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2 de julho de 2010

Não deu

Futebol não é história.
Futebol não é salário.
Futebol não é nome.
Futebol é um jogo por vez. Onze contra onze.
Noventa minutos de passes, de chutes, de gols, de dança.
Noventa minutos de dor de estômago, rouquidão e nervosismo...
Churrasco, pizza, chocolate, Coca-cola.
Rádio e tv ligados.
E no fim, não deu.
É isso aí, Brasil.
Quem sabe em 2014...

23 de junho de 2010

Brasileira

Eu não gostava do Brasil. Parece que a gente nunca está satisfeito com o que tem e sempre acha que o dos outros é melhor. Eu me lembro de ver os "trailers" sobre os parques da Disney antes de começar o filme (na VHS) e achar que os EUA eram o melhor país do mundo - porque lá tinha castelo de princesa. Depois, com as aulas de História e Geografia do colégio, vi que tinha muita coisa com o nosso país. Que a nossa Independência tinha sido um fiasco. Que as elites sempre dominavam tudo, tirando o espaço das classes populares. Que a abolição da escravatura havia sido duvidosa. Que havia acontecido uma ditadura opressora. Que muitos políticos são corruptos. Que há fome, educação ruim, atendimento de saúde ruim... E todas essas coisas que a gente cansa de ouvir. Eu já tinha entendido que os EUA não eram apenas parques da Disney, mas achava os países europeus o máximo. França, Inglaterra... Países com história, guerras, heróis, monumentos, arte...

Então acontecia alguma Copa. Em 94 eu tinha quase três anos. Não me lembro muito bem dessa, mas tenho todos os jogos em VHS aqui em casa, meu pai gravou. Em 98, com quase 7, decorei toda a casa, fazíamos festa pra ver as partidas... E foi A decepção na final. Em 2002, eu e minhas amigas fizemos torcida coruja organizada. Acordávamos de madrugada para ver os jogos, íamos super produzidas pra escola. Em 2006 não fiquei tão ligada... Apesar de ser o ano em que comecei a realmente me interessar por futebol, não gostei daquela seleção e pouco me lembro dos jogos, apesar de ter visto todos. Não entendo porque em época de Copa as pessoas se tornam "ufanistas"... Talvez pensem que a única coisa boa no Brasil seja o futebol, que é a única coisa em que podemos ser bons. Nas Olimpíadas já não é bem assim...

No período entre 2006 e 2010, mudei um pouco a minha visão sobre o meu país. Entendi que todos os países têm problemas... Na Suécia o IDH é muito bom, mas o número de suicídios é muito grande, pois as pessoas não tem muito objetivo de vida, falta uma esperança, um sonho, sei lá... O que não acontece por aqui, pelo menos não tanto. Aprendi a ver o lado bom do Brasil, não sendo alienada, mas compreendendo as limitações. Aprendi a ver o povo brasileiro com outros olhos. Aprendi a ver a alegria, a esperança a determinação. Aprendi a amar o Brasil e torcer por ele não só em época de Copa do Mundo. Ainda quero viajar muito, quero conhecer vários países, mas nunca vou renegar minha nação.

Agora em 2010, com quase 19, apaixonada por futebol e pelo Brasil, não posso deixar de comentar no espaço mais meu desse mundo virtual que estou torcendo loucamente pelo "Seleção Canarinho". Posso não concordar com o Dunga em algumas coisas, posso não concordar com a grande imprensa em muitas coisas, mas não deixo de torcer, de gritar, de pintar o rosto... Eu sou brasileira e sou feliz por ser assim.

VAI, BRASIL!

6 de abril de 2010

Futebol




"Por sorte ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade."

"De Friedenreich em diante, o futebol brasileiro que é brasileiro de verdade não tem ângulos retos, do mesmo jeito que as montanhas do Rio de Janeiro e os edifícios de Oscar Niemeyer."

"Mas pelo menos no futebol há alguma possibilidade da ascensão social para o menino pobre, em geral negro ou mulato, que só tem a bola como brinquedo: a bola é a única varinha mágica em que pode acreditar. Talvez ela lhe dê de comer, talvez ela o transforme num herói, talvez em deus."

Eduardo Galeano - Futebol ao sol e à sombra


E eu estou apenas no início do livro...