26 de setembro de 2011

Imperfeição

Eu sou muito emotiva e impulsiva. Não tenho paciência com pessoas inconvenientes. Não gosto de repetir muitas vezes a mesma coisa. Choro muito, até por coisas bobas. Sou perfeccionista. Às vezes quero ser independente e fico brava quando falam que mulheres não conseguem alguma coisa... Talvez eu tenha tendências feministas mesmo. Sou um pouco mimada. Já fui muito complexada sobre mim mesma, e isso pode vir à tona. Não falo tudo o que penso, guardo muito coisa, e isso às vezes me faz muito mal. Não sou a maior fã de crianças que conheço, nem pretendo ter filhos cedo. Me importo com aniversários. Dou muitas indiretas. Não fico de bom humor cedo da manhã. Não entendo nada de matemática, só faço contas na calculadora. Tenho momentos de muito silêncio. Tenho momentos muito, muito tagarela. Tenho TPM. Como muito chocolate. Como mais chocolate ainda durante a TPM.
...
...
... Essa lista poderia continuar por muito tempo.

Mas só peço que me ames, apesar dessa imperfeição, e consigas encontrar em mim algo de bom para nunca mais me deixar, pois isso seria o fim do meu ar. Mesmo tentando ser sempre melhor, o erro é inevitável. Só peço então que me ames ainda, pra me perdoar e me abraçar quando eu estiver confusa e imperfeita. Essa inatingível perfeição que busco não é para nada além de te fazer inteiramente feliz.

6 de setembro de 2011

Beatriz

Ela era feita de sonhos e poesia, contava flores, cultivava histórias. "Bem-me-quer, mal-me-quer", recitava baixinho sorrindo, sem prensar se a frase tinha um sujeito ou não. Era morena, morena-rosa, como dizia a mãe. Os olhos escuros, como os do pai, eram grandes, curiosos e observadores. Ainda não era adulta, tampouco era criança. As tias a chamavam "moça", as professoras, "adolescente".
Gostava dos doces da mãe, das músicas do pai, das histórias do avô. Gostava de caminhar sozinha, olhando para o chão. Gostava de sentar em um banco qualquer da praça da pequena cidade, sentindo o sol queimar-lhe o rosto. Gostava do vento, que não se sabe de onde vem nem para onde vai, que não tem raízes. Gostava das palavras, mais das escritas do que das faladas – carregava sempre um caderno e uma caneta para não deixar as ideias escaparem. Gostava dos presentes que a tia mandava da capital.
Ainda tinha fortes lembranças das lágrimas ardendo no rosto e dos soluços silenciados para não deixar a mãe ainda mais triste. Mais de um ano havia se passado e a saudade da irmã doía mais na hora de dormir. O espaço vazio no quarto, o silêncio no lugar das conversas curtas e sonolentas. Ela descobriu então que a vida não passa de um sopro, e seus olhos perderam um pouco do brilho da infância.
Os livros que tinha eram lidos até a página cento e poucos, anotava receitas e nunca as fazia, escrevia cartas e jamais as enviava. Talvez a falta de coragem a fizesse viver um pouco pela metade. Talvez a vida fosse mais sonhada do que vivida.
*Texto para a Oficina de Produção Textual - Tema: Apresentação

28 de agosto de 2011

Pés molhados

Nossas palavras sussurradas ao vento, escritas nos cadernos escondidos, foram enchendo o balde.
Os pingos de reticências deixaram-no quase transbordando...
Às vezes esbarramos nele, derramando um pouco de água pela sala.
Agora, não adianta mais colocarmos toalhas em volta, parece que nada mais consegue conter a água cristalina que jorra.
Já estou com os pés molhados.
E estou aprendendo a nadar.
Daqui a pouco chuto o balde e mergulho nesse mar profundo.

*Escrito em 19/05/2011

23 de agosto de 2011

Censura

Escondo minhas palavras secretas de ti e do mundo, por paciência, por precaução. Saiba que não faço por mal, mas por entender que cada palavra tem seu momento certo para vir à tona, apesar de poder nascer a qualquer instante. Por isso guardo todas, para um dia te mostrar.

Tu escondes as tuas palavras de mim também. Queres lembrar do que sentias, queres ver se estavas certo. Tuas palavras são teus pensamentos e memórias que saltam do encontro das tuas duas realidades paralelas - a trivial e a reflexiva. Não me mostras porque não gostas de te expor, mas eu sei que tu também entendes o tempo.

Escondemos nossas palavras um do outro, ampliando o segredo e o mistério. Sabemos que elas existem, guardadas sob senhas seguras, mas não ousamos mostrá-las. Censuramos nossas declarações, sonhos e utopias. Cuidamos delas, esperando o tempo de despertarem.

*Texto censurado em 17/05/2011

19 de agosto de 2011

Somos sóis

Amanheceu. Pude ver os raios de sol, senti-los suaves na minha pele.
É o sol mais belo que já vi, pois não apenas simplesmente brilha, mas me faz brilhar também.
Tornamo-nos dois sóis, de brilhos distintos. Um ilumina o outro, equilíbrio.
Tua luz azulada me dá a calma que não encontro nos meus raios vermelho-sangue. Estes, por sua vez, te fazem pulsar e ver que há muito mais para se viver.
Esse equilíbrio de cores e luzes me faz tão bem que pareço voar, cada vez mais para perto do meu sol azul.
Permanecerei brilhando até que não haja mais forças em mim. Estarei para sempre suspirando por teus tons azuis que me completam.
Somos sóis, somos luz.

"Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua idéia: - Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música."

O Pequeno Príncipe

* Escrito em 24/05/2011

15 de agosto de 2011

Utopia

Queria que teus olhos fossem pra sempre meus, assim meus olhos nunca se sentiriam sós.
A tua voz seria pra sempre melodia da minha vida e me faria dançar a tua música.
Eu saberia tua senha e leria tuas frases secretas, sem me importar com pontuações.
Tu também lerias as minhas e ouvirias minhas canções escondidas, de melodias erradas.
As reticências só existiriam naqueles momentos em que palavras não são mais necessárias.

Mas tudo isso são utopias...
As incertezas e receios que ainda existem não me deixam acreditar, apesar da esperança que me dão tuas entrelinhas.

*Escrito em 15/05/11

12 de agosto de 2011

Certezas

Se é de certezas que tu precisas, deixa que eu te dou a minha. Deixa os meus olhos confirmarem o que as palavras já deram a entender.

Se te dou minha certeza, fico em falta, preciso da tua em retorno. Permita que eu mergulhe no fundo desse oceano pacífico e desvende-o, e descubra se há algo meu escondido nas profundezas.



*Escrito em 15/05/2011

10 de agosto de 2011

Se eu pudesse

Se eu pudesse, recolocava as estrelas no céu, de modo a escreverem teu nome.
Se eu pudesse, colocava alguns raios de sol numa caixinha para ti usá-los nos teus dias nublados.
Se eu pudesse, eu faria do arco-íris uma grande passarela para passearmos de mãos dadas pelo céu.
Se eu pudesse, pediria para o pôr-do-sol durar mais tempo para ficarmos lá só observando e fazendo nada.
Se eu pudesse, faria nascer um novo tipo de flor, azul e rara, que seria chamada pelo teu nome e com a qual enfeitaria toda a minha casa.
Se eu pudesse, te levaria para viajar um um cometa, iríamos até a lua para ver se há mesmo um coelho por lá.
Se eu pudesse, mudaria o som das batidas do meu coração de "tum-tum" para as duas sílabas do teu nome.
Se eu pudesse, escreveria um livro inteiro só para ti.
Se eu pudesse, pararia o tempo bem naqueles momentos em que nossos olhos se encontram e nada mais precisa ser dito.

*Escrito em 10/06/2011

2 de agosto de 2011

Menina

Sempre te vi menina, de maria-chiquinha, ursinho de pelúcia e pirulitos. Resolvi te cuidar, te contar histórias, ouvir as tuas, rir contigo. Tu nunca choravas, mesmo em estradas pedregosas saltitavas entre as rochas com um riso contagiante. Eras menina, eras criança.

Um dia percebi em ti outras cores, na verdade, uma opacidade trazida pelo tempo. Não era algo ruim, mas aquele cintilar infantil aos poucos sumia. Agora tens estado mais séria, tens te preocupado mais. E esses dias até te vi chorar. Estávamos só nós duas, me contavas tuas novas histórias, dessa vez não havia risadas.

O tempo sempre passa, menina. Com ele vêm as novas histórias, as primeiras lágrimas, o coração que começa a falar. Descobres então mais sobre ti, sobre o mundo. Ainda és menina às vezes, já és quase adulta também. Só não perde esse brilho nos olhos, esses sonhos estrelados, as tuas palavras doces. Cresce, mas nunca deixa de ser menina.

12 de julho de 2011

Sal da terra

"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar?" Mateus 5:13a


Esta foi a identidade que Jesus nos deu: sal da terra. Mas Ele segue a frase com uma pergunta: se o sal foi insípido, com que se há de salgar? E se vocês não fizerem a diferença? A quem enviarei?
Sempre há como perceber se a comida está sem sal, ela fica sem graça, sem sabor. Assim é a nossa vida sem o tempero da palavra de Deus. Assim estão aqueles que não conhecem o Senhor. E, se a nossa vida e as nossas palavras não estiverem temperadas com esse sal, e não servirmos de tempero ao mundo, quem há de temperá-lo? Quem há de influenciar as pessoas? Se a Igreja não salga, outros insípidos influenciam os que já estão sem tempero.
Nesses últimos dias tenho ouvido muito sobre a Igreja tomar posição, compreender o chamado que Deus nos fez de sermos a diferença do mundo, marcar as pessoas, pregar o Evangelho puro, simples e verdadeiro, ser sal da terra.
Ouvi sobre a Cultura do Reino, que muito se difere da cultura evangélica, das tradições, da religiosidade, do sentar no banco domingo e voltar para casa do mesmo jeito. Nada tem a ver com fazer muitas coisas também. Cantar, dançar, interpretar, escrever, pregar! De nada vale se não estamos salgando vidas.
Em primeiro lugar, para quem vive a Cultura do Reino, cristianismo não é religião, mas relacionamento com o Deus vivo. Quem vive a Cultura do Reino anda em santidade e vive a transformação de dentro para fora. As oportunidades não são perdidas, pois o amor genuíno, vindo de Deus, os leva às pessoas. E assim, todas as ferramentas que Deus nos deu viram um meio para chegarmos à finalidade: salgar a terra, marcar pessoas, influenciar vidas.
Minha oração é para que façamos parte dessa geração que vive a Cultura do Reino, que deixa de viver uma vida egoísta, para conhecer profundamente o Senhor e, assim, fazer a diferença.