29 de abril de 2010

Beija-flor



"Os homens cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa."
Antoine de Saint-Exupéry, no livro O Pequeno Príncipe

E o pequeno beija-flor continua voando, observando cada flor do jardim. Ele espera uma palavra que o faça acreditar. Seu coração bate rápido e, ansioso, ele dança entre as flores. Não toca, porém, em nenhuma, nem chega muito perto. Quando encontrar a sua, será somente dela.

28 de abril de 2010

Autor da vida

Antes eu escrevia as páginas do livro sozinha. A história era tão confusa! Cheia de riscos, marcas... Até furado o papel ficava! Eram frases soltas, sem nexo que iam a lugar nenhum.
Então eu te encontrei. Tu, meu amigo, que restauraste as páginas manchadas e furadas, fazendo delas cicatrizes e testemunhas do que antes havia sido o livro. Também me mostraste páginas novas, em branco, e me disseste "vamos escrever juntos?".
A partir daí tu pegaste na minha mão e foste me contando o novo enredo misterioso dessa história. Enchemos as primeiras novas páginas de passos e promessas. Então comecei a perceber que, mesmo fazendo parte da história, não sou mais eu quem guia o caminho. Agora sou conduzida por ti nessa dança e posso dançá-la de olhos fechados. A letra continua sendo minha, mas as descobertas e aventuras são todas ideias tuas. E como é difícil e maravilhoso ao mesmo tempo! É difícil não planejar, é difícil esperar, é difícil enfrentar o desconhecido. É maravilhoso saber que tu me amas e tudo fazes para o meu bem pela tua boa, perfeita e agradável vontade. É maravilhoso saber que, depois desse suspiro efêmero de vida, há ainda uma eternidade a ser dançada, à qual tu me deste acesso. Por isso eu descanso e confio em ti, Autor da minha vida.

20 de abril de 2010

Guardado



"Your hand is where my heart belongs" (Always, Kirk Franklin)

Eu o arranquei e o joguei na estrada. Fiquei olhando. Estava tão estranho... Grande, vermelho, sangrando, pulsando, tremendo. O que será isso? Sonho? Ilusão? Vontade? Doença?
Peguei-o de volta e o lancei no meio das flores. Assustadas, elas se afastaram. Corri até ele para buscá-lo. Talvez eu pudesse jogá-lo em outro lugar. Mas ele já estava sujo, cansado, sozinho. Chorava porque ninguém quis aquietá-lo, ninguém quis pegá-lo nas mãos e cuidá-lo.
Então você pareceu. Perguntou se eu queria que você cuidasse dele. Será que você cuidaria bem? Sim, ninguém melhor para cuidá-lo do que quem o criou, que o conhece melhor do que eu mesma. Deixei-o em suas mãos.
Agora você cuida de cada batimento, cura cada pequena ferida causada pelo meu descaso. Eu já quis pegá-lo de volta, tentar cuidar dele eu mesma. Às vezes acho que posso conseguir sozinha. Então as forças se acabam, eu tropeço, volto arrependida e o devolvo pra você.
Por favor, segure-o entre as suas mãos, pois é aí que ele deve estar.

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida."  (Provérbios 4:23)

19 de abril de 2010

Always

You know i've had some lonely days
I've made mistakes and had to pay
I've had some friends that walked away
Just like mama told me

But there's someone who's love is real
Who cares about the way i feel
Every pain, any race, every stain
There's peace when i call out your name
 
Jesus, You're my everything
The cross You did that just for me
So whatever You take me through
I promise You
I'll spend my always with You

No one can touch my heart like you
Or make me smile the way You do
I finally found someone who
Who really truly loves me

And when my strength has come and gone
Your life in me it makes me strong
Your hand is where my heart belongs
You took all my pain
And erased every stain

Jesus, You're my everything
The cross You did that just for me
So whatever You take me through
I promise You
I'll spend my always with You

Jesus, my whole life has changed
Since that day i cried Your name
For everytime You brought me through
I promise You
I'll spend my always with You



16 de abril de 2010

Questões

Pontos de interrogação que escapuliram das caixas essa noite. Eles não precisam ser respondidos. Eu só precisava escrever...

