Sempre te vi menina, de maria-chiquinha, ursinho de pelúcia e pirulitos. Resolvi te cuidar, te contar histórias, ouvir as tuas, rir contigo. Tu nunca choravas, mesmo em estradas pedregosas saltitavas entre as rochas com um riso contagiante. Eras menina, eras criança.
Um dia percebi em ti outras cores, na verdade, uma opacidade trazida pelo tempo. Não era algo ruim, mas aquele cintilar infantil aos poucos sumia. Agora tens estado mais séria, tens te preocupado mais. E esses dias até te vi chorar. Estávamos só nós duas, me contavas tuas novas histórias, dessa vez não havia risadas.
O tempo sempre passa, menina. Com ele vêm as novas histórias, as primeiras lágrimas, o coração que começa a falar. Descobres então mais sobre ti, sobre o mundo. Ainda és menina às vezes, já és quase adulta também. Só não perde esse brilho nos olhos, esses sonhos estrelados, as tuas palavras doces. Cresce, mas nunca deixa de ser menina.
2 de agosto de 2011
12 de julho de 2011
Sal da terra
"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar?" Mateus 5:13a
Esta foi a identidade que Jesus nos deu: sal da terra. Mas Ele segue a frase com uma pergunta: se o sal foi insípido, com que se há de salgar? E se vocês não fizerem a diferença? A quem enviarei?
Sempre há como perceber se a comida está sem sal, ela fica sem graça, sem sabor. Assim é a nossa vida sem o tempero da palavra de Deus. Assim estão aqueles que não conhecem o Senhor. E, se a nossa vida e as nossas palavras não estiverem temperadas com esse sal, e não servirmos de tempero ao mundo, quem há de temperá-lo? Quem há de influenciar as pessoas? Se a Igreja não salga, outros insípidos influenciam os que já estão sem tempero.
Nesses últimos dias tenho ouvido muito sobre a Igreja tomar posição, compreender o chamado que Deus nos fez de sermos a diferença do mundo, marcar as pessoas, pregar o Evangelho puro, simples e verdadeiro, ser sal da terra.
Ouvi sobre a Cultura do Reino, que muito se difere da cultura evangélica, das tradições, da religiosidade, do sentar no banco domingo e voltar para casa do mesmo jeito. Nada tem a ver com fazer muitas coisas também. Cantar, dançar, interpretar, escrever, pregar! De nada vale se não estamos salgando vidas.
Em primeiro lugar, para quem vive a Cultura do Reino, cristianismo não é religião, mas relacionamento com o Deus vivo. Quem vive a Cultura do Reino anda em santidade e vive a transformação de dentro para fora. As oportunidades não são perdidas, pois o amor genuíno, vindo de Deus, os leva às pessoas. E assim, todas as ferramentas que Deus nos deu viram um meio para chegarmos à finalidade: salgar a terra, marcar pessoas, influenciar vidas.
Minha oração é para que façamos parte dessa geração que vive a Cultura do Reino, que deixa de viver uma vida egoísta, para conhecer profundamente o Senhor e, assim, fazer a diferença.
27 de junho de 2011
Caminho azul
Débora parecia cansada de seguir sozinha. Recebera um sonho há certo tempo, mas ele parecia cada vez mais distante. Sonhara que estava na estação, esperando o trem que a levaria. Ouvia seu ruído, mas não podia vê-lo. Ela sabia que algo novo ia acontecer, mas a espera parecia nunca terminar.
Já havia conversado sobre isso várias vezes com seu Amigo. Ele permanecia lhe dizendo "espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor". Essa palavra ecoava no seu coração todos os dias. À noite, olhava as estrelas, marcas das promessas de Deus, e repetia baixinho "espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor."
Um dia, percebeu algo curioso. Havia um caminho perto do dela, cercado de flores azuis. O menino que caminhava por ali era quieto. Se chamava Rafael, já o havia visto algumas vezes, mas nunca se falaram muito. Às vezes ela o ouvia tocar. Era um bom músico. Com o passar dos dias, Débora foi ficando cada vez mais curiosa. Ouvia-o tocar, observava-o de longe, começou a sentir-se feliz em estar perto dele. Será possível? Seria essa a novidade? Preferiu esperar mais um pouco. Uma coisa que ela havia aprendido a ser era prudente, desde o início dessa jornada.
