21 de fevereiro de 2010

As pedras e o mar


Eu quis fugir do vento, da chuva, do tempo, de mim. Escondi-me atrás de umas pedras frias, sozinha. Olhei para os lados e certifiquei-me de que ninguém iria me ouvir. Não havia mais ninguém, praia deserta, tudo que eu queria. O silêncio profundo me permitia ouvir as batidas aceleradas em meu peito. Fortes, compassadas, uma melodia nova e misteriosa. Contei às pedras meu segredo. Meu coração se acalmou. Alívio.
O mar estava quente e transparente, mas inquieto. Um reflexo meu. Mergulhei no mar, mergulhei em mim. Perdi-me nas ondas, nadei nas lembranças que iam e vinham com a mesma força da correnteza.
Voltei para as pedras, cada vez mais geladas. Encontrei uma pedra pequena pelo chão. Escrevi na areia, fiz rabiscos sem forma. O mar apagou tudo. Agora ele também sabe.
Pedras mudas. Mar inquieto. Meus guardadores de segredo em uma tarde nublada.

15 de janeiro de 2010

Remédios não curam isso

Solidão. Me sinto só. Sei que alguns ainda me ligam, alguns ainda pensam em mim. Eles tentam conversar, tentam me entender, mas minha resposta é o silêncio. Silêncio que mascara minha dor, minha vergonha. Silêncio que aquieta o choro e o grito, vontade real da minha alma.
Espelhos quebrados. Cacos de vidro pelo chão do quarto. Quebrei-os ao ver os olhos fundos e desesperados na minha frente. Quebrei ao sentir-me marcada, manchada, suja. Espelho quebrado, alma quebrada. Quem há de restaurar esse vaso de barro feito em pedaços?
Palavras. Palavras que falei, que pensei, que deixei morrerem no canto da boca. Palavras que vem ao meu encontro. Acusação. Tentação. Abraço. Palavras de todos os tipos, vindas da boca e do coração daqueles com quem ainda ouso falar. Palavras escritas na minha pele, dizendo quem eu sou, ou quem acham que sou. Reputação ou caráter?
Noite. De noite é pior. Daí ninguém liga, ninguém fala. O silêncio permite que algumas lágrimas escapem, cortantes. Os olhos lutam querendo repousar, mas minha mente não os deixa, funciona, maquina, roda quilômetros de ilusões.
Antes. O antes era belo, era florido, eram nuvens feitas de sonhos. É o passado desencaixado com o presente. Era a princesa. Era a certeza. Era o sorriso. Hoje, a mendiga, a dúvida e o silêncio. Com uma lágrima cortante na madrugada.
Grito. "Socorro!" é meu grito silencioso. Afundo num mar próprio, afogo-me em mim.Estou morrendo por uma nova vida, por uma razão, por um sonho. Quero ser bela de novo, princesa. Quero novos espelhos. Lágrimas de alegria. Palavras de amor verdadeiro. Estrelas no céu à noite.

29 de dezembro de 2009

Num clima conto-de-fadas


Muita gente reclama dos contos-de-fadas, mas a verdade é que graças a eles eu sempre fui sonhadora. Claro que já tenho certa pré-disposição a ser assim, mas, como desde pequena lia e via muitos contos-de-fadas, às vezes eu acho que tudo aquilo realmente pode acontecer.
Podem me chamar de antiquada ou iludida, mas a verdade é que, adaptado à nossa realidade - sem sapatos de cristal, objetos que falam ou sapos de verdade -, o conto-de-fadas pode acontecer.
Podemos ter amigas preciosas que nos ajudam durante nossa caminhada. Podemos - e vamos! -, encontrar o príncipe perfeito cujas qualidades superam os defeitos e cuja alma completa a nossa. Podemos enfrentar dificuldades e encontrar pessoas não tão legais assim. Podemos ter dias especiais que marcam pra sempre a nossa vida. Podemos chorar e sorrir. Podemos amar. Podemos sonhar olhando para as estrelas... Podemos presenciar milagres.
E acima de tudo, pelo menos de minha parte, posso dizer que no final serei FELIZ PARA SEMPRE!