Será que temos mesmo que ficar sempre com um sorriso no rosto, como uma boneca de plástico, repetindo "tudo bem" pra todos que passam?
Será que temos que manter a pose equilibrada, preocupando-nos com a opinião alheia, com o escândalo, com a fofoca? 
Será que nossas emoções só podem ser afloradas em uma página da internet fria e vazia?
Será que nossas tempestades tem que ser sempre abafadas e não podemos realmente gritar e chorar?
Será errado mostrarmos as nossas fraquezas, expormos a nossa dor ou dificuldade?
Por que apenas a felicidade pode ser compartilhada e cantada aos quatro cantos?
Você vai se sentir mal se eu chorar na sua frente, ou vai perder a esperança se eu disse que estou triste?

Sinto muito, sou humana e não escondo a minha humanidade.
Erro, choro, grito, entristeço, enfraqueço, caio, paro, acho, julgo, quero... Mas na minha fraqueza Ele opera fortaleza. E mesmo que eu decepcione alguém, o que pode acontecer sempre porque não sou perfeita (e nem você é), Ele não desiste de mim e nem de você.
A Sua paz excede todo o entendimento.
O Seu amor é incompreensível.
Mas é mais real do que qualquer coisa.

Música do dia...

Rest in You - Hillsong United

Your faithfulness endures always
Where mountains fall and reason fails

And You calm the raging seas

And You calm the storms in me again

All I know is I find rest in You

All I know is I find rest in You

My heart will praise throughout the night

Where singing seems a sacrifice

Your grace is all I need

Your grace is all I need




AVISO: esse post foi um devaneio depois de um dia corrido. Não leve tudo tão a sério, tá? Eu amo hipérboles, tempestade em copo d'água... coisas assim. Desculpe qualquer coisa =/

14 de abril de 2010

Caixas

Guardei tudo em caixas. Lembranças, segredos, presentes, cartas, sonhos. Comecei com uma caixa pequena. Cresci, e agora são muitas e bem maiores. Não são caixas de esquecimento, mas caixas de segurança.
Tudo estava espalhado no tapete da sala, muito à vista, muito exposto. Volta e meia alguém tropeçava, ou outro via alguma coisa interessante e dava sua opinião. Não é assim que funciona... A vida não é uma revista à venda nas bancas que qualquer um compra, olha, comenta. Também não é uma novela pra que outros acompanhem pra ver como vai ser o final.
Agora está tudo guardado, seguro, cuidado. Nada vai ficar empoeirado, melado ou mal falado. Poucos terão acesso às caixas, mas eu sei que muitos vão querer mexer nelas, espiar e vão até mesmo conjecturar o que pode haver ali, e isso é inevitável. Só não me importarei mais. Aprendi a entender o tempo e o modo, aprendi a esperar, me aquietar. Às vezes o coração fica nervoso, ansioso ou bravo e bate forte... As caixas balançam e parece que tudo vai desmoronar! Mas eu sei em quem confio. É Ele que me dá paz. A paz que excede todo entendimento.

6 de abril de 2010

Futebol




"Por sorte ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade."

"De Friedenreich em diante, o futebol brasileiro que é brasileiro de verdade não tem ângulos retos, do mesmo jeito que as montanhas do Rio de Janeiro e os edifícios de Oscar Niemeyer."

"Mas pelo menos no futebol há alguma possibilidade da ascensão social para o menino pobre, em geral negro ou mulato, que só tem a bola como brinquedo: a bola é a única varinha mágica em que pode acreditar. Talvez ela lhe dê de comer, talvez ela o transforme num herói, talvez em deus."

Eduardo Galeano - Futebol ao sol e à sombra


E eu estou apenas no início do livro...

24 de março de 2010

Você conhece o Paulo?

