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15 de janeiro de 2015

Retorno

Esses dias ouvi uma frase de uma amiga: sempre temos que retornar.

Talvez se você errou, deva retornar e concertar as coisas. Talvez tenha entrado na rua errada e vai ter que fazer o caminho de volta, para tentar de novo.

Às vezes abrimos os olhos e nem sabemos como fomos parar ali. Parece que uma corrente de ar nos levou flutuando enquanto dormíamos. Quantas coisas se passaram desde a última vez que estava acordada?

Pois bem, fazendo parte desse retorno o Something está de volta.

Talvez menos cor-de-rosa, com menos castelos e fadas. Mais dúvidas e inquietações do que certezas.
As histórias antigas são lindas memórias, mas é hora de escrever algo novo.

6 de setembro de 2011

Beatriz

Ela era feita de sonhos e poesia, contava flores, cultivava histórias. "Bem-me-quer, mal-me-quer", recitava baixinho sorrindo, sem prensar se a frase tinha um sujeito ou não. Era morena, morena-rosa, como dizia a mãe. Os olhos escuros, como os do pai, eram grandes, curiosos e observadores. Ainda não era adulta, tampouco era criança. As tias a chamavam "moça", as professoras, "adolescente".
Gostava dos doces da mãe, das músicas do pai, das histórias do avô. Gostava de caminhar sozinha, olhando para o chão. Gostava de sentar em um banco qualquer da praça da pequena cidade, sentindo o sol queimar-lhe o rosto. Gostava do vento, que não se sabe de onde vem nem para onde vai, que não tem raízes. Gostava das palavras, mais das escritas do que das faladas – carregava sempre um caderno e uma caneta para não deixar as ideias escaparem. Gostava dos presentes que a tia mandava da capital.
Ainda tinha fortes lembranças das lágrimas ardendo no rosto e dos soluços silenciados para não deixar a mãe ainda mais triste. Mais de um ano havia se passado e a saudade da irmã doía mais na hora de dormir. O espaço vazio no quarto, o silêncio no lugar das conversas curtas e sonolentas. Ela descobriu então que a vida não passa de um sopro, e seus olhos perderam um pouco do brilho da infância.
Os livros que tinha eram lidos até a página cento e poucos, anotava receitas e nunca as fazia, escrevia cartas e jamais as enviava. Talvez a falta de coragem a fizesse viver um pouco pela metade. Talvez a vida fosse mais sonhada do que vivida.
*Texto para a Oficina de Produção Textual - Tema: Apresentação

11 de maio de 2011

Entrelinhas

Quase sempre há mais informações nas entrelinhas do que no texto em si. Às vezes parece que os segredos estão na beira do precipício, quase pulando das bordas das letras. Às vezes, eles ficam calados no silêncio e na espera, transformados em reticências, que talvez não signifiquem o "nada", mas o "tudo", contido e bem guardado.

Todo esse exercício de semântica e caça-palavras é interessante, apesar de certas vezes eu querer chutar o balde. Escrevo tudo que gostaria de falar claramente, letra por letra. "Bruna Konrath está digitando...". Releio, não mando e apago. Mando só as reticências...

É bom decifrar os mistérios das entrelinhas, sem pular etapas.

7 de janeiro de 2011

Textos idiotas

Me perdoem. Tenho escrito textos idiotas.
É sério. Não adianta tentar me animar...

O que acontece é que me deparo com essa tela em branco - mente em branco. Começo a digitar as maiores besteiras que consigo pensar, apenas para preenchê-la de letras. Geralmente, com palavras nas mãos me sinto livre... Agora elas me escapam.

Parece que falta algo no enredo.

Claro que tudo pode dar num texto! Não é esse o ponto, entenda. É possível encontrar frases nas situações e paisagens mais diversas. Mas parece que já falei demais de tudo isso. Esgotei. E tudo acaba indo pro mesmo lugar...

Falta um coração ritmado.
Falta um solo de guitarra.
Falta a falta de ar.

Falta outro pedaço de vida que ainda não encontrei.