Certa vez, Débora foi colher flores e encontrou o menino misterioso. "Oi", disse tímida. "Oi", ele respondeu. A partir daí, conversavam com mais frequencia. Tornaram-se amigos, mas Débora não podia deixar de pensar que esse podia ser o seu sonho de anos, a sua promessa, o trem chegando na estação. Ela lhe mostrou suas histórias, descobriu que ele também escrevia. Ele lhe deu uma rara flor azul, que só existia à beira do seu caminho. Ela lhe deu um caderno vermelho. Ele escreveu nele versos com tinta azul. Ela lhe contou seus sonhos. Ele queria aprender a sonhar mais. Ela chorava às vezes. Ele era calmaria todo o tempo. Ela dançava. Ele tocava.
Os caminhos iam se aproximando, assim como Débora e Rafael. Seus olhos já se encontravam por acaso, e eles sorriam timidamente um para o outro. Eles já sabiam o que estava acontecendo. Mas não admitiam. Era até engraçado vê-los assim. Meias palavras, olhares rápidos, sorrisos escondidos e sonhos guardados, muitos sonhos!
Um dia ela falou do sol, que as noites eram períodos de espera e nada podia ser feito para apressá-las. Ele respondeu que o sol podia demorar, mas viria. Eles se entenderam... Não negaram mais pra ninguém que perguntava. Ele era o seu sol. Ela era sua estrela. E agora sim! O céu parecia mais azul, o ar era perfumado, as cores, mais intensas! As palavras eram todas doces, os pássaros pareciam cantar pra ela, até os dias nublados eram inspiração...
O caminho de Débora, com flores vermelhas, e o caminho de flores azuis de Rafael passaram a andar lado a lado. Eles avançavam aos poucos, com cuidado, com a prudência que haviam adquirido no início. Não era mais hora de sonharem sozinhos, aprenderiam a sonhar juntos, a sonhar com o caminho de flores roxas que viria ainda mais à frente...
Já havia conversado sobre isso várias vezes com seu Amigo. Ele permanecia lhe dizendo "espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor". Essa palavra ecoava no seu coração todos os dias. À noite, olhava as estrelas, marcas das promessas de Deus, e repetia baixinho "espera tu pelo Senhor; anima-te, e fortalece o teu coração; espera, pois, pelo Senhor."
Um dia, percebeu algo curioso. Havia um caminho perto do dela, cercado de flores azuis. O menino que caminhava por ali era quieto. Se chamava Rafael, já o havia visto algumas vezes, mas nunca se falaram muito. Às vezes ela o ouvia tocar. Era um bom músico. Com o passar dos dias, Débora foi ficando cada vez mais curiosa. Ouvia-o tocar, observava-o de longe, começou a sentir-se feliz em estar perto dele. Será possível? Seria essa a novidade? Preferiu esperar mais um pouco. Uma coisa que ela havia aprendido a ser era prudente, desde o início dessa jornada.
Certa vez, Débora foi colher flores e encontrou o menino misterioso. "Oi", disse tímida. "Oi", ele respondeu. A partir daí, conversavam com mais frequencia. Tornaram-se amigos, mas Débora não podia deixar de pensar que esse podia ser o seu sonho de anos, a sua promessa, o trem chegando na estação. Ela lhe mostrou suas histórias, descobriu que ele também escrevia. Ele lhe deu uma rara flor azul, que só existia à beira do seu caminho. Ela lhe deu um caderno vermelho. Ele escreveu nele versos com tinta azul. Ela lhe contou seus sonhos. Ele queria aprender a sonhar mais. Ela chorava às vezes. Ele era calmaria todo o tempo. Ela dançava. Ele tocava.Os caminhos iam se aproximando, assim como Débora e Rafael. Seus olhos já se encontravam por acaso, e eles sorriam timidamente um para o outro. Eles já sabiam o que estava acontecendo. Mas não admitiam. Era até engraçado vê-los assim. Meias palavras, olhares rápidos, sorrisos escondidos e sonhos guardados, muitos sonhos!
Um dia ela falou do sol, que as noites eram períodos de espera e nada podia ser feito para apressá-las. Ele respondeu que o sol podia demorar, mas viria. Eles se entenderam... Não negaram mais pra ninguém que perguntava. Ele era o seu sol. Ela era sua estrela. E agora sim! O céu parecia mais azul, o ar era perfumado, as cores, mais intensas! As palavras eram todas doces, os pássaros pareciam cantar pra ela, até os dias nublados eram inspiração...
O caminho de Débora, com flores vermelhas, e o caminho de flores azuis de Rafael passaram a andar lado a lado. Eles avançavam aos poucos, com cuidado, com a prudência que haviam adquirido no início. Não era mais hora de sonharem sozinhos, aprenderiam a sonhar juntos, a sonhar com o caminho de flores roxas que viria ainda mais à frente...
Meu amanhecer
Como o ano tem suas estações, como o dia tem seus períodos, a vida tem seus tempos, conforme Eclesiastes 3. E eu fiquei me perguntando: é tempo de quê?Descobri que em mim é o amanhecer. O sol nasceu a pouco bem ao leste, ainda há áreas um pouco escuras a serem descobertas. É tempo de despertar, de ver o que acontece ao redor, de perceber a beleza e as mazelas do mundo, de compreender porquês sem questionar muito como, de caminhar por fé.
É tempo de levantar da poltrona confortável, de andar em solos pedregosos, desertos escaldantes, de aceitar a aventura e o desconhecido, de se perder a fim de encontrar.
É tempo de amar, de descobrir o gosto por outras cores, de aprender sobre outro universo, de esperar.
Novo tempo, novas cores, o meu amanhecer.
13 de junho de 2011
Vida poesia
E é assim que a vida vira poesia.
Cada passo é uma palavra que se encaixa na outra, me botando a dançar, criando novas melodias nunca antes tocadas por essas bandas.
O sol é mais brilhante, o céu é mais azul. As flores são todas mais coloridas!
Meu olhar se perde no horizonte, sonhando acordada, repassando cada palavra, cada passo da poesia... Ou até criando novas combinações.
O pôr-do-sol geralmente me dá boas ideias.
Gosto de frases curtas, gosto de reticências, gosto de metáforas. Às vezes quero usar tudo junto, tipo agora...
Agora, quando parece que vou explodir de alegria, quando tudo parece cor-de-rosa (ou roxo!), quando tudo fica mais concreto.
É assim. Pra mim, poesia é coisa bonita, poesia é alegria, poesia é amor.
Vida poesia
Cada passo é uma palavra que se encaixa na outra, me botando a dançar, criando novas melodias nunca antes tocadas por essas bandas.
O sol é mais brilhante, o céu é mais azul. As flores são todas mais coloridas!
Meu olhar se perde no horizonte, sonhando acordada, repassando cada palavra, cada passo da poesia... Ou até criando novas combinações.
O pôr-do-sol geralmente me dá boas ideias.
Gosto de frases curtas, gosto de reticências, gosto de metáforas. Às vezes quero usar tudo junto, tipo agora...
Agora, quando parece que vou explodir de alegria, quando tudo parece cor-de-rosa (ou roxo!), quando tudo fica mais concreto.
É assim. Pra mim, poesia é coisa bonita, poesia é alegria, poesia é amor.
Vida poesia
1 de junho de 2011
26 de maio de 2011
Dependência
O medo de andar pelo desconhecido, pela estrada nova. O frio na barriga antes de começar a dança. O receio de fechar os olhos e dar o passo.
Danças de erros e acertos.
Dependência.
Num mundo onde todos querem ser independentes e donos de suas vidas, tudo o que eu quero é segurar em Teus braços e Te deixar me guiar. Subir nos Teus pés e dançar como menininhas dançam com seus pais. Não me preocupar com o que virá, com o que será, apenas confiar e Te deixar conduzir a minha dança, a minha vida...
Danças de erros e acertos.
Dependência.
Num mundo onde todos querem ser independentes e donos de suas vidas, tudo o que eu quero é segurar em Teus braços e Te deixar me guiar. Subir nos Teus pés e dançar como menininhas dançam com seus pais. Não me preocupar com o que virá, com o que será, apenas confiar e Te deixar conduzir a minha dança, a minha vida...
24 de maio de 2011
Livros
Não quero que tudo isso seja mais um conto perdido no meio de um livro de fábulas. Daquelas historinhas que fazem a imaginação voar, mas que são falsas, pois bichos e estrelas não falam.
Também não quero que seja um daqueles romances impossíveis, cheio de desencontros. Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, belas histórias, sem finais felizes.
Quero que seja um livro como os da Jane Austen, daqueles que a gente lê deitado na rede no fim da tarde. Daqueles que nos fazem rir e chorar com pequenos detalhes, marcar as frases mais bonitas e terminar de ler com um sorriso.
Também não quero que seja um daqueles romances impossíveis, cheio de desencontros. Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, belas histórias, sem finais felizes.
Quero que seja um livro como os da Jane Austen, daqueles que a gente lê deitado na rede no fim da tarde. Daqueles que nos fazem rir e chorar com pequenos detalhes, marcar as frases mais bonitas e terminar de ler com um sorriso.
23 de maio de 2011
Ante-sala
"Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens." 1 Coríntios 15:19
Às vezes esperamos demais dessa vida, temos muitos planos e projetos aqui.
Devemos lembrar que na verdade a nossa vida ainda nem começou. A eternidade nos espera muito em breve, pois esse vida terrena nada mais é do que um sopro.
Tudo o que somos e temos aqui é tão efêmero quanto uma leve brisa...
No entanto, Deus é tão maravilhoso e bom que nos permite aproveitarmos essa ante-sala, nos dando sonhos e coisas lindas para vivermos nesse pequeno espaço de tempo. Nos permite amar, cantar, sorrir, dançar, chorar, abraçar, fazer a Sua obra, deixando marcas para as próximas gerações... E em tudo Ele trabalha na nossa vida aqui, nos preparando até que chegue a hora de desfrutarmos da vida real e eterna.
Devemos lembrar que na verdade a nossa vida ainda nem começou. A eternidade nos espera muito em breve, pois esse vida terrena nada mais é do que um sopro.
Tudo o que somos e temos aqui é tão efêmero quanto uma leve brisa...
No entanto, Deus é tão maravilhoso e bom que nos permite aproveitarmos essa ante-sala, nos dando sonhos e coisas lindas para vivermos nesse pequeno espaço de tempo. Nos permite amar, cantar, sorrir, dançar, chorar, abraçar, fazer a Sua obra, deixando marcas para as próximas gerações... E em tudo Ele trabalha na nossa vida aqui, nos preparando até que chegue a hora de desfrutarmos da vida real e eterna.
21 de maio de 2011
E se acabasse?
Dizem que o mundo vai acabar hoje. Será mesmo? Tantas teorias e profecias já foram feitas a respeito disso... Prefiro acreditar no Mestre, que disse que só Deus sabe o tempo de tudo.
Mas e se acabasse? O que você faria com suas últimas horas nessa terra? Com quem você falaria? O que você comeria? Que última paisagem gostaria de ver? Quem você abraçaria?
Se o mundo acabasse hoje, correria até o alto de um monte e gritaria todas as verdades impressas dentro de mim sem medo. Comeria meu último e mais proveitoso pedaço de chocolate. Cantaria minhas músicas no meio da praça sem me preocupar com o tom certo. Dançaria sem música, de pés descalços na grama.
E diria tudo, tudo mesmo, olhando nos olhos, no pôr-do-sol.
Mas e se acabasse? O que você faria com suas últimas horas nessa terra? Com quem você falaria? O que você comeria? Que última paisagem gostaria de ver? Quem você abraçaria?
Se o mundo acabasse hoje, correria até o alto de um monte e gritaria todas as verdades impressas dentro de mim sem medo. Comeria meu último e mais proveitoso pedaço de chocolate. Cantaria minhas músicas no meio da praça sem me preocupar com o tom certo. Dançaria sem música, de pés descalços na grama.
E diria tudo, tudo mesmo, olhando nos olhos, no pôr-do-sol.
Assinar:
Postagens (Atom)






