Mostrando postagens com marcador Vento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vento. Mostrar todas as postagens

5 de janeiro de 2012

Presente

Às vezes, penso muito no que já passou. Lembro os tempos sem preocupações, lembro as brincadeiras com minhas primas. Revejo as fotos e fico nostálgica, procurando imagens e palavras que me levem de volta àquilo tudo.
Outras vezes, sonho acordada com momentos ainda inexistentes nas memórias. Planejo e imagino lugares, pessoas, aromas. O futuro pode me encantar ou me preocupar e caminho na corda bamba entre as duas coisas.
Então, volto a mim, ao dia cinco de janeiro de 2012, e entendo que a única coisa que tenho é o hoje, construído pelas memórias do passado e cheio de esperança para os dias que virão. Mas a vida acontece agora, esse segundo é minha eternidade, e esse tempo eu não perco mais.

"O presente é o ponto em que o tempo se encontra com a eternidade."
C. S. Lewis

24 de setembro de 2010

Buscai em primeiro lugar

Só a tua presença.
Nada mais é preciso.
Rompo o limite tempo-espaço, voando numa brisa leve que me mantém em silêncio, que me faz fechar os olhos e então começar a enxergar.
Giro na ponta dos pés, alcanço teu rosto, vejo teus olhos amorosos dizendo que sim, dizendo que é verdade.
Nada mais é preciso.
Tudo é tão efêmero se comparado à tua grandeza! Tudo é tão pequeno...
Sou levada por uma onda suave, preenchida por um brilho invisível, completa.
Estou na palma da tua mão, como uma semente sendo cuidada, em breve flor que irá desabrochar.
Nada mais é preciso.
Paz vinda da certeza de que estás aqui.
Sem formas determinadas, músicas prontas, palavras decoradas, técnicas...
Apenas a maravilha da espontaneidade entre pai e filha, apenas o sussurro da brisa.
Palavras e passos que externam o interior, verdadeiros.
Só a tua presença.
Nada mais é preciso.

9 de julho de 2010

Sobre as águas

Dia-a-dia, cotidiano, rotina, problemas. Fazemos tantas coisas o tempo todo, com as mais diversas motivações. Estamos sempre correndo, sempre sem tempo, sempre com medo. Se, por um momento, paramos e ouvimos a voz de Deus, nossa monótona realidade é confrontada. Não estamos acostumados com o sobrenatural. A vida parece tão difícil, tão complicada... Passamos por obstáculos, ouvimos palavras duras, enfrentamos tempestades, ondas, ventos contrários... Mas veja! Tem um homem que dorme no barco enquanto estamos desesperados. Ele tem paz, dEle vem a paz. Ele acalma tempestades, Ele anda sobre o mar. Ele vai além dos nossos limites, nos olha e diz: "vem". Quando pensamos que vamos afundar, é Ele quem nos faz andar sobre as águas.
Mateus 14:22-33, Mateus 8:23-27

14 de junho de 2010

Dente-de-leão

Mês de junho é igual a provas e trabalhos finais na faculdade. Por isso, tudo o que escrevo tem a ver com o fazer jornalístico, as reflexões sobre cidadania e as teorias da comunicação... Enfim, neste mês vou postar apenas imagens, pelas quais me apaixono mais a cada dia.

Amo flores. Amo detalhes. Amo fotografia. Amo assoprar dente-de-leão no vento. Aqui está tudo isso junto...

4 de maio de 2010

Sonho

Como entender uma perda não ocorrida?
É uma falta de algo que nunca tive, uma saudade de alguém que nem conheço. Talvez faltem notas na melodia que nunca toquei, palavras na música que nunca cantei e até passos no duo que danço sozinha.
Por onde andará meu sonho abstrato?
É um sonho sem feições e de voz indecifrável, que não termina quando acordo. É uma imagem imperfeita e malformada que apenas promete a cada dia se tornar concreta. É um fantasma que se esconde nos labirintos da minha ópera.
Mas de que vale o sonho se não concreto?
É a confiança no mistério, no lápis do autor da história. É a certeza no inesperado, na surpresa dos dias. É saber andar de olhos fechados e só abri-los na hora certa. É compreender a fidelidade e soltar-se no vento, sem cordas para se segurar. É descobrir depois o que sempre se soube.

23 de março de 2010

Há um lugar

Outro dia eu escrevo.
Para hoje, não há música melhor...




