19 de maio de 2011

Céu e mar

Sentei à beira da praia, com os pés molhados, cansada de caminhar pela orla. Com o vento batendo no rosto, de costas para o sol que se punha, fechei os olhos, abri novamente e me dei conta. Tudo azul.
Nunca havia parado, sem pressa, para observar a praia, sem pensar em fazer coisas, apenas enchendo os olhos de beleza. Parece que essa tarde meus olhos se abriram para o novo. E era azul.
O tom mais claro no céu, que combinava com o escuro do mar, fazendo do horizonte um encontro de equilíbrio, uma linha degradê. Calmo e tímido azul.
A tranquila imensidão me mostrou que apenas quando paro de correr, sento e descanso posso contemplar os detalhes, sonhar azul e sorrir sem motivo.

16 de maio de 2011

Ser luz

 "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." Mateus 5:14-16



Se somos luz, nossa função é iluminar a todo tempo, apontando para a Estrela da Manhã, nossa fonte, nossa razão.
Se somos luz, não fugimos da escuridão, mas vamos ao seu encontro, pois ela nada mais é que falta de claridade. A escuridão clama a nossa presença.
Se somos luz, demonstramos toda a nossa essência, o amor, ao iluminarmos lugares escuros ao invés de nos escondermos, tendo consciência de identidade e de propósito, cumprindo a nossa missão.
Se somos luz,  temos um sorriso para dar quando há lágrimas, um abraço no tempo de dor, uma palavra certa salgada com a verdade, um perdão a ser pedido, outro a ser recebido.
Se somos luz, não passamos reto, não fingimos não ver, não falamos demais. Antes, tudo que temos, somos e fazemos reflete a glória de quem nos amou primeiro.
Ser luz é agir.
Ser luz é se importar.
Ser luz é amar.

15 de maio de 2011

Dia nublado

Talvez nem todos os dias o sol apareça, tudo fica meio cinza, meio triste, meio quieto.
Podemos até duvidar da sua existência nesses dias, mas não pense que ele não está lá. Ele está sim, inabalável. São apenas nuvens passageiras que o escondem, nos deixando um pouco temerosos, um pouco no escuro.
Continuamos esperando até que passem as nuvens, e ele surja, sorrindo timidamente, nos deixando certos de que no outro dia ele voltará, como sempre.

13 de maio de 2011

Dia de sol

Hoje acordei junto com o sol. Apenas poucas linhas laranjas no céu escuro. A lua, que partia, observava de longe, com aquele ar melancólico de quem gostaria de poder ficar.
Saí de casa e ele, tímido, de deu um oi. Agora não eram apenas linhas, o alaranjado já havia se espalhado bem mais, contornando as formas à minha frente.
Durante o meu caminho, vendo tudo da janela do ônibus, percebi que aos poucos ele avançava em sua trajetória. A luz ia tomando conta de cada espaço sombreado, bem aos poucos, bem devagar. Não precisei pedir que ele viesse, aconteceu simplesmente.
O raio de sol bateu na janela e me aqueceu.
E assim será todos os dias, para sempre.

11 de maio de 2011

Entrelinhas

Quase sempre há mais informações nas entrelinhas do que no texto em si. Às vezes parece que os segredos estão na beira do precipício, quase pulando das bordas das letras. Às vezes, eles ficam calados no silêncio e na espera, transformados em reticências, que talvez não signifiquem o "nada", mas o "tudo", contido e bem guardado.

Todo esse exercício de semântica e caça-palavras é interessante, apesar de certas vezes eu querer chutar o balde. Escrevo tudo que gostaria de falar claramente, letra por letra. "Bruna Konrath está digitando...". Releio, não mando e apago. Mando só as reticências...

É bom decifrar os mistérios das entrelinhas, sem pular etapas.

9 de maio de 2011

Instante

Então parecia que o mundo havia parado de girar. As vozes ao meu redor tornaram-se um ruído quase imperceptível. Os traços dos rostos ficaram desordenados.
Só havia um rosto, um par de olhos, uma voz e uma palavra - a mais bela e, ao mesmo tempo, a mais triste daquele dia inteiro.
"Tchau" - me disse o sorriso tímido.

E foi assim que um pequeno instante coloriu um dia meio cinzento.

E foi assim que um pequeno instante tornou o sonho um pouquinho mais concreto.

5 de maio de 2011

Queria dizer

Verbo querer conjugado na primeira pessoa do pretérito imperfeito do modo indicativo: queria.
Conjugação verbal que descreve fatos passados (ainda) não concluídos, que permanecem em suspensão, à espera de um desfecho presente ou futuro.

Queria dizer, fazer, cantar.
Queria poder, voar, sonhar.
Queria correr, dançar, amar.
Queria estar, conseguir, gritar.
Queria escrever, ser, encontrar.

Ou talvez seja só uma maneira mais tímida de dizer quero, no presente, agora.
Queria é o modo polido, talvez sem coragem, mas que sabe esperar.

2 de maio de 2011

Me fiz criança

As lágrimas rolam no rosto.
Histórias nunca vividas são contadas ao travesseiro.
A boneca de pano me abraça e diz que vai ficar tudo bem.
Músicas de ninar tentam acalmar a tempestade aqui dentro.
Nessa noite, me fiz criança.
E meu Pai me pegou no colo.

29 de abril de 2011

Aventura

Como conciliar o gosto pelo mistério com a vontade de conhecer mais?
Apesar da beleza do mistério, de nada serve se não para ser desvendado. O enigma é interessante no princípio, mas a sua existência pede um desfecho, mesmo que trágico, de preferência belo.

Como posso me encantar com o silêncio enquanto o que mais quero é ouvir o som?
O ruído do silêncio pode ser doce algumas vezes, mas também pode tornar-se angustiante se nunca for quebrado por palavras completas, que preenchem as lacunas deixadas pela quietude.

Como compreender que é a indiferença que me faz buscar os olhos?
A constância não é instigante, mas estes são olhos de frequência rara. São como um mar a ser explorado, cheios de mistérios nas profundezas, que vão sendo descobertos aos poucos, conforme avança o aventureiro mergulhador.

Descobrir cada detalhe e aguardar o próximo mistério é o que faz disso a minha aventura.