15 de dezembro de 2016

Depois dos redemoinhos

My anxious heart - Katie Crawford
Depois dos redemoinhos passarem a noite comigo, fazendo toda a bagunça de sempre, destelhando casas e arrancando árvores, fica o silêncio.
Depois que eles somem, se escondendo em algum canto que não consigo alcançar, fica a calma. Mas não uma calma boa, não aquela calmaria do mar após tempestade, com pássaros voando. Não uma calmaria de paz.
Fica a calmaria do deserto, a calmaria sufocante. A calmaria que te queima de dia e te congela à noite. A calmaria que não te oferece nenhum copo d'água. A apatia, a incapacidade de grandes movimentos, ou de muitos pensamentos. Só quero sobreviver ao sol e ao frio, chegar do outro lado e tomar um copo d'água.
Amanhã vai ser melhor, me diz a miragem. Amanhã não vai mais ser deserto.
Por quê você não foge? Por quê foi para o deserto? Você escolheu ir para esse lugar. Não escolhi. Os redemoinhos me trouxeram no pequeno período que fechei os olhos. Acordei aqui.
Só quero sobreviver mais um dia. Calor, frio, sede. Amanhã talvez eu encontre água.