Débora amava dias de sol. Sempre foram seus favoritos. Sabe aqueles dias ensolarados de primavera com uma brisa leve carregando o perfume das flores que desabrocham? Essa era a ideia de um dia perfeito. Até aquela segunda-feira - a propósito, o dia da semana que mais odiava.
Apesar de ser verão, o dia estava nublado, totalmente cinza, e isso a deixou brava. Justo no verão! Justo quando estava com seus amigos! Lá estava ela reclamando de novo para seu guia e melhor amigo. Por que ela tinha que enfrentar dias assim no verão?
- Tudo coopera para o bem dos que me amam, Débora - foi obviamente sua resposta.
"Mas que frase!!", pensou Débora. "Sempre quando tudo está errado ele solta essa. Às vezes parece brincadeira...". Mas no fundo ela sabia que essa é uma verdade universal e absoluta.
Ela continuou seu caminho, conversando com uma amiga. Quantos amigos havia feito nessa jornada! E melhor do que isso, quantas amizades permaneceram apesar do tempo, do cansaço, das crises...
Ela estava feliz assim. No entanto, lembrava-se de suas últimas conversas com seu Amigo, sobre caminhos que se encontravam, sobre novos sonhos. Estava confiante que aquilo tudo iria acontecer, mas a verdade é que parecia algo muito distante.
Naquela segunda-feira nublada, Débora observou um novo caminho que se aproximava do seu. Não que se cruzassem, estavam próximos apenas. Percebeu que seu Amigo também era o guia dali. Ficou curiosa. Ela bem que poderia encontrar por ali novos amigos, novas flores, até novas cores de lírios - não que os lírios laranjas fossem feios, mas ela sonhava com lírios brancos. Então, olhou para o céu e viu como as nuvens estavam ainda mais escuras. Correu com sua amiga para abrigarem-se sob umas pedras que formavam um tipo de caverna. A chuva forte castigou a terra por um bom tempo. Enquanto estava lá, Débora ficou cuidando se havia alguma movimentação na sua nova descoberta. Curiosa, saiu na chuva e ainda tentou ver mais de perto. Teve medo, podia estar de arriscando muito. Lembrou-se do conselho das pombas, no início de sua jornada, "simples como a pomba, prudente como a serpente". Ficou no limite de seu caminho apenas, procurando alguma coisa nova que fizesse seu coração pulsar mais rápido. A empolgação das novas descobertas sempre a deixam assim.
A chuva aquietou-se, ela também. Por um instante, imaginou-se colhendo lírios brancos no caminho próximo. Coisa de sonhadores... Logo chegou sua amiga, dando risadas.
- Você ficou toda encharcada, Débora! O que queria tanto ver aí?
- Nada, apenas pensei ter visto lírios brancos ali do lado.
- Ora, você e esses lírios brancos! Acalme-se e logo vai achá-los.
Naquela noite, Débora sonhou com suas flores prediletas, plantadas no cruzamento de dois caminhos.