28 de abril de 2010

Autor da vida

Antes eu escrevia as páginas do livro sozinha. A história era tão confusa! Cheia de riscos, marcas... Até furado o papel ficava! Eram frases soltas, sem nexo que iam a lugar nenhum.
Então eu te encontrei. Tu, meu amigo, que restauraste as páginas manchadas e furadas, fazendo delas cicatrizes e testemunhas do que antes havia sido o livro. Também me mostraste páginas novas, em branco, e me disseste "vamos escrever juntos?".
A partir daí tu pegaste na minha mão e foste me contando o novo enredo misterioso dessa história. Enchemos as primeiras novas páginas de passos e promessas. Então comecei a perceber que, mesmo fazendo parte da história, não sou mais eu quem guia o caminho. Agora sou conduzida por ti nessa dança e posso dançá-la de olhos fechados. A letra continua sendo minha, mas as descobertas e aventuras são todas ideias tuas. E como é difícil e maravilhoso ao mesmo tempo! É difícil não planejar, é difícil esperar, é difícil enfrentar o desconhecido. É maravilhoso saber que tu me amas e tudo fazes para o meu bem pela tua boa, perfeita e agradável vontade. É maravilhoso saber que, depois desse suspiro efêmero de vida, há ainda uma eternidade a ser dançada, à qual tu me deste acesso. Por isso eu descanso e confio em ti, Autor da minha vida.

24 de junho de 2009

Uma família, um país, pessoas**

Eu estava sozinha sentada em um banco com o livro aberto em meu colo quando dei-me conta do que havia acabado de ler. Voltei algumas linhas e rê-li: “Estar sozinha é uma idéia desconhecida para Leila. Ela nunca, em nenhum lugar, esteve sozinha. Nunca ficou sozinha no apartamento, nunca foi sozinha a lugar algum, nunca foi deixada sozinha em lugar algum, nunca dormiu sozinha. Todas as noites dorme no tapete ao lado da mãe. Leila não sabe o que é estar só e nem sente falta disso”. Percebi o quão distante era a minha realidade da dessa moça afegã apenas um ano mais velha do que eu.
Os maiores choques de realidade ocorrem quando algo básico para um não é normal para outro, como ficar só em alguns momentos, por exemplo. No livro O livreiro de Cabul, de Asne Seierstad, esses choques ocorrem a todo instante. A cada página virada, descobrem-se extremas diferenças entre a nossa sociedade e a afegã. A educação, a submissão feminina e sua posição na sociedade, os rituais religiosos, os relacionamentos, o casamento, a liberdade de expressão e até mesmo os hábitos de higiene no Afeganistão impressionam o leitor ocidental. Durante a leitura, confesso que algumas vezes fiquei com raiva diante das injustiças cometidas com mulheres e jovens – baseadas em meus conceitos de justiça, claro.
O livro, lançado em 2006 no Brasil pela editora Record, foi escrito com base nos três meses em que a escritora e também jornalista norueguesa viveu na casa de uma família afegã, na primavera de 2002. Ao cobrir a guerra contra o Talibã no Afeganistão logo após o 11 de setembro, Seierstad conheceu Sultan Khan (nome fictício), dono de várias livrarias em Cabul. Por interessar-se pela história e modo de vida da família Khan, a jornalista foi recebida em sua casa a fim de escrever um livro. Por ser ocidental, a autora diz que era considerada um “ser bissexuado” que podia conviver e conversar com mulheres e homens, ou seja, sem a comum distância e separação mantida na cultura afegã. Lá ela vivenciou e descobriu várias situações que são descritas no livro com um misto de narrativa lírica e reportagem e que revelam a realidade de uma cultura que existe paralelamente à guerra, de uma face do país muitas vezes não mostrada aos ocidentais.
Sultan Khan é um homem culto, bem informado, que gosta da poesia e da história do Afeganistão. Passou por tortura e muitos de seus livros foram queimados na invasão soviética e no período do Talibã. Khan mantém diante da sua família a posição de superioridade conferida ao primogênito e ao marido, obrigando os filhos a trabalharem nas livrarias e não os deixando estudar, tratando a irmã mais nova como empregada, dando mais privilégios à segunda esposa, negociando o casamento das irmãs. Todas essas histórias são contadas como crônicas da vida afegã sob o olhar ocidental da autora norueguesa. Em nem todos os relatos Khan é o centro dos acontecimentos, pelo contrário, o destaque do livro são as mulheres. Mesmo assim, o título do livro nos remete ao livreiro, e assim é a família Khan. Mesmo com as duas esposas, os cinco filhos, a mãe, as irmãs e o irmão que moram no apartamento de quatro quartos de Sultan, ele permanece como a autoridade, o nome sobre todos na família. Sua palavra é lei.
De um modo mais amplo, Asne Seierstad retrata algo além das particularidades de uma família, ela retrata o Afeganistão, país afetado por constantes guerras, desde a saída dos britânicos e da invasão soviética até a interversão americana contra o Talibã e as conseqüentes lutas internas pela afirmação de um governo. É fundamentado no islamismo e, mesmo não estando mais sob o controle Talibã, mantém alguns costumes impostos pelos antigos governantes, como o uso da burca – traje também adotado pela autora para fazer-se “invisível” em Cabul.
Apesar de algumas dúvidas quanto à veracidade dos fatos relatados – alguns críticos supõem a invenção das histórias ou, pelo menos, de parte delas –, O livreiro de Cabul acrescenta aos ocidentais uma nova visão sobre a sociedade afegã, pois mostra que, além das guerras, das proibições, dos rituais islâmicos e dos casamentos arranjados, há uma senhora obesa que esconde tâmaras sob o tapete e as come escondida, há um jovem que odeia ser afegão, fuma e pensa muito em garotas, há uma adolescente assustada que vai casar-se com um homem de cinqüenta anos, há uma professora de biologia que viveu um grande amor e que foi proibida de trabalhar pelo governo. Atrás da cultura, há pessoas que, assim como todas as outras, sejam orientais ou ocidentais, sentem, pensam, sonham e vivem da sua maneira, ou da maneira que foram ensinadas a viver.





