Há um ano atrás eu tinha acabado de ir ao Cirque de Soleil, presente que ganhei da minha tia. Lembro que saí mais cedo do cursinho, perdi, assim, dois períodos da minha "amada" Matemática, com um dos professores mais legais do curso. Lembro que pensei: "E se hoje, justamente hoje, o Mauro dá A matéria que vai me fazer ir bem na prova de Matemática? Azar... Pelo Cirque vale a pena." E valeu. E acho que a matéria dada no dia não foi tão importante. Acho que foi geometria plana, se é que eu sei ainda o que é isso, já que a parte mais exata do meu cérebro está atrofiando.
Há um ano atrás, como já disse eu estava fazendo cursinho e pensando que se eu não entendesse (lê-se: decorasse) Movimento Retilíneo Uniforme Variado, Ligações Químicas e Progressão Geométrica eu era uma ameba e iria rodar no vestibular. Não entendi, não decorei. Passei.
Há um ano atrás eu estudava História loucamente, visto ser minha matéria preferida e a que mais valia pra mim no vestibular. Fiz TODOS os exercícios de TODOS os livros do História do cursinho. Por esse motivo, achava que essa seria minha melhor prova, que com certeza faria mais de 20 questões das 25 do vestibular. Fiz 15. E quase passei toda a tarde chorando depois, achando que minha aprovação estava comprometida.
Há um ano atrás me sentia mal quando não conseguia entregar uma redação, afinal era difícil conciliar colégio e cursinho. Nos simulados, nunca ia muito bem apesar de todo o esforço. Notas sempre entre 66, 69. Fiz 80. E ainda vou escrever muito na vida.
Há um ano atrás tanto na escola quanto no cursinho houve milhares que aulas temáticas, palestras e abordagens do ano de 1968. Ditadura militar, AI-5, hippies nos EUA, maio parisiense, morte de Luther King... Ainda sei tudo. Já que todos esses fatos comemoravam 40 anos, era certo que ia cair na prova da UFRGS. Não caiu 68, nem mesmo Ditadura Militar.
Há um ano atrás, apesar de estar estudando para isso, não me imaginava um ano depois, fazendo artigos, seminários, relatórios, análises, resenhas, leituras, provas em uma universidade. Vislumbrava o futuro até o dia do vestibular, a partir dali tudo ainda estava embaçado. Entreguei meu primeiro artigo hoje, tenho milhares de xerox e um livro pra ler, quarta tenho que entregar um relatório, semana que vem tenho mais duas provas... e por aí vai.
Realidade: nunca podemos saber o que acontecerá em um ano da nossa vida. Tudo muda. Ele direciona. Eu faço minha parte e confio.