22 de fevereiro de 2010

Super poderes

Por causa da minha heroína favorita, sempre quis ter o poder que ler pensamentos. Até pintei o cabelo de vermelho como o dela pra ver se conseguia! Imagina! Olhar pra pessoa e saber tudo o que ela está pensando no momento. Nunca seria enganada, passada pra trás, traída. Seria poderosa, bem como a Jean Grey.
No entanto, por esses tempos questionei essa convicção de anos. Não porque esse poder perdeu o valor pra mim - mais do que nunca gostaria de tê-lo -, mas porque tive vontade de fazer outra coisa que humanamente não posso: tirar fotos quando bem entendesse sem depender de uma máquina (ou de pilhas!).
Às vezes acontecem momentos inesquecíveis e bem na hora a pilha falha (esqueci de carregar!), ou estou na rua, sem a máquina na bolsa, e vejo algo digno de ser eternizado. Por isso, tenho outro super poder na lista agora: tirar fotos com os olhos. Depois, de alguma maneira, passaria tudo pro computador... Sei lá!
Claro que deste modo eu não sairia em nenhuma foto, mas isso nem sempre é necessário. Eu ficaria feliz em saber que seria eu que teria tirado aquela foto linda daquelas pessoas ou que eu havia chegado no momento exato de bater aquela foto impressionante! Isso seria perfeito. Afinal não é assim que vivem os fotógrafos profissionais?
Não descarto o primeiro super poder. Ler mentes ainda é a minha meta! Mas quando vejo uma paisagem linda sem estar com a minha máquina, o que mais quero são fotos.

21 de fevereiro de 2010

Dia nublado

Débora amava dias de sol. Sempre foram seus favoritos. Sabe aqueles dias ensolarados de primavera com uma brisa leve carregando o perfume das flores que desabrocham? Essa era a ideia de um dia perfeito. Até aquela segunda-feira - a propósito, o dia da semana que mais odiava.
Apesar de ser verão, o dia estava nublado, totalmente cinza, e isso a deixou brava. Justo no verão! Justo quando estava com seus amigos! Lá estava ela reclamando de novo para seu guia e melhor amigo. Por que ela tinha que enfrentar dias assim no verão?
- Tudo coopera para o bem dos que me amam, Débora - foi obviamente sua resposta.
"Mas que frase!!", pensou Débora. "Sempre quando tudo está errado ele solta essa. Às vezes parece brincadeira...". Mas no fundo ela sabia que essa é uma verdade universal e absoluta.
Ela continuou seu caminho, conversando com uma amiga. Quantos amigos havia feito nessa jornada! E melhor do que isso, quantas amizades permaneceram apesar do tempo, do cansaço, das crises...
Ela estava feliz assim. No entanto, lembrava-se de suas últimas conversas com seu Amigo, sobre caminhos que se encontravam, sobre novos sonhos. Estava confiante que aquilo tudo iria acontecer, mas a verdade é que parecia algo muito distante.
Naquela segunda-feira nublada, Débora observou um novo caminho que se aproximava do seu. Não que se cruzassem, estavam próximos apenas. Percebeu que seu Amigo também era o guia dali. Ficou curiosa. Ela bem que poderia encontrar por ali novos amigos, novas flores, até novas cores de lírios - não que os lírios laranjas fossem feios, mas ela sonhava com lírios brancos. Então, olhou para o céu e viu como as nuvens estavam ainda mais escuras. Correu com sua amiga para abrigarem-se sob umas pedras que formavam um tipo de caverna. A chuva forte castigou a terra por um bom tempo. Enquanto estava lá, Débora ficou cuidando se havia alguma movimentação na sua nova descoberta. Curiosa, saiu na chuva e ainda tentou ver mais de perto. Teve medo, podia estar de arriscando muito. Lembrou-se do conselho das pombas, no início de sua jornada, "simples como a pomba, prudente como a serpente". Ficou no limite de seu caminho apenas, procurando alguma coisa nova que fizesse seu coração pulsar mais rápido. A empolgação das novas descobertas sempre a deixam assim.
A chuva aquietou-se, ela também. Por um instante, imaginou-se colhendo lírios brancos no caminho próximo. Coisa de sonhadores... Logo chegou sua amiga, dando risadas.
- Você ficou toda encharcada, Débora! O que queria tanto ver aí?
- Nada, apenas pensei ter visto lírios brancos ali do lado.
- Ora, você e esses lírios brancos! Acalme-se e logo vai achá-los.
Naquela noite, Débora sonhou com suas flores prediletas, plantadas no cruzamento de dois caminhos.