** Eu realmente não espero que alguém leia isso além do meu professor. Fiz para a cadeira de Ética em Comunicação e queria colocar em algum lugar...

28 de abril de 2009

Duas músicas

Não sei tocar instrumento. Até arrisco cantar - um pouco. Ouço música o tempo todo e sempre estou com alguma na cabeça. Não conheço a música, mas acho que ela me conhece. Pode ser rock, jazz, reagge, clássica...
Enfim, melodia que toca... me toca, me dá passos, me faz dançar.

Durante a tarde, o pássaro canta, a chuva bate na janela, a criança grita na pracinha, o elevador chega no andar, a página é virada, alguém digita no computador, a moto passa...
Música do cotidiano que passa despercebida.
Grita, suspira, chora, clama, ri.
Melodia da vida.


*Clube da Escrita. Tema: Música

17 de abril de 2009

Eu escrevo


Sabe quando você sonha que está voando?
Do alto, você vê tudo mais claro, mais amplo. Você vê além, vê onde o mar e o céu se encontram – horizonte. Contempla as belezas e as tristezas da terra. Lá em cima, há mais liberdade para pensar, opinar, fantasiar, imaginar…
Escrever é como ganhar asas. Observar tudo ao redor e transformar em palavra, poesia, texto. Nuvens, estrelas, lágrima, sorriso, lápis, guarda-sol, pássaros. Tudo é uma nova razão de voo.
Quem disse que o homem não voa?
Eu escrevo.
“Quando na garganta a voz morre é a letra quem me traz à vida. Não cresci orquídea rara, sou irmã das margaridas.” Cecília Cassal
“Por que escrevo?” : 1º tema do Clube da Escrita da FABICO s2

15 de agosto de 2008

Como estou

1. Sem vontade de escrever textos longos, como antes. Estou amando coisas simples.
2. Sem tempo, como sempre
3. Em uma ligeira crise de identidade

Simulado 2008/2 - Universitário
Literatura: 15
Física: 17

4. Estudando (não precisaria dizer...)
5. Crescendo... (talvez em uma fase "outono-inverno"*)


*criado pela Naninha

+**+**+**+**+**+**+**+**+**+**+**+**+**+**+**+

O ozônio é uma variedade alotrópica do oxigênio. Ele possui alto poder oxidante e é utilizado no tratamento de água potável.

Ok. Não me deixem pirar!


"Só sei que nada sei."
Sócrates

11 de abril de 2008

Frase

Aquela frase saltou na folha do caderno do Biologia como se desse um grand jeté de dentro de mim. A escrevi muito rápido para não perdê-la , deixando as briófitas um pouco de lado. Comecei, então a procurar palavras, cores, músicas, estrelas que a pudessem completar. Mas tudo se apagou de repente. Como se alguém tivesse deletado as palavras da minha mente. Deletado as idéias, os pensamentos.
A frase ficou ali sozinha me olhando, questionando a minha capacidade de escrever, imaginando porque havia caído justamente nas minhas mãos... Era o seu fim. Sem idéias, sem texto. Ela seria mais um papel amassado.
Tentei enfeitá-la com palavras difíceis. Tentei separá-la, criando um possível hai-kai. Tentei rimá-la com outras palavras. Nada. Apenas nuvens na mente da autora.
Deixei estar. Guardei a folha.
Quem sabe o sol aparece qualquer dia desses?

