13 de abril de 2011

Feixe de luz

Talvez a complexa arte de explicar pensamentos não faça parte da minha caixa de talentos, e, no fim, todas as palavras mirabolantes aqui escritas sejam em vão. Afinal, como explicar feixes de luz que em um momento estão aqui, e já no outro vão embora, nos deixando apenas com a sensação de quão efêmeras são as ideias, de quão efêmera é a vida?... Talvez a opção mais fácil fosse simplesmente me calar e esperar que os pensamentos voem.

Mas as palavras teimam em querer sair, mesmo confusas, mesmo incompletas. Ainda que seus singelos significados não expressem a imensidão de pensamentos que deveriam aqui estar descritos, elas buscam, numa luta apaixonada, por pra fora a lava quente do vulcão. Borbulham em meu peito, em minha garganta e, por fim, em meus dedos que parecem brincar de pega-pega nessas teclas.

A verdade é que um pensamento específico não foi embora, mas fixou-se, e trouxe-se consigo sensações nunca antes agasalhadas por baixo dessa pele. Mas como explicar isso tudo, se apenas quem pensa e sente é capaz de entender em sua plenitude? E explicando-os, deixariam sua essência, para tornarem-se compreensíveis e simplórios. Adiantaria explicar? Sentirias tu a mesma coisa?

Decidi não explicar, apenas sentir, apenas pensar.
E esperar que talvez se torne concreto.

*De algum lugar surgem os textos, e isso se chama inspiração, que vem como um feixe de luz, como um raio de sol.

10 de abril de 2011

Olhos de estrela

Olhei para o céu essa noite e vi as estrelas, milhares delas. Lantejoulas do manto noturno, sonhos de apaixonados, habitações de príncipes fictícios.


Lembrei que elas sempre estão lá, não importa quão iluminada seja a cidade, ou quão nublado esteja o céu. As circunstâncias efêmeras não as enganam, elam permanecem brilhando, sabendo que hora ou outra vão aparecer e embelezar a noite, dar esperança aos apaixonados e abrigar histórias a serem contadas.


Notei que o céu que contemplo é o mesmo que está sobre ti, onde quer que estejas. Fiz, então, das estrelas teus olhos. Se, por um pequeno instante, te lembrares de mim, olha para elas e vê meus olhos que sorriem pra ti.


Escrito em: 03/02/2011

4 de abril de 2011

Surpresa

Planos, planos, planos.... Como gostamos de planejar!
A roupa que vou no casamento, as próximas três faculdades que quero fazer, as músicas que irão tocar, as conversas com hora marcada, cursos disso ou daquilo, semestres a mais na faculdade, onde vai ser a próxima pizza, sobre o que vai ser o próximo texto, filmes, passeios, amigos, amores. Tudo planejado. Controlado. Mapeado. Daqui a três, quatro, cinco anos estarei fazendo e-xa-ta-men-te isso.
E então acontece. Uma simples chuva, um tempinho de distração, um olhar devolvido, um nota que pareça diferente, um sorriso meio escondido, e tudo parece ter sido alterado. "Surpresa", Deus nos diz. "Meus pensamentos são mais altos". Assim, aparece o amigo fora de hora, a dança espontânea, a nova canção, a viagem maravilhosa feita às pressas, o amor inusitado.
Obrigada, Deus, pelas Tuas surpresas, pelos Teus mistérios, pelas cores que Tu dás à vida.

Na tarde chuvosa

Foi só um raio de sol que bateu na minha janela. Ainda chovia. Mas a sua gentileza e suavidade me fizeram sentir por um momento o calor do início do verão. As gotas de chuva que apostavam corrida no vidro também sorriam ao vê-lo. Quem sabe já era hora de acabar com os dias cinzentos, hora da chuva descansar e das crianças brincarem de pega-pega no parque? Quem sabe já não era o tempo de acabar com os dias solitários, acompanhados apenas de livros de romance com suas histórias irreais?
E, então, o raio de sol voltou a esconder-se atrás das nuvens carregadas, deixando gotas, crianças, janela e coração esperançosos com sua volta.