As pedras e o mar


Eu quis fugir do vento, da chuva, do tempo, de mim. Escondi-me atrás de umas pedras frias, sozinha. Olhei para os lados e certifiquei-me de que ninguém iria me ouvir. Não havia mais ninguém, praia deserta, tudo que eu queria. O silêncio profundo me permitia ouvir as batidas aceleradas em meu peito. Fortes, compassadas, uma melodia nova e misteriosa. Contei às pedras meu segredo. Meu coração se acalmou. Alívio.
O mar estava quente e transparente, mas inquieto. Um reflexo meu. Mergulhei no mar, mergulhei em mim. Perdi-me nas ondas, nadei nas lembranças que iam e vinham com a mesma força da correnteza.
Voltei para as pedras, cada vez mais geladas. Encontrei uma pedra pequena pelo chão. Escrevi na areia, fiz rabiscos sem forma. O mar apagou tudo. Agora ele também sabe.
Pedras mudas. Mar inquieto. Meus guardadores de segredo em uma tarde nublada.

15 de janeiro de 2010

Remédios não curam isso

Solidão. Me sinto só. Sei que alguns ainda me ligam, alguns ainda pensam em mim. Eles tentam conversar, tentam me entender, mas minha resposta é o silêncio. Silêncio que mascara minha dor, minha vergonha. Silêncio que aquieta o choro e o grito, vontade real da minha alma.
Espelhos quebrados. Cacos de vidro pelo chão do quarto. Quebrei-os ao ver os olhos fundos e desesperados na minha frente. Quebrei ao sentir-me marcada, manchada, suja. Espelho quebrado, alma quebrada. Quem há de restaurar esse vaso de barro feito em pedaços?
Palavras. Palavras que falei, que pensei, que deixei morrerem no canto da boca. Palavras que vem ao meu encontro. Acusação. Tentação. Abraço. Palavras de todos os tipos, vindas da boca e do coração daqueles com quem ainda ouso falar. Palavras escritas na minha pele, dizendo quem eu sou, ou quem acham que sou. Reputação ou caráter?
Noite. De noite é pior. Daí ninguém liga, ninguém fala. O silêncio permite que algumas lágrimas escapem, cortantes. Os olhos lutam querendo repousar, mas minha mente não os deixa, funciona, maquina, roda quilômetros de ilusões.
Antes. O antes era belo, era florido, eram nuvens feitas de sonhos. É o passado desencaixado com o presente. Era a princesa. Era a certeza. Era o sorriso. Hoje, a mendiga, a dúvida e o silêncio. Com uma lágrima cortante na madrugada.
Grito. "Socorro!" é meu grito silencioso. Afundo num mar próprio, afogo-me em mim.Estou morrendo por uma nova vida, por uma razão, por um sonho. Quero ser bela de novo, princesa. Quero novos espelhos. Lágrimas de alegria. Palavras de amor verdadeiro. Estrelas no céu à noite.

29 de dezembro de 2009

Num clima conto-de-fadas


Muita gente reclama dos contos-de-fadas, mas a verdade é que graças a eles eu sempre fui sonhadora. Claro que já tenho certa pré-disposição a ser assim, mas, como desde pequena lia e via muitos contos-de-fadas, às vezes eu acho que tudo aquilo realmente pode acontecer.
Podem me chamar de antiquada ou iludida, mas a verdade é que, adaptado à nossa realidade - sem sapatos de cristal, objetos que falam ou sapos de verdade -, o conto-de-fadas pode acontecer.
Podemos ter amigas preciosas que nos ajudam durante nossa caminhada. Podemos - e vamos! -, encontrar o príncipe perfeito cujas qualidades superam os defeitos e cuja alma completa a nossa. Podemos enfrentar dificuldades e encontrar pessoas não tão legais assim. Podemos ter dias especiais que marcam pra sempre a nossa vida. Podemos chorar e sorrir. Podemos amar. Podemos sonhar olhando para as estrelas... Podemos presenciar milagres.
E acima de tudo, pelo menos de minha parte, posso dizer que no final serei FELIZ PARA SEMPRE!

10 de dezembro de 2009

Quero Voar!


Olho pra imensidão do céu e grito "QUERO VOAR!"
Então percebo quão pequenas são as minhas asas...

11 de novembro de 2009

Sobre as águas

Meio sem tempo pra postar... final de semestre é assim mesmo.
Deixo, então, um vídeo com a minha "música do momento"... Fiz uma dança solo com ela esses tempos e cada vez que ouço é uma nova descoberta de mim mesma, do que Deus tem pra mim.

22 de outubro de 2009

Fotografia
















"De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-Ias voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória."

Henri Cartier-Bresson

7 de outubro de 2009

Grito forte destoando do zumbido irritante

Cansei de pré-requisitos
Cansei dos meus limites
Cansei das regras de ortografia
Cansei de teorias não postas em prática
Cansei de conceitos estabelecidos
Cansei de tentar agradar
Cansei das expectativas
Cansei de apenas ouvir
Cansei de apenas saber
Cansei da indiferença
Cansei da falta de sentido
Cansei da monotonia
Cansei de mim...

Agora é tudo posto pra fora. Grito forte destoando do zumbido irritante.

Não apenas um fósforo aceso cuja chama dura poucos segundos, mas uma fogueira em chamas, sendo constantemente abastecida de madeira e álcool. Não apenas palavras escritas em livros que nos levam a pensar no porquê de tudo, mas atitudes que mudem um pouco do todo e que talvez nem apareçam nos livros futuros. Chega dessas realidades imaginadas que duram poucas horas e nos deixam encantados com um mundo irreal de personagens inexistentes. Quero a loucura da realidade, a fraqueza e as diferenças das pessoas que clamam pela razão e que buscam o sentido da vida.

Supérfulos e vaidades cegam a juventude alienada, que acredita que, pelo fato de ter condições de ver filmes europeus e debater a política nacional, pode ser considerada sábia, um exemplo a ser seguido. Pois agora eu vejo! Mesmo que não totalmente, mesmo que ainda um pouco embaçado, eu vejo. E o verdadeiro exemplo não está nos teóricos nem nos inteligentes, que apenas conseguem escrever e falar, mas nada fazem para mudar realidades. O exemplo está em quem vive, pratica, demonstra o amor.

Música:

Aprender (Tanlan)

Coloque a culpa na história
Nos erros que o passado cometeu
Coloque a culpa nos reis de agora
Coloque a culpa no estado
Ou mesmo em tudo que é religião
Coloque a culpa no caos do acaso
Tanta gente já morreu
Sem nunca viver
E a razão já se perdeu
Sem nunca saber

Quando vamos aceitar
Todos temos tanto pra melhorar
Quando vamos entender
Antes de mudar
Temos que aprender

Alguém me mostre um alívio
Vivemos numa grande confusão
Como acabar com um problema antigo?
Não sabemos nem viver
Nada é o que parece ser
Não sabemos nem porque
Matar ou morrrer

Quando vamos aceitar
Todos temos tanto pra melhorar
Quando vamos entender
Antes de mudar
Temos que aprender a amar

5 de setembro de 2009

Esperança cor-de-rosa


Hoje eu vou andar tranquila
Fazer tudo sem pressa
Tempo pra respirar

Hoje eu vou olhar as flores
Parar nas vitrines
Sair por aí a cantar

Hoje não é nenhum dia de festa
Não tem sol na rua
Nem lágrima caiu

Hoje pode dar tudo errado
É quase primavera
No horizonte esperança surgiu

Esperança de uma vida diferente
Esperança de um sonho eterno
Esperança da flor que desabrocha
Esperança, esperança cor-de-rosa