22 de janeiro de 2008

Inspiração repentina e "O Tempo"

Última prova do primeiro dia da semana de provas do colégio. Dia 27 de novembro de 2006, meio dia.

- É barbada! - alguns diziam em meio a gritaria dos alunos da turma 412. Outros, porém, se esforçavam um pouco mais, estudando sobre a vida de Aleijadinho. Sim, a prova era de Artes. Pouquíssimos alunos gostavam da coitada da Nilda... Coitada mesmo! Até casca de fruta já tinham jogado nela. Esta seria a última prova do ano (e das nossas vidas) com ela.
Primeira questão: Faça um texto sobre a importância de se preservar obras de arte, edifícios históricos e monumentos, considerando o valor...
- Tá, fácil essa - pensei. Depois de uma boa enrolada básica, dizendo que as obras de arte eram muito importantes para a cultura e a história brasileira, etc, etc, fui para a próxima questão.
E aí estava a surpresa! Havia a imagem de uma pintura de Salvador Dalí - sobre quem nunca havíamos estudado... O enunciado era simples e claro: Observe a imagem e crie uma poesia para a obra de Salvador Dalí, de quatro versos, três estrofes e com rima.
- Bah! O que que isso tem a ver com Artes?! - pensei, e pus-me a observar a tal imagem.

E de onde vem a inspiração numa hora dessas? No meio da prova. Baseando-se nesse quadro esquisito! E agora? Faltando 5 minutos para o
final da prova... PLIM! O texto jorrou para o papel... E saiu isto:

O tempo

O tempo passa, o tempo morre

Não se sabe para onde ele vai

Ele escorre, ele corre

.

Em um segundo estão na nossa mão

Então flui

Como um rio sem direção

.

Corre, corre; ele nunca vai parar

Não importa onde estejamos

Sua trajetória nunca irá cessar

.

Certas coisas não passam

Como a pedra e a história

Simplesmente ficam guardadas na memória

18 de outubro de 2007

África... Até quando serás assim?

África, não chores mais.
Não chores pelo passado.
Não chores pelo presente.
Mas creia que há um futuro.
Não chores mais.

Onde estão, África,
Aqueles que outrora te humilhavam,
Matavam teus reis,
Exploravam teus filhos,
Separavam teu povo,
Buscavam teu mal?
Onde estão eles agora?
Nada fizeste para que te julguem inferior
Nada fizeste...
Mesmo assim, teus filhos ainda passam fome,
Teu povo ainda é doente
Vive de migalhas, de restos,
Da sobra dos poderosos.
Malditos são os que celebram a tua dor,
Os que não se importam com as tuas feridas,
Os que não escutam o choro dos teus filhos,
Os que, tendo abundância e fartura,
Não se movem de compaixão.

África, não chores mais.
Não chores pelo passado.
Não chores pelo presente.
Mas creia que há um futuro.
Não chores mais.

Mas e tu, África?
Até quando serás assim?
Até quando buscarás nas guerras
As respostas para teus males?
Até quando tua terra será rubra de sangue,
Manchada por conflitos entre irmãos?
Não deixes que isso aconteça, África!
Não faças a vontade destes ditadores
Governantes corruptos, egoístas,
Que não pensam no bem dos teus filhos.
Não os deixe fazer o que querem!

África, não chores mais.
Não chores pelo passado.
Não chores pelo presente.
Mas creia que há um futuro.
Não chores mais.

Busca em ti, África, e em Deus,
A força para levantar, para lutar.
Lembra-te dos teus pequeninos.
Cuide deles, cuide do teu futuro.
Esqueça o que para trás fica,
E prossiga para o alvo.
Prossiga para a paz, a alegria, o amor.
África, creia há um futuro.


......

Só o texto que eu fiz pra um trabalho da escola...

Até mais!!

3 de setembro de 2007

Criança de 4 anos aprendendo a escrever


matheusbrunasilvanaalvaroarthurkauaangeladelmardvd


"Ei, Mu, mas no dvd o D fica no meio!"

"Não, no dvd o V fica no meio."

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAiiiiiii! Então eu não vô esquevê mais!"

"Tá."

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAh!"

(acha um calendário)

"Um, dois, tlêis, quato, cinco, seis, sete, oito, nove, deiz..."


>> Não tem jeito, meu irmão vai ser engenheiro!


"Olha como que é. Dêxa eu te mostla. É vdv! Que nome estlanho!"