
Ao redor do espaço com as mesas, havia vasos de flores muito bonitos, perfeitos (até demais). Sentei-me ao lado de um deles e então percebi. Eram flores de plástico, mas ninguém, além de mim, parecia reparar. No mesmo instante, lembrei-me do que ouvi recentemente sobre um jardim de plástico. De longe, é bonito como o natural, mas não há vida em seu interior. Ele não precisa passar pelas estações: não sofre no inverno e não desabrocha na primavera.
Perguntei-me porque o dono do estabelecimento escolhera flores artificiais para decorar sua famosa lancheria. Talvez seja pelo fato de não precisar cuidar. Ele as colocou ali e nunca mais se preocupou. É uma pena. As flores são tão belas e têm tão doce aroma! Quem dera fossem valorizadas ao invés de serem subtituídas por representantes de artificiais.
Estamos muito apressados para cuidarmos das flores com vida, elas podem dar trabalho. Estamos muito apressados para repararmos que as flores ao nosso redor são de plástico.
De longe, todas são iguais.
Vemos tudo de longe, mas a vida está nos detalhes.

