5 de fevereiro de 2016

Sobre redemoinhos

Você acha que controlou. Agora está tudo bem. Você ri, conversa, ouve, vive, até que BAM! Algo te acerta. E ecoa.
Parece ser pequeno. Você pensa "não é nada de mais" e tenta continuar vivendo, continuar controlando. O redemoinho não pode começar.
Num momento, você pensa de novo. "Para", vai dar problema. O redemoinho começa a se formar lá dentro. "E se..." é a mais frequente. "Para", você pode controlar. "Para, respira".
Você se distrai com coisas, com pessoas. Você está controlando aqui fora. Você está fugindo lá dentro.
Então chega aquela hora. A pior hora. Escuro, silêncio, travesseiro, insônia. BAM! BAM! BAM! BAM! Marteladas por todos os lados. Redemoinho.
E se for. E se não for. Mas porquê. O que eu faço. Vou fugir. Vou sumir. Não aguento. Para, respira. Não adianta. Não vai dar. Para, por favor. Tempestade. Ondas. Ventos. Escuro. Sozinha. Sozinha. Sempre sozinha. Ninguém se importa. Ninguém me escuta. Para, respira. Lágrimas. Porquê. O que eu fiz. Estúpida. Fiz tudo errado. Sempre errado. Sempre sozinha. Vou embora. Para, respira. Dor. Sozinha. Escuro. Porquê.
Uma hora o sono vence.
De manhã, a tempestade acalma. O redemoinho some. Olhos inchados. Braços machuados. "Hoje vou controlar. É só parar e respirar".


Foto: Katie Crawford