4 de maio de 2010

Sonho

Como entender uma perda não ocorrida?
É uma falta de algo que nunca tive, uma saudade de alguém que nem conheço. Talvez faltem notas na melodia que nunca toquei, palavras na música que nunca cantei e até passos no duo que danço sozinha.
Por onde andará meu sonho abstrato?
É um sonho sem feições e de voz indecifrável, que não termina quando acordo. É uma imagem imperfeita e malformada que apenas promete a cada dia se tornar concreta. É um fantasma que se esconde nos labirintos da minha ópera.
Mas de que vale o sonho se não concreto?
É a confiança no mistério, no lápis do autor da história. É a certeza no inesperado, na surpresa dos dias. É saber andar de olhos fechados e só abri-los na hora certa. É compreender a fidelidade e soltar-se no vento, sem cordas para se segurar. É descobrir depois o que sempre se soube.

Um comentário:

  1. Que lindo! ♥

    Amo ler seus textos, sempre passam uma serenidade, uma doçura! Amo vr aqui!
    Um beijo, saudades ;*

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