Há um lugar - Heloísa Rosa

Há um lugar de descanso em Ti
Há um lugar de refrigério em Ti
Há um lugar onde a verdade reina, esse lugar é no Senhor
Há um lugar onde as pessoas não me influenciam
Há um lugar onde eu ouço teu Espírito
Há um lugar de vitória em meio à guerra, esse lugar é no Senhor

Esse lugar é no Senhor

Há um lugar onde a inconstância não me domina
Há um lugar onde minha fé é fortalecida
Há um lugar onde a paz é quem governa, esse lugar é no Senhor
Há um lugar onde os sonhos não se abortam
Há um lugar onde o temor não me enrijece
Há um lugar que quando se perde é que se ganha, esse lugar é no Senhor

Jesus!
És tudo o que eu preciso, Jesus!
Eu Te preciso

22 de março de 2010



Eu posso ter balançado com o vento contrário,
Mas as lágrimas tornaram as minhas pernas mais fortes.
E agora eu caminho, quase corro.

21 de fevereiro de 2010

As pedras e o mar


Eu quis fugir do vento, da chuva, do tempo, de mim. Escondi-me atrás de umas pedras frias, sozinha. Olhei para os lados e certifiquei-me de que ninguém iria me ouvir. Não havia mais ninguém, praia deserta, tudo que eu queria. O silêncio profundo me permitia ouvir as batidas aceleradas em meu peito. Fortes, compassadas, uma melodia nova e misteriosa. Contei às pedras meu segredo. Meu coração se acalmou. Alívio.
O mar estava quente e transparente, mas inquieto. Um reflexo meu. Mergulhei no mar, mergulhei em mim. Perdi-me nas ondas, nadei nas lembranças que iam e vinham com a mesma força da correnteza.
Voltei para as pedras, cada vez mais geladas. Encontrei uma pedra pequena pelo chão. Escrevi na areia, fiz rabiscos sem forma. O mar apagou tudo. Agora ele também sabe.
Pedras mudas. Mar inquieto. Meus guardadores de segredo em uma tarde nublada.

21 de agosto de 2009

Na estação

Mais uma vez ela ajeita o cabelo. O vento está bagunçando seus cachos perfeitamente presos com um laço de fita azul, do mesmo tom do vestido que escolheu justamente para esse dia. Será que vai demorar muito? Mais uma vez senta-se no banco comprido, onde está sua família e sua pequena mala. É uma pena mamãe não tê-la deixado levar muitas coisas... "Apenas o essencial", repetia a mãe enquanto ela escolhia o que levaria consigo. Mas era tão difícil... Tudo naquele quarto possuía uma lembrança impregnada, muitas que só ela conhecia. Aquela colcha rendada e cor-de-rosa feita pela avó que havia ganhado no aniversário de 7 anos. Aquele livro pequeno cheio de gravuras de coelhos, seu primeiro livro, trazido pelo pai em uma de suas viagens. Aqueles sapatos velhos que usara para passear na primeira vez que fora na cidade grande. Agora havia ganhado sapatos novos, e, obediente, deixou-os em seu quarto de menina junto com suas bonecas, com as cartas de suas amigas, com os porta-retratos com fotos da família, com os livros que enchiam as tardes chuvosas de aventura. Claro que não pode resistir e colocou um livro na mala... Afinal de contas, o que iria fazer durante toda a viagem sem seu livro favorito, sem as palavras que a fizeram sonhar?
Olha para seus pais, apreensivos, sentados ao seu lado no banco. Estariam preocupados com a demora do trem ou com o fato de sua única filha mulher partir nessa tarde? Os conhecia bem. Se perguntasse diriam o primeiro motivo, querendo esconder o segundo. Nos últimos meses sentia que seu tempo ali naquela cidade interiorana estava acabando. Era preciso partir, era preciso mudar, era preciso trazer à tona seus sonhos. Sonhos inventados pelas páginas dos livros, sonhos gravados em páginas de diários escondidos no armário.
Lembra-se bem da manhã em que decidiu falar com o pai sobre a viagem. Lembra-se bem das suas palavras naquele dia. "Se este é o seu sonho, vá em frente", ele disse depois de um discurso envergonhado da filha. "Sim...", disse ela acanhada, gritando por dentro. Providências tomadas e, dois meses depois, aqui está ela na estação. Será que fez a escolha certa? Depois que pegar o trem não haverá mais retorno. Claro que poderá visitar os pais, mas sua vida já estará marcada. O sonho já será real.
Por um momento, vê-se criança, caem lágrimas dos olhos. Sente medo e vontade de correr para o pai dizendo que enganou-se, que desiste. Mas o choro aumenta se pensa em ficar. Sua mãe a abraça e diz que tudo ficará bem. Ela sabe que sim, mas chora... Um choro de transformação, um choro de alívio por algo que passou, um choro de esperança pelo que virá. O último choro de criança.
Nesse momento, entre lágrimas, abraços e poucas palavras ouve-se o ruído distante do trem. "Ele está chegando", ela diz, com um sorriso a iluminar seu rosto.