10 de dezembro de 2009

Quero Voar!


Olho pra imensidão do céu e grito "QUERO VOAR!"
Então percebo quão pequenas são as minhas asas...

11 de novembro de 2009

Sobre as águas

Meio sem tempo pra postar... final de semestre é assim mesmo.
Deixo, então, um vídeo com a minha "música do momento"... Fiz uma dança solo com ela esses tempos e cada vez que ouço é uma nova descoberta de mim mesma, do que Deus tem pra mim.

22 de outubro de 2009

Fotografia
















"De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-Ias voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória."

Henri Cartier-Bresson

7 de outubro de 2009

Grito forte destoando do zumbido irritante

Cansei de pré-requisitos
Cansei dos meus limites
Cansei das regras de ortografia
Cansei de teorias não postas em prática
Cansei de conceitos estabelecidos
Cansei de tentar agradar
Cansei das expectativas
Cansei de apenas ouvir
Cansei de apenas saber
Cansei da indiferença
Cansei da falta de sentido
Cansei da monotonia
Cansei de mim...

Agora é tudo posto pra fora. Grito forte destoando do zumbido irritante.

Não apenas um fósforo aceso cuja chama dura poucos segundos, mas uma fogueira em chamas, sendo constantemente abastecida de madeira e álcool. Não apenas palavras escritas em livros que nos levam a pensar no porquê de tudo, mas atitudes que mudem um pouco do todo e que talvez nem apareçam nos livros futuros. Chega dessas realidades imaginadas que duram poucas horas e nos deixam encantados com um mundo irreal de personagens inexistentes. Quero a loucura da realidade, a fraqueza e as diferenças das pessoas que clamam pela razão e que buscam o sentido da vida.

Supérfulos e vaidades cegam a juventude alienada, que acredita que, pelo fato de ter condições de ver filmes europeus e debater a política nacional, pode ser considerada sábia, um exemplo a ser seguido. Pois agora eu vejo! Mesmo que não totalmente, mesmo que ainda um pouco embaçado, eu vejo. E o verdadeiro exemplo não está nos teóricos nem nos inteligentes, que apenas conseguem escrever e falar, mas nada fazem para mudar realidades. O exemplo está em quem vive, pratica, demonstra o amor.

Música:

Aprender (Tanlan)

Coloque a culpa na história
Nos erros que o passado cometeu
Coloque a culpa nos reis de agora
Coloque a culpa no estado
Ou mesmo em tudo que é religião
Coloque a culpa no caos do acaso
Tanta gente já morreu
Sem nunca viver
E a razão já se perdeu
Sem nunca saber

Quando vamos aceitar
Todos temos tanto pra melhorar
Quando vamos entender
Antes de mudar
Temos que aprender

Alguém me mostre um alívio
Vivemos numa grande confusão
Como acabar com um problema antigo?
Não sabemos nem viver
Nada é o que parece ser
Não sabemos nem porque
Matar ou morrrer

Quando vamos aceitar
Todos temos tanto pra melhorar
Quando vamos entender
Antes de mudar
Temos que aprender a amar

5 de setembro de 2009

Esperança cor-de-rosa


Hoje eu vou andar tranquila
Fazer tudo sem pressa
Tempo pra respirar

Hoje eu vou olhar as flores
Parar nas vitrines
Sair por aí a cantar

Hoje não é nenhum dia de festa
Não tem sol na rua
Nem lágrima caiu

Hoje pode dar tudo errado
É quase primavera
No horizonte esperança surgiu

Esperança de uma vida diferente
Esperança de um sonho eterno
Esperança da flor que desabrocha
Esperança, esperança cor-de-rosa

