21 de fevereiro de 2010

As pedras e o mar


Eu quis fugir do vento, da chuva, do tempo, de mim. Escondi-me atrás de umas pedras frias, sozinha. Olhei para os lados e certifiquei-me de que ninguém iria me ouvir. Não havia mais ninguém, praia deserta, tudo que eu queria. O silêncio profundo me permitia ouvir as batidas aceleradas em meu peito. Fortes, compassadas, uma melodia nova e misteriosa. Contei às pedras meu segredo. Meu coração se acalmou. Alívio.
O mar estava quente e transparente, mas inquieto. Um reflexo meu. Mergulhei no mar, mergulhei em mim. Perdi-me nas ondas, nadei nas lembranças que iam e vinham com a mesma força da correnteza.
Voltei para as pedras, cada vez mais geladas. Encontrei uma pedra pequena pelo chão. Escrevi na areia, fiz rabiscos sem forma. O mar apagou tudo. Agora ele também sabe.
Pedras mudas. Mar inquieto. Meus guardadores de segredo em uma tarde nublada.