5 de maio de 2009

Novo sonho


- Como posso sentir-me só contigo ao meu lado? - era o que Débora perguntava ao seu Amigo quase todos os dias.
- Sei que tu me guias, tu me amas, tu me ajudas em tudo. Estás sempre comigo. Mas, ultimamente, tenho sentido que falta algo.
Ele sempre mantinha-se em silêncio, mas naquela noite resolveu falar.
- Tenha paciência - disse o Amigo - Há um outro pedaço de vida que ainda não conheces. Há muito mais surpresas no teu caminho.
- Como faço para encontrar essa outra parte, então?
- Não sonhe mais só com você, veja além e descanse, nessa noite te darei um novo sonho.

Naquela noite, Débora sonhou um novo sonho: dois caminhos se encontravam de maneira inesperada e deixavam de ser dois para serem apenas um maior e mais belo.

1 de março de 2009

Vento


Fecho os olhos e deixo que vento me leve. Ao abri-los, percebo que não estou onde queria, mesmo assim, ainda confio no vento.


Fecho os olhos novamente. O vento continua, intenso, a me carregar. Vai por caminhos que às vezes eu não entendo, não pega atalhos, sobe montes e desce vales. Até por desertos já me conduziu! Me leva por onde quer.



Eu confio.


"Não sei de onde vem, nem sei pra onde vai. Só sei que eu quero ir"

21 de janeiro de 2009

A montanha

Dali ela viu os campos verdejantes... E como eram lindos! Poderia, finalmente descansar! Banhar-se naquele rio cristalino. Lavar o corpo e a alma, ambos cansados da difícil caminhada dos últimos meses. Débora ainda podia se lembrar de algumas pedras difíceis que teve de subir para conseguir escalar a montanha como deveria. Claro que, graças àquela troca de roupas, estava vestida apropriadamente. Seu vestido infantil de outrora se rasgaria todo naquela situação.

Deitada em meio aos lírios, recordava o momento em que avistava a montanha. Ao mesmo tempo que desejava evitá-la, queria subir, queria se aventurar de verdade, queria o que sabia que havia do outro lado. Então foi. No início não era tão difícil como ouvira falar, talvez seja porque já estivesse bem preparada, ou porque esperasse obstáculos piores. No entanto, no decorrer da subida, as rochas tornaram-se mais difíceis de escalar, suas forças já não eram as mesmas, estava cansada da mesma vista todos os dias... Tudo parecia não cooperar para que Débora alcançasse o pico. Havia armadilhas por todos os lados! Algumas vezes, enfraquecida, Débora quase caiu em muitas delas, mas foi salva pelo mestre e amigo que a acompanha sempre.
No caminho, fez amizade com outros que como ela subiam a montanha e com os próprios animais habitantes da montanha. Com os primeiros compartilhou alegrias e tristezas, recebeu e deu auxílio e manteve acesa a esperança. Com os segundos, aprendeu o caminho a seguir, a escapar das armadilhas e a acertar os atalhos. Porém, mesmo que eles lhe ajudassem ela sempre contava com um auxílio extra de seu velho amigo de todas as horas, que a escutava, a ensinava e a enchia de paz e certeza, dando-lhe forças a cada dia.
Quando chegou ao pico, contemplou a vista: os verdes campos que tanto sonhara! Mas ainda lhe faltavam os últimos testes: a decida, que podia ser tão traiçoeira quanto a subida. Um passo em falso poderia fazê-la rolar montanha abaixo e não chegar inteira ao pé da montanha, não podendo aproveitar tudo o que buscava. Débora caminhou, então, medindo cada passo dado, com cautela e prudência. Algumas vezes, tropeçou, mas não caiu.
Agora estava lá nos verdes campos em que corria um rio tranquilo, um lugar de paz e calmaria, onde podia fortalecer-se. Sim, fortalecer-se, pois a jornada não termina aqui. Logo adiante Débora já avistou vales profundos, montes íngremes e rios bravos, nos quais deverá se aventurar. Mas ela não teme. Foi vitoriosa em uma das mais altas montanhas da região e confia em seu amigo. É por ele que está aqui, é por ele que chegará ao final do caminho.

**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-**-

** Só pra avisar! Estou viva e não pretendo abandonar o blog... Era apenas um tempo longe. Os fins justificaram os meios aqui: deixei o blog um pouco de lado para me dedicar mais para o vestibular. Resultado disso tudo? 13º lugar em Jornalismo na UFRGS!