     Hoje decidi contar uma história diferente. Ela pode parecer um pouco bobinha até. É sobre um menino, chamado Paulo, que não gostava de goiabada. Tudo começou quando Paulo viu um pedaço de goiabada na mesa do café da manhã no sítio de seu avô. Acho aquilo um pouco estranho... Parecia um tijolo vermelho e gosmento. Chegou perto e cutucou o doce com uma colher.
     "Ai que nojo! Isso parece horrível!"
     Naquele dia ele tomou seu café apenas com um pedaço de bolo de milho, sem provar do tal doce, apesar de toda a família parecer gostar.
     "Aposto que todos estão fingindo, só pra agradar a vovó. Isso é gosmento, vermelho e tem um cheiro enjoativo."
     Ao voltar pra casa, comentou com seus amigos na escola sobre o doce estranho que tinha visto no sítio. Alguns disseram nunca terem provado, outros afirmavam que era ruim, mas havia alguns que diziam que era muito bom. Enfim, cada um na classe tinha sua opinião sobre a tal goiabada. Paulo ficou intrigado. Como pode alguém gostar de uma coisa molenga que parece um verme?
     À tarde, ele foi andar de bicicleta na pracinha perto da sua casa. Chegando lá, encontrou a Ana, uma de suas colegas de classe. Ana estava sentada na grama, na sombra de uma árvore, escrevendo em seu caderno. Ela era uma menina nova na escola, muito quietinha e estava sempre carregando um caderno. Paulo não a conhecia muito bem, mas resolveu conversar com ela, já que não havia encontrado seus amigos.
     No meio da conversa, a menina tirou da bolsa um pote, dizendo que estava com fome e que a mãe havia feito seu doce favorito: goiabada. Paulo levantou-se atordoado. Só de pensar na consistência e no cheiro daquilo já ficava irritado.
     "Como você consegue comer isso? Parece um verme, uma carne crua... Que nojo!"
     Sem ter muita noção do que estava fazendo, Paulo começou a gritar com Ana, pegou o seu caderno e atirou-o longe. Ela, sem entender o porquê daquilo tudo, perguntava ao menino se ele estava bem, se ele era alérgico a goiaba, ou qual era o problema. Paulo saiu correndo e prometeu a si mesmo nunca mais falar com aquela menina estranha.
     Alguns dias depois, na escola, Ana tentou conversar com Paulo sobre o que aconteceu, mas só o que conseguiu foi ser ignorada. Mesmo assim, ela não queria deixar a situação daquela maneira.
     Naquela tarde, a mãe de Paulo entregou-lhe um pacote bem enfeitado com um cartão.
     "Ué... Não é meu aniversário. Pra que isso mãe?"
     "Não sei. Deixaram aí pra você", disfarçou a mãe, que já estava sabendo de tudo.
     O cartão era de Ana, que pedia desculpas por tê-lo chateado tanto, mas que não entendia o motivo da briga. Além disso, ela dizia que o fato de gostar de goiabada não era motivo suficiente para eles não serem amigos. E, no final, dizia que se ele quisesse, podia experimentar o que estava no pacote e realmente ter uma opinião sobre algo que julgava apenas pela aparência.
     Era óbvio o que havia dentro da caixa. Paulo a abriu e desembrulhou uma goiabada grande e bem vermelha. Constrangido com a realidade colocada na carta - de que ele havia julgado sem conhecer -, foi até a cozinha e cortou um pedaço muito fino do doce. Fino, mas suficiente para fazê-lo pegar outro, bem pequeno. Talvez ele não tivesse sentido muito bem o gosto verdadeiro. Depois, ele pegou outro um pouco maior, só para ter certeza. E assim, Paulo comeu quase toda a goiabada numa sentada.
     Hoje Paulo é dono de uma indústria de alimentos. Fabrica e vende produtos coloniais: doce de leite, merengue, mel e goiabada, a especialidade da empresa.

23 de março de 2010

Há um lugar

Outro dia eu escrevo.
Para hoje, não há música melhor...




Há um lugar - Heloísa Rosa

Há um lugar de descanso em Ti
Há um lugar de refrigério em Ti
Há um lugar onde a verdade reina, esse lugar é no Senhor
Há um lugar onde as pessoas não me influenciam
Há um lugar onde eu ouço teu Espírito
Há um lugar de vitória em meio à guerra, esse lugar é no Senhor

Esse lugar é no Senhor

Há um lugar onde a inconstância não me domina
Há um lugar onde minha fé é fortalecida
Há um lugar onde a paz é quem governa, esse lugar é no Senhor
Há um lugar onde os sonhos não se abortam
Há um lugar onde o temor não me enrijece
Há um lugar que quando se perde é que se ganha, esse lugar é no Senhor

Jesus!
És tudo o que eu preciso, Jesus!
Eu Te preciso

22 de março de 2010



Eu posso ter balançado com o vento contrário,
Mas as lágrimas tornaram as minhas pernas mais fortes.
E agora eu caminho, quase corro.