21 de agosto de 2009

Na estação

Mais uma vez ela ajeita o cabelo. O vento está bagunçando seus cachos perfeitamente presos com um laço de fita azul, do mesmo tom do vestido que escolheu justamente para esse dia. Será que vai demorar muito? Mais uma vez senta-se no banco comprido, onde está sua família e sua pequena mala. É uma pena mamãe não tê-la deixado levar muitas coisas... "Apenas o essencial", repetia a mãe enquanto ela escolhia o que levaria consigo. Mas era tão difícil... Tudo naquele quarto possuía uma lembrança impregnada, muitas que só ela conhecia. Aquela colcha rendada e cor-de-rosa feita pela avó que havia ganhado no aniversário de 7 anos. Aquele livro pequeno cheio de gravuras de coelhos, seu primeiro livro, trazido pelo pai em uma de suas viagens. Aqueles sapatos velhos que usara para passear na primeira vez que fora na cidade grande. Agora havia ganhado sapatos novos, e, obediente, deixou-os em seu quarto de menina junto com suas bonecas, com as cartas de suas amigas, com os porta-retratos com fotos da família, com os livros que enchiam as tardes chuvosas de aventura. Claro que não pode resistir e colocou um livro na mala... Afinal de contas, o que iria fazer durante toda a viagem sem seu livro favorito, sem as palavras que a fizeram sonhar?
Olha para seus pais, apreensivos, sentados ao seu lado no banco. Estariam preocupados com a demora do trem ou com o fato de sua única filha mulher partir nessa tarde? Os conhecia bem. Se perguntasse diriam o primeiro motivo, querendo esconder o segundo. Nos últimos meses sentia que seu tempo ali naquela cidade interiorana estava acabando. Era preciso partir, era preciso mudar, era preciso trazer à tona seus sonhos. Sonhos inventados pelas páginas dos livros, sonhos gravados em páginas de diários escondidos no armário.
Lembra-se bem da manhã em que decidiu falar com o pai sobre a viagem. Lembra-se bem das suas palavras naquele dia. "Se este é o seu sonho, vá em frente", ele disse depois de um discurso envergonhado da filha. "Sim...", disse ela acanhada, gritando por dentro. Providências tomadas e, dois meses depois, aqui está ela na estação. Será que fez a escolha certa? Depois que pegar o trem não haverá mais retorno. Claro que poderá visitar os pais, mas sua vida já estará marcada. O sonho já será real.
Por um momento, vê-se criança, caem lágrimas dos olhos. Sente medo e vontade de correr para o pai dizendo que enganou-se, que desiste. Mas o choro aumenta se pensa em ficar. Sua mãe a abraça e diz que tudo ficará bem. Ela sabe que sim, mas chora... Um choro de transformação, um choro de alívio por algo que passou, um choro de esperança pelo que virá. O último choro de criança.
Nesse momento, entre lágrimas, abraços e poucas palavras ouve-se o ruído distante do trem. "Ele está chegando", ela diz, com um sorriso a iluminar seu rosto.

14 de agosto de 2009

Semente

- O que você vê?
- Uma semente. Pequena, escura, na palma da sua mão... É uma semente.
- Pense bem... Não vê nada mais?
- É uma semente né?
- Sim, mas não tem nada além disso?
- Claro que não! O que mais há para ver? Você está segurando uma semente na sua mão.
- Está bem (suspiro). Vou ter que te mostrar. Olhe bem para a semente.
- E? O que tem?
- Não é o que tem que importa, mas o que é.
- Quê?
- Você vê uma semente, certo?
- (Suspiro) Sim.
- Eu não. Agora feche os olhos e me ouça.
- Tá...
- O que tenho na minha mão é, na verdade, um pomar. Ou uma floresta, quem sabe... Imagine... Uma floresta com muitas árvores, onde animais vêm habitar, vêm se proteger, onde há frutos de vários tipos que servem de alimento para eles... Imagine que beleza!
- Eu acho que você tá viajando... É só uma semente. Ela pode não dar certo, não crescer, ou ser cortada, ou... Ah! Sei lá.
- Você vê fatos, eu vejo o potencial. Você vê uma semente, eu vejo uma floresta.