Provérbios 21:31!
Salmo 20!
Daniel 1!

20 de outubro de 2008

LIBERDADE


"Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores." João 4:23


Liberdade em Teus átrios
Liberdade de adoração!
Voo como águia, em Tuas asas...
Cada vez mais alto mais alto mais alto
Só pra Te ver
Te adorar
Dançar contigo
Corro como a corsa
Procuro Teu rio de vida
Busco águas vivas
Que me saciam
Tu és a fonte...

Salto pros Teus braços
Me pegas no colo
Dançamos
Te adoro
Te amo
E NADA mais importa!

Muito mais que minha dança,
Minha vida te dou
Meu coração é Teu
És meu universo!

9 de setembro de 2008

Ventania

Descrição da ventania

Ela é forte e inconstante.
Nunca deixa as coisas iguais depois que passa, por isso representa grandes mudanças.
Gosta de cabelos soltos, por isso os faz voarem.
Viaja muito e vai cada vez mais longe...

Dá-me a sensação de voar!
Sorrisos das manhãs!

Foi assim que começou tudo...
"De repente, não mais que de repente."* (com um pedido de canetinhas!)
E assim é a cada dia.

.+**+.+**+.+**+.+**+.

Te amo muito amiga!
Não importa quão diferentes sejamos... É pra sempre nossa RARA VENTANIA!

.+**+.+**+.+**+.+**+.

*Vinícius de Moraes

26 de maio de 2008

O vento

Oi gente! Sorry pelo longo tempo sem aparecer. Sabe quando tudo parece acontecer ao mesmo tempo? Pois é. Deus vai abrindo as portas e temos que correr para não perdê-las. Agora aqui estou: fazendo 3º ano e cursinho ao mesmo tempo. É um tempo novo, então. Um tempo sem tempo. As postagens não serão freqüentes, mas continuarão.
Acabo de chegar de uma aula maravilhosa de Literatura e fui muito mal no simulado de Química, mais uma prova que estou indo pelo caminho certas das Humanas! Hehehehe!!!
Até mais! Beijos mil...

**Olhando para as estrelas**

..*..*..*..*..*..*..*..*..*..*..

Era daquelas noites escuras, sem lua nem estrelas; daquelas em que não se abre a janela para sonhar. O vento soprava lá fora há meses. Lembrei de quando tentei correr atrás dele, tentei pegá-lo, tentei ganhá-lo. Então caí, e assim fiquei. O vento continuou a soprar, mas eu apenas ouvia seu som: o som da liberdade.
Outrora, eu colocara um par de asas e, como Ícaro, tentara voar. Porém, dessa vez, não foi o sol quem as estragou. Foi o tempo e a minha força. Não entendia, naquela época, que não era eu quem devia bater as asas, era o vento quem me faria voar. Depois disso, veio a falha tentativa de correr e tentar pegá-lo. Estava cansada de lutar e perder, correr e cair. Cansada.
Então, tu chegaste. Bateste na porta que abri por curiosidade. O que tu querias? Eu estava bem, apenas cansada. Tentava me enganar, mas nunca te enganaria. Tu me olhaste com aquele olhar e me rendi, chorei. Estava mais que cansada, estava ferida.
Primeiro, tu me ajudaste, senti-me melhor por fora. Mas a dor que realmente doía era mais profunda. Passaste, então, a me falar sobre o vento, sobre o meu vôo, sobre as minhas asas estragadas. Eu não havia feito nada certo... "É o vento quem conduz", tu me disseste. Eu apenas devia estar livre o suficiente para isso. Então o vento me faria voar mais alto do que eu já hvia voado pelas minhas forças, muito mais alto do que eu já imaginara.
Teu olhar e tuas palavras me fizeram sonhar. Meu olhos se abriram e eu vi a luz de um novo e brilhante sol nascendo no horizonte de um dia sem nuvens. Porém, me disseste que nem todos os dias seriam assim: belos e claros. Viriam tempestades, mas eu estava forte. Viriam noites, mas elas teriam estrelas e eu seria a lua, um reflexo do brilho do sol, do teu brilho. E, acima de tudo, o vento me conduziria.

17 de abril de 2008

Inverno



Mal sinto os raios de sol do meio-dia. O vento corta- me a face e faz-me tremer - de frio ou de medo?

Nuvens encobrem a visão. As longas e sombrias noites não possuem estrelas. A lua perdeu seu viço, seu brilho.

No rigor, há neve - lindos flocos -, mas que congelam e sufocam as flores. Encobrem a relva verde.

