dias. À noite, olhava as estrelas, marcas das promessas de Deus, e repetia baixinho "espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor."
Um dia, percebeu algo curioso. Havia um caminho perto do dela, cercado de flores azuis. O menino que caminhava por ali era quieto. Se chamava Rafael, já o havia visto algumas vezes, mas nunca se falaram muito. Às vezes ela o ouvia tocar. Era um bom músico. Com o passar dos dias, Débora foi ficando cada vez mais curiosa. Ouvia-o tocar, observava-o de longe, começou a sentir-se feliz em estar perto dele. Será possível? Seria essa a novidade? Preferiu esperar mais um pouco. Uma coisa que ela havia aprendido a ser era prudente, desde o início dessa jornada.

Certa vez, Débora foi colher flores e encontrou o menino misterioso. "Oi", disse tímida. "Oi", ele respondeu. A partir daí, conversavam com mais frequencia. Tornaram-se amigos, mas Débora não podia deixar de pensar que esse podia ser o seu sonho de anos, a sua promessa, o trem chegando na estação. Ela lhe mostrou suas histórias, descobriu que ele também escrevia. Ele lhe deu uma rara flor azul, que só existia à beira do seu caminho. Ela lhe deu um caderno vermelho. Ele escreveu nele versos com tinta azul. Ela lhe contou seus sonhos. Ele queria aprender a sonhar mais. Ela chorava às vezes. Ele era calmaria todo o tempo. Ela dançava. Ele tocava.
Os caminhos iam se aproximando, assim como Débora e Rafael. Seus olhos já se encontravam por acaso, e eles sorriam timidamente um para o outro. Eles já sabiam o que estava acontecendo. Mas não admitiam. Era até engraçado vê-los assim. Meias palavras, olhares rápidos, sorrisos escondidos e sonhos guardados, muitos sonhos!
Um dia ela falou do sol, que as noites eram períodos de espera e nada podia ser feito para apressá-las. Ele respondeu que o sol podia demorar, mas viria. Eles se entenderam... Não negaram mais pra ninguém que perguntava. Ele era o seu sol. Ela era sua estrela. E agora sim! O céu parecia mais azul, o ar era perfumado, as cores, mais intensas! As palavras eram todas doces, os pássaros pareciam cantar pra ela, até os dias nublados eram inspiração...
O caminho de Débora, com flores vermelhas, e o caminho de flores azuis de Rafael passaram a andar lado a lado. Eles avançavam aos poucos, com cuidado, com a prudência que haviam adquirido no início. Não era mais hora de sonharem sozinhos, aprenderiam a sonhar juntos, a sonhar com o caminho de flores roxas que viria ainda mais à frente...

Meu amanhecer

 
Como o ano tem suas estações, como o dia tem seus períodos, a vida tem seus tempos, conforme Eclesiastes 3. E eu fiquei me perguntando: é tempo de quê?
Descobri que em mim é o amanhecer. O sol nasceu a pouco bem ao leste, ainda há áreas um pouco escuras a serem descobertas. É tempo de despertar, de ver o que acontece ao redor, de perceber a beleza e as mazelas do mundo, de compreender porquês sem questionar muito como, de caminhar por fé.
É tempo de levantar da poltrona confortável, de andar em solos pedregosos, desertos escaldantes, de aceitar a aventura e o desconhecido, de se perder a fim de encontrar.
É tempo de amar, de descobrir o gosto por outras cores, de aprender sobre outro universo, de esperar.
Novo tempo, novas cores, o meu amanhecer.

13 de junho de 2011

Vida poesia

E é assim que a vida vira poesia.
Cada passo é uma palavra que se encaixa na outra, me botando a dançar, criando novas melodias nunca antes tocadas por essas bandas.
O sol é mais brilhante, o céu é mais azul. As flores são todas mais coloridas!
Meu olhar se perde no horizonte, sonhando acordada, repassando cada palavra, cada passo da poesia... Ou até criando novas combinações.
O pôr-do-sol geralmente me dá boas ideias.
Gosto de frases curtas, gosto de reticências, gosto de metáforas. Às vezes quero usar tudo junto, tipo agora...
Agora, quando parece que vou explodir de alegria, quando tudo parece cor-de-rosa (ou roxo!), quando tudo fica mais concreto.
É assim. Pra mim, poesia é coisa bonita, poesia é alegria, poesia é amor.
Vida poesia

1 de junho de 2011