31 de março de 2011

Quem faz a história


Quem faz a história é quem ousa sair do lugar. É aquele que fecha os olhos, sente o vento e respira fundo, dando o primeiro passo.
Quem faz a história é aquele que faz muito mais do que fala e, quando fala, o faz com sabedoria.
Quem faz a história é quem não se contenta com pouco, mas olha adiante e vê o quanto ainda há pra viver.
Quem faz a história cria asas e também as coloca nos outros para que todos voem juntos.
Eu quero fazer a história!

I'm gonna be a History Maker in this land
I'm gonna be a speaker of truth to all mankind
I'm gonna stand, I'm gonna run
Into your arms, into your arms again

1 de março de 2011

Furacão

É hora de derrubar os muros que construímos ao nosso redor com tijolos de medo e de orgulho. Precisamos de um furacão, que nos tire do lugar, nos sacuda. Na bagunça deixada, em meio a lembranças e imagens, revemos o que estava escondido, o que havia ficado pelo caminho e finalmente nos damos conta do que os muros nos impediam de enxergar. Então olhamos os rostos, as mãos e os olhos das pessoas e percebemos que não estamos sozinhos.

O mesmo que disse "eis que estou à porta e bato" também disse "se alguém receber o que eu enviar, me recebe a mim". Ouvimos as batidas, mas não entendemos e não os recebemos. Trancamo-nos em nossa torre inacessível, pensando estarmos seguros de toda desconfiança, das traições e intrigas, das quais esse mundo está cheio! Afinal é um perigo nos expormos! Errado. Os relacionamentos são necessários. As amizades enchem as tardes de sol e as noites de risos e lágrimas. Os erros cometidos nos amadurecem. Só é preciso saber amar. Só é preciso saber perdoar.

Que venha o furacão! Que caiam os muros! Que estejam abertos os corações! Abertos para amar e serem amados, para perdoar - "se setenta vezes precisar, vezes sete se preciso for". Deus ama pessoas e amá-lo requer esse desafio.

"Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.". João 13:34-35

8 de fevereiro de 2011

Inesperado


A aventura de viver cada dia. O desafio de acreditar no invisível. Cada página do livro é única e capaz de trazer mudanças, pessoas, surpresas, novidades para o enredo.
Não conhecemos tudo de uma vez, senão qual seria a graça? Vamos sabendo aos poucos, descobrindo e vivendo os detalhes da história, escrita com cuidado pelo Autor da Vida. E cada página virada é um novo dia, uma nova oportunidade de crescermos, de nos surpreendermos.
Isso é ter fé. Fé não apenas para que os sonhos do personagem se realizem, mas para que o Autor realize os Seus sonhos nas Suas criações. E aí está a aventura, nós nunca sabemos o que poderá vir na próxima página. Nós esperamos o inesperado.

30 de janeiro de 2011

Menina de gelo


Menina de gelo, olhos fechados, pele fria, congelada de medo, inacessível.

Menina de gelo, mantém todos distantes, sopra frio e fala flocos de neve.

Menina de gelo, secretamente chora lágrimas de cristal, à espera do raio de sol que a transforme em rio corrente.

Menina de gelo, até quando sustentarás a tua frieza, calando a pequena chama acesa dentro de ti?

24 de janeiro de 2011

Livro grosso

Qual seria a graça se o caminho fosse fácil?
Que história haveria de ser contada depois de tê-lo percorrido?
Quero um livro grosso e não um bloco de anotações.

21 de janeiro de 2011

Toque final

O processo é difícil.
Detalhes pensados, calculados.
Leva até um bocado de tempo.
Monta, desmonta.
Começa embaixo, volta pra cima.
Dá a volta, reescreve.
O bolo está pronto.
O poema escrito.
A árvore montada.
Agora o toque final.
Simplicidade.
Um, dois, três e... pronto!
Estrela da árvore de natal.
Chave de ouro do poema.
Cereja do bolo.
Agora pode começar a festa.