Cubro-me e continuo com frio. Aqueço-me e ainda tremo. Está o frio dentro de mim?

Venha logo, Primavera! Descongele as flores, faça o sol brilhar, salpique o céu de estrelas!

Deixe a margarida desabrochar!

>>>> Jardim de histórias: Mesmo no inverno, as flores sobrevivem neste jardim. \o/

28 de março de 2008

O que havia dentro da bolsa.

Naquela noite, abri o guarda-roupa e lá estava ela. Aquela bolsa que me acompanhou durante tanto tempo. Alí guardei meus maiores segredos. Guardei meus amores, escondi meus medos, enfiei um monte de pensamentos - tanto bons quanto ruins, sobre tudo e todos. Alí ficavam as minhas opiniões e era muito difícil mudá-las ou trocá-las de lugar. Nos bolsinhos da frente estavam sorrisos e lágrimas. Tudo muito escondido pra ninguém encontrar.
Poucos sabiam da existência da bolsa... Eu precisava confiar muito em alguém para contar algum detalhe sobre o que eu guardava alí dentro. Mas tinha uma coisa que nem eu tinha muita coragem de mexer. Bem no fundo, embaixo das idéias, das lembranças e das fotos, escondido de tudo e todos estava o meu coração. Confesso que, às vezes eu tentava mudá-lo um pouco, deixá-lo diferente e muitas vezes tentei persuadí-lo a fazer algo que eu queria. Tudo em vão. O coração escolhe o seu próprio caminho e determina o seu jeito de agir e pensar.
Até que, um dia, ele me pediu pra ver a bolsa. Relutei um pouco... Oras! Era preciso muita confiança pra ir mostrando minha bolsa assim... "Mas, tudo bem", pensei. "Vou mostrando só as coisas legais. Daí ele fica feliz e deixa a minha bolsa de lado". Mostrei minhas idéias, meus sonhos, minhas alegrias, minhas fotos e meus pensamentos bons.
Achei que era o suficiente, mas ele não. "Tudo bem, só mais um pouco... Depois ele me deixa em paz". Mostrei minhas tristezas, meus medos e meus pensamentos maus. Ele disse, então, que me ajudaria com tudo isso. Que eu não precisava mais me preocupar. Aí fiquei feliz. "Ah! Que bom! Que alívio! Agora isso tudo não fica mais escondido aqui e posso contar com ajuda...". Realmente foi um grande alívio... Então me levantei e fui guardar a bolsa.

Ele com sua voz firme porém doce me pediu aquilo que eu tanto temia. "Posso ver o que está bem no fundo da bolsa?". Fiquei sem fala por um bom tempo. Uma angústia muito grande tomou conta de mim. Ele queria ver meu coração!!! Meu coração. MEU! Mas pra quê? Era o meu coração. "Ele não tem nada a ver com o que se passa no meu coração", pensei. E ele continuou alí me encarando com aquele olhar amoroso. Aquele olhar que não conseguimos nos afastar. E, por causa dele, não resisti. Joguei a bolsa do seu colo e comecei a chorar.
Ele, então, abriu a bolsa e tirou de lá meu coração. Ele estava um tanto sujo e mal cuidado. Tinha lascas, feridas e cortes. Mas pulsava com muita força, impulsionado pelos maiores sonhos que ficavam no seu interior. Ele foi, então, tocando cada pedacinho rachado e ferido. E eu fui sentindo dor. Mas era uma dor suportável e que, quando passava dava uma ENORME sensação de alívio. Enquanto ele cuidava dos ferimentos eu percebi o que devia fazer. Olhei-o de novo nos seus olhos e pedi. "Por favor, fique com meu coração. Nunca ningúem cuidou dele como você. Nunca minhas feridas e rachaduras foram tão bem cuidadas. Pegue pra você e cuide dele."
"Seu coração continuará com você, mas eu continuarei cuidando dele. Dia após dia você deve me chamar e deixá-lo em minhas mãos pra que eu possa tratá-lo. Isso às vezes vai doer muito, mas você será forte. Às vezes, vai levar um certo tempo para sarar alguma ferida, mas você será perseverante. Pois é na tua fraqueza que eu opero fortaleza", ele me disse. E, então, entregou-me meu coração que já estava com bem menos lascas e feridas e, agora, tinha um selo onde estava escrito o Seu nome.
Desde então, tenho o chamado dia após dia para tratar das novas lascas e feridas que aparecem. Ele vem e as cura, às vezes até dói, mas nele sou forte. Às vezes até demora, mas o seu amor me faz perseverar. Mas, apesar de tudo, meu coração está sempre pulsando e cada vez mais forte com os novos sonhos que ele me dá.