Quase sempre há mais informações nas entrelinhas do que no texto em si. Às vezes parece que os segredos estão na beira do precipício, quase pulando das bordas das letras. Às vezes, eles ficam calados no silêncio e na espera, transformados em reticências, que talvez não signifiquem o "nada", mas o "tudo", contido e bem guardado.
Todo esse exercício de semântica e caça-palavras é interessante, apesar de certas vezes eu querer chutar o balde. Escrevo tudo que gostaria de falar claramente, letra por letra. "Bruna Konrath está digitando...". Releio, não mando e apago. Mando só as reticências...
É bom decifrar os mistérios das entrelinhas, sem pular etapas.
11 de maio de 2011
9 de maio de 2011
Instante
Então parecia que o mundo havia parado de girar. As vozes ao meu redor tornaram-se um ruído quase imperceptível. Os traços dos rostos ficaram desordenados.
Só havia um rosto, um par de olhos, uma voz e uma palavra - a mais bela e, ao mesmo tempo, a mais triste daquele dia inteiro.
"Tchau" - me disse o sorriso tímido.
E foi assim que um pequeno instante coloriu um dia meio cinzento.
E foi assim que um pequeno instante tornou o sonho um pouquinho mais concreto.
Só havia um rosto, um par de olhos, uma voz e uma palavra - a mais bela e, ao mesmo tempo, a mais triste daquele dia inteiro.
"Tchau" - me disse o sorriso tímido.
E foi assim que um pequeno instante coloriu um dia meio cinzento.
E foi assim que um pequeno instante tornou o sonho um pouquinho mais concreto.
8 de maio de 2011
5 de maio de 2011
Queria dizer
Verbo querer conjugado na primeira pessoa do pretérito imperfeito do modo indicativo: queria.
Conjugação verbal que descreve fatos passados (ainda) não concluídos, que permanecem em suspensão, à espera de um desfecho presente ou futuro.
Queria dizer, fazer, cantar.
Queria poder, voar, sonhar.
Queria correr, dançar, amar.
Queria estar, conseguir, gritar.
Queria escrever, ser, encontrar.
Ou talvez seja só uma maneira mais tímida de dizer quero, no presente, agora.
Queria é o modo polido, talvez sem coragem, mas que sabe esperar.
Conjugação verbal que descreve fatos passados (ainda) não concluídos, que permanecem em suspensão, à espera de um desfecho presente ou futuro.
Queria dizer, fazer, cantar.
Queria poder, voar, sonhar.
Queria correr, dançar, amar.
Queria estar, conseguir, gritar.
Queria escrever, ser, encontrar.
Ou talvez seja só uma maneira mais tímida de dizer quero, no presente, agora.
Queria é o modo polido, talvez sem coragem, mas que sabe esperar.
2 de maio de 2011
Me fiz criança
As lágrimas rolam no rosto.
Histórias nunca vividas são contadas ao travesseiro.
A boneca de pano me abraça e diz que vai ficar tudo bem.
Músicas de ninar tentam acalmar a tempestade aqui dentro.
Nessa noite, me fiz criança.
E meu Pai me pegou no colo.
Histórias nunca vividas são contadas ao travesseiro.
A boneca de pano me abraça e diz que vai ficar tudo bem.
Músicas de ninar tentam acalmar a tempestade aqui dentro.
Nessa noite, me fiz criança.
E meu Pai me pegou no colo.
29 de abril de 2011
Aventura
Como conciliar o gosto pelo mistério com a vontade de conhecer mais?
Apesar da beleza do mistério, de nada serve se não para ser desvendado. O enigma é interessante no princípio, mas a sua existência pede um desfecho, mesmo que trágico, de preferência belo.
Como posso me encantar com o silêncio enquanto o que mais quero é ouvir o som?
O ruído do silêncio pode ser doce algumas vezes, mas também pode tornar-se angustiante se nunca for quebrado por palavras completas, que preenchem as lacunas deixadas pela quietude.
Como compreender que é a indiferença que me faz buscar os olhos?
A constância não é instigante, mas estes são olhos de frequência rara. São como um mar a ser explorado, cheios de mistérios nas profundezas, que vão sendo descobertos aos poucos, conforme avança o aventureiro mergulhador.
Descobrir cada detalhe e aguardar o próximo mistério é o que faz disso a minha aventura.
Apesar da beleza do mistério, de nada serve se não para ser desvendado. O enigma é interessante no princípio, mas a sua existência pede um desfecho, mesmo que trágico, de preferência belo.
Como posso me encantar com o silêncio enquanto o que mais quero é ouvir o som?
O ruído do silêncio pode ser doce algumas vezes, mas também pode tornar-se angustiante se nunca for quebrado por palavras completas, que preenchem as lacunas deixadas pela quietude.
Como compreender que é a indiferença que me faz buscar os olhos?
A constância não é instigante, mas estes são olhos de frequência rara. São como um mar a ser explorado, cheios de mistérios nas profundezas, que vão sendo descobertos aos poucos, conforme avança o aventureiro mergulhador.
Descobrir cada detalhe e aguardar o próximo mistério é o que faz disso a minha aventura.
25 de abril de 2011
Cenografia
E, além de tudo, havia o pôr-do-sol, explodindo suas infinitas cores, contornando os montes, seguido por todas as estrelas e pela lua crescente, que vieram, curiosas, fazer parte do espetáculo.
Foto de Amauri Knevitz Jr., em 23/04/2011
19 de abril de 2011
Esperar
Não se pode forçar o sol a nascer.
É preciso passar pela noite, contemplar as estrelas, deixar a lua fazer o seu caminho.
Não se pode acelerar o início da primavera.
É preciso que as folhas caiam no outono, que as raízes se fortaleçam no frio do inverno.
As coisas simplesmente acontecem no tempo certo.
E eu espero, porque eu sei em quem confio.
17 de abril de 2011
Janela fechada
Certo dia, decidi que ia abrir a janela.
Observei o movimento, cantei com os pássaros, senti o calor do sol, tomei chuva, plantei flores na jardineira, contei estrelas...
Mas chegou a hora de fechá-la. Por cautela, não por frieza.
Quer entrar?
Bata na porta.
Observei o movimento, cantei com os pássaros, senti o calor do sol, tomei chuva, plantei flores na jardineira, contei estrelas...
Mas chegou a hora de fechá-la. Por cautela, não por frieza.
Quer entrar?
Bata na porta.
13 de abril de 2011
Feixe de luz
Talvez a complexa arte de explicar pensamentos não faça parte da minha caixa de talentos, e, no fim, todas as palavras mirabolantes aqui escritas sejam em vão. Afinal, como explicar feixes de luz que em um momento estão aqui, e já no outro vão embora, nos deixando apenas com a sensação de quão efêmeras são as ideias, de quão efêmera é a vida?... Talvez a opção mais fácil fosse simplesmente me calar e esperar que os pensamentos voem.Mas as palavras teimam em querer sair, mesmo confusas, mesmo incompletas. Ainda que seus singelos significados não expressem a imensidão de pensamentos que deveriam aqui estar descritos, elas buscam, numa luta apaixonada, por pra fora a lava quente do vulcão. Borbulham em meu peito, em minha garganta e, por fim, em meus dedos que parecem brincar de pega-pega nessas teclas.
A verdade é que um pensamento específico não foi embora, mas fixou-se, e trouxe-se consigo sensações nunca antes agasalhadas por baixo dessa pele. Mas como explicar isso tudo, se apenas quem pensa e sente é capaz de entender em sua plenitude? E explicando-os, deixariam sua essência, para tornarem-se compreensíveis e simplórios. Adiantaria explicar? Sentirias tu a mesma coisa?
Decidi não explicar, apenas sentir, apenas pensar.
E esperar que talvez se torne concreto.
*De algum lugar surgem os textos, e isso se chama inspiração, que vem como um feixe de luz, como um raio de sol.
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