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28 de janeiro de 2015

Auschwiz

Ontem, foram celebrados os 70 anos da libertação dos prisioneiros de Auschwitz, campo de concentração para onde iam judeus, ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová e prisioneiros da guerra. Local de morte imediata para crianças, idosos e deficientes.

Minha paixão por história sempre me fez querer saber mais, conhecer os detalhes, e quanto mais sabia, mais aterrorizada eu ficava. São tantos os relatos e tantas as histórias contadas ao longo de todos esses anos, que eu seria incapaz de fazer um resumo aqui. São incontáveis filmes e livros que abordam o tema. Qualquer pesquisa rápida no Google já pode te dar um panorama, caso ainda não saibas muito sobre o assunto.

Em novembro do ano passado tive a oportunidade de conhecer dois campos de concentração: Auschwitz e Birkenau, na Polônia. Eram, de fato, lugar que eu gostaria de conhecer, mas agora é um lugar que não tenho vontade de voltar. A visita nos enjoa, nos perturba. Olhar tudo aquilo e aprender cada detalhe sobre como era o dia-a-dia nos campos choca demais. Eu poderia dizer que é inacreditável, mas esse não seria o adjetivo certo. Pois é real, muito real.

Aconteceu e todos precisam saber para que nunca se repita.
















7 de julho de 2010

Na bigorna

Trecho do livro "Moldado por Deus", de Max Lucado.

Com um forte braço, o ferreiro vestido com um avental põe as pinças dentro do fogo, agarra o metal fervendo e o coloca sobre a bigorna. O seu olho aguçado examina a peça ainda em brasa. Ele vê o que a ferramenta é agora e visualiza o que ele quer que ela seja - mais cortante, mais achatada, mais larga, mais comprida. Com uma visão mais clara em sua mente, ele começa a martelá-la. A sua mão esquerda ainda segura as pinças com o metal quente; e a mão direita bate no metal moldável com uma marreta de aproximadamente 1 quilo.
Na sólida bigorna, o ferro ainda em combustão começa a ser remodelado.
O ferreiro sabe o tipo de instrumento que ele quer. Ele sabe o tamanho. Ele sabe o formato. Ele sabe a força.
Pá! Pá! Bate o martelo. Os barulhos ressoam na loja, o ar se enche de fumaça, e o metal ainda mole responde.
Mas a resposta não vem fácil. Não vem sem um desconforto. Para derreter o ferro velho e refundi-lo como novo passa-se um processo de ruptura. O metal ainda se mantém na bigorna, permitindo que o ferreiro remova as cicatrizes, repare as rachaduras, preenche as lacunas e purifique as impurezas.
E com o tempo, uma mudança ocorre: o que era sem corte se torna afiado, o que era torto se torna reto, o que era fraco se torna forte, e o que era inútil se torna valoroso.
Então o ferreiro para. Ele cessa as batidas e coloca o martelo de lado. Com um forte braço esquerdo, levanta as pinças até que o metal recém-moldado esteja à altura dos seus olhos. Ainda em silêncio, ele examina a ferramenta em brasa. O implemento incandescente é girado e examinado para ver se existem marcas ou rachaduras.
Não existe nenhuma.
Agora o ferreiro entre no estágio final da sua tarefa. Ele mergulha o instrumento ainda quente dentro de um tonal de água. Com um sonido e uma movimentação de fumaça, o metal imediatamente começa a endurecer. O calor se rende ao ataque furioso da água fria e o mineral maleável e mole se torna uma ferramenta útil e inflexível.
"Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo" (I Pedro 1:6-7)

20 de junho de 2010

Cicatriz

"When You heal, it always leaves a scar" (Beggar's Heart, Bethany Dillon)



Lá estava o copo trincado, mas eu não vi. Achei que fosse só um dia normal, com uma louça normal pra lavar... Mas no meio daquela louça tinha um copo trincado. Só percebi isso quando minha mão já estava cheia de sangue. O vidro rasgou um "v" na minha pele, como se fosse a sua assinatura. "V" de vidro, de vaga-lume, de valioso, de vaidade, de verdade, de veludo, de vergonha, de... Confesso que pouco me lembro de como tudo aconteceu. Foi de repente. Lembro que sentir dor, lavei a mão e sentei no chão, chorando, sem forças. Sangue escorria da pele; lágrimas, dos olhos. Meu pai me pegou pelo braço e me levantou. Me levou para o banheiro e cuidou do ferimento. "Vai ter que levar pontos", ele me disse. Não, não, não! Eu nunca tinha levado pontos, nunca havia tido um corte tão grande. Iria doer, eu tinha certeza. "Mas assim cicatriza mais rápido".
Lá fomos nós para o hospital... Em pouco tempo já estava costurada. Quatro pontos na mão - e o braço doendo por causa da vacina antitetânica. Que coisa mais feia eram aqueles pontos. Mais do que proteger o ferimento, o curativo protegia as pessoas daquela imagem horrível. Nos primeiros dias, eu ainda conseguia ter a sensação do vidro rasgando a minha pele. Fiquei incapaz de fazer certas coisas por algum tempo. Tive que ficar mais quieta. Aos poucos, pude voltar a usar a mão esquerda, voltar a escrever, voltar a dançar, mas sempre tendo cuidado com os pontos e com o curativo. Qualquer esforço a mais fazia o machucado doer. Qualquer batida leve me fazia tremer.
Quanto tempo leva para a pele cicatrizar? Depois de quase três semanas, tirei os pontos. A pele ainda está vermelha; o local, inchado. Ainda dói quando faço esforço. A sensibilidade ali é muito maior. Voltei a lavar a louça, mas com cuidado dobrado. Para beber, prefiro usar copo de plástico, por enquanto, me parece mai seguro.
Não vejo a hora que isso cicatrize de uma vez! A cicatriz não dói, apenas está lá como parte de uma história, como testemunha de um crescimento. A cicatriz é só lembrança, só memória de uma dor distante. A cicatriz faz aprender a cuidar se o copo está trincado. A cicatriz nunca nos deixa esquecer da experiência de como a conseguimos. É uma marca eterna de algo que já passou, que nos deixa mais fortes e preparados para outras histórias. Estou cicatrizando aos poucos.

19 de março de 2010

Minha teoria verdadeira


Minha ideia de ti vai além da estrutura visível e da matéria carnal efêmera.
Aqui dentro da caverna desfruto da visão parcial de tudo que um dia verei completamente. Meus olhos ficarão pequenos até adaptarem-se à luz, às cores agora tão vivas.
A imagens nessa parede me fazem sonhar com um futuro próximo, o que já não acontece com a maioria. Muitos olham e não entendem, outros ainda desviaram o olhar e passaram a contemplar as paredes vazias, os cantos, o chão e o teto, ignorando as formas, os tons, os movimentos refletidos na parede principal.
Anseio pelo dia que tu me buscará para que eu conheça a fonte dos meus sonhos, das belezes e das ideias. Te verei face a face, transcendendo a vida e a dor, voando na eternidade.

15 de janeiro de 2010

Remédios não curam isso

Solidão. Me sinto só. Sei que alguns ainda me ligam, alguns ainda pensam em mim. Eles tentam conversar, tentam me entender, mas minha resposta é o silêncio. Silêncio que mascara minha dor, minha vergonha. Silêncio que aquieta o choro e o grito, vontade real da minha alma.
Espelhos quebrados. Cacos de vidro pelo chão do quarto. Quebrei-os ao ver os olhos fundos e desesperados na minha frente. Quebrei ao sentir-me marcada, manchada, suja. Espelho quebrado, alma quebrada. Quem há de restaurar esse vaso de barro feito em pedaços?
Palavras. Palavras que falei, que pensei, que deixei morrerem no canto da boca. Palavras que vem ao meu encontro. Acusação. Tentação. Abraço. Palavras de todos os tipos, vindas da boca e do coração daqueles com quem ainda ouso falar. Palavras escritas na minha pele, dizendo quem eu sou, ou quem acham que sou. Reputação ou caráter?
Noite. De noite é pior. Daí ninguém liga, ninguém fala. O silêncio permite que algumas lágrimas escapem, cortantes. Os olhos lutam querendo repousar, mas minha mente não os deixa, funciona, maquina, roda quilômetros de ilusões.
Antes. O antes era belo, era florido, eram nuvens feitas de sonhos. É o passado desencaixado com o presente. Era a princesa. Era a certeza. Era o sorriso. Hoje, a mendiga, a dúvida e o silêncio. Com uma lágrima cortante na madrugada.
Grito. "Socorro!" é meu grito silencioso. Afundo num mar próprio, afogo-me em mim.Estou morrendo por uma nova vida, por uma razão, por um sonho. Quero ser bela de novo, princesa. Quero novos espelhos. Lágrimas de alegria. Palavras de amor verdadeiro. Estrelas no céu à noite.

26 de abril de 2009

Semana

Sabe quando a semana é tão louca que é difícil de explicar, de expressar, de resumir? Eis alguns textos que escrevi para mim mesma para poder entendê-la.

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Por maiores que sejam os obstáculos
Por piores que estejam as circunstâncias
Por mais impossíveis que sejam os sonhos
Por mais distante que esteja a vitória
A vida ainda vale a pena, pois não me pertence mais.

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Estou morta. A dança esta morta. Meus textos estão mortos.

Descobri isso há uma semana e fui me convencendo desde então. Às vezes, insisto em voltar a viver e é aí que tudo dá errado. Se volto a viver, torno a matá-lo. Se morro, ele vive (e em mim!).
A cada dia busco mais minha morte (minha cruz), pra que não mais eu viva. Porque eu sou medíocre, incrédula, impaciente, vingativa, reclamona, pessimista, orgulhosa, arrogante, perfeccionista. Ele não, ele é perfeito.

Cristo vive em mim. Cristo vive na dança. Cristo vive nos textos.

(A dança está morta mesmo? Que bom. Significa que ele está vivendo.)

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Eu quero isso! Não, aquilo. Mas esse também é bom...
Quero tudo ao mesmo tempo, como um oceano que engloba todos os outros.
Mas sou uma. Não sou Deus, onipresente, potente e ciente.
Sou só eu. Corpo, alma, espírito. Que acha que sabe alguma coisa. Que acha que quer alguma coisa.
Nada mais quero além de saber o que queres.
- Abra mão, seja constante, continue sonhando, siga meus passos, ame.
Eis-me aqui.

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Desculpem-me pelos grandes devaneios aqui presentes... Apenas encontrei um lugar para por tudo isso para fora.