Sempre te vi menina, de maria-chiquinha, ursinho de pelúcia e pirulitos. Resolvi te cuidar, te contar histórias, ouvir as tuas, rir contigo. Tu nunca choravas, mesmo em estradas pedregosas saltitavas entre as rochas com um riso contagiante. Eras menina, eras criança.
Um dia percebi em ti outras cores, na verdade, uma opacidade trazida pelo tempo. Não era algo ruim, mas aquele cintilar infantil aos poucos sumia. Agora tens estado mais séria, tens te preocupado mais. E esses dias até te vi chorar. Estávamos só nós duas, me contavas tuas novas histórias, dessa vez não havia risadas.
O tempo sempre passa, menina. Com ele vêm as novas histórias, as primeiras lágrimas, o coração que começa a falar. Descobres então mais sobre ti, sobre o mundo. Ainda és menina às vezes, já és quase adulta também. Só não perde esse brilho nos olhos, esses sonhos estrelados, as tuas palavras doces. Cresce, mas nunca deixa de